Crédito: Charles Silva Duarte / Arquivo DC

Apesar de ainda acumular perdas no ano, o mercado de veículos em Minas Gerais e na capital mineira viu os seus números aumentarem em julho em relação a junho. No Estado, nessa base de comparação, o crescimento foi de 42,53%, com 32.663 vendas. Já em Belo Horizonte, foi apresentada uma expansão de 45,56%, com 16.212 comercializações.

Os dados foram divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) e revelam uma tendência que já havia sido apresentada no mês passado: a de incremento, após perdas consistentes ocasionadas pelos reflexos da pandemia do Covid-19.

Já de janeiro a julho, Minas Gerais apresenta perdas de 41,04% em relação ao mesmo período do ano passado, com 237.191 vendas no acumulado de 2020 contra 402.274 no acumulado de 2019. Em Belo Horizonte, utilizando a mesma base de comparação, os dados da Fenabrave revelam queda de 48,98%, com 140.021 vendas contra 274.450.

Os números também permanecem negativos quando se observa julho deste ano e igual mês de 2019. Minas Gerais registrou um recuo de 45,52%, já que no sétimo mês do ano passado foram realizadas 59.954 vendas. Já em Belo Horizonte, a queda foi de 59,39%, com 39.920 vendas em julho de 2019.

Segmentos – Em relação ao crescimento apresentado em julho na comparação com junho, os dados mostram que o segmento de moto ajudou a puxar os números para cima em Minas Gerais. A expansão foi de 65,61%, com 6.636 comercializações.

Porém, os números ainda são negativos para o segmento de motos em julho deste ano em relação a igual período de 2019. Nesse caso, o recuo foi de 11,65%. Já no acumulado do ano, a queda foi de 22,56%, com 40.959 comercializações neste ano contra 52.889 em 2019.

Logo depois das motos, o segmento mais representativo no Estado em julho em relação a junho foi o de comercial leve (44,37% e 4.838 vendas). Depois vêm automóveis (40,63% e 17.478 vendas), outros (27,90% e 1.829 vendas), caminhão (13,48% e 1.111 vendas) e implemento rodoviário (10,84% e 552 vendas). Já do lado da queda ficaram os ônibus, com retração de 2,23% e 219 vendas.

Belo Horizonte – Na capital mineira, por sua vez, o maior crescimento de julho em comparação a junho foi o do implemento rodoviário, com um expressivo avanço de 366,67% e 28 comercializações.

A categoria, aliás, apresentou crescimentos nas demais bases de comparação. A expansão foi de 7,69% em julho em relação ao mesmo período do ano passado e de 145,67% no acumulado do ano, com 312 comercializações em 2020 contra 127 em 2019.

O comercial leve ocupou a segunda posição, com um incremento de 52,08% e 2.853 comercializações. Logo após vêm automóveis (47,69% e 11.967 vendas), outros (34,72% e 97 vendas) e moto (28,25% e 1.085 vendas).

No entanto, dois segmentos apresentaram recuo no período em Belo Horizonte. O maior deles foi verificado no de ônibus, com uma retração de 34,48% e 38 vendas. A outra queda foi registrada no segmento de caminhão (-18,64% e 144 vendas).

No País, licenciamentos também têm avanço expressivo

São Paulo – Os licenciamentos de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus no Brasil em julho subiram 31,4% na comparação com junho, impulsionados por reabertura de concessionárias e mais dias de comercialização, afirmou a associação de distribuidores, Fenabrave.

Os emplacamentos somaram 174.498 unidades, uma queda de 28,4% na comparação com julho de 2019, disse a entidade ontem.

A Fenabrave estimou queda de 36,4% nas vendas de veículos novos este ano, excluindo motocicletas e implementos rodoviários, para 1,77 milhão de unidades. A previsão marca uma reversão na expectativa anterior à epidemia de Covid-19, de que haveria crescimento do mercado de cerca de 10% este ano.

Em julho, o segmento de motocicletas, que costuma ser mais sensível a crises, registrou alta de 85,6% nos licenciamentos ante junho, emplacando 85.166 veículos, impulsionado ainda pelo crescimento na demanda do comércio eletrônico que tem ganhado impulso com o isolamento social. Em comparação com um ano antes, porém, o segmento mostra queda de 5,4%.

No segmento de caminhões, as vendas de julho mostraram alta de 8,7% sobre junho e uma surpreendente expansão na comparação anual de 5,8%. O segmento junto com implementos rodoviários foram os únicos a conseguir elevar os emplacamentos ante julho de 2019 e são os que apresentam ainda as menores quedas no acumulado do ano.

Segundo a Fenabrave, a demanda tem sido motivada por clientes interessados em modelos pesados e extra-pesados para transporte de grãos e outros produtos, assim como modelos urbanos para trafegar pelas cidades durante a pandemia. Para o presidente da entidade, Alarico Assumpção Júnior, se as montadoras não tivessem parado a produção entre março e abril, as vendas de caminhões poderiam ter sido até maiores.

“Essa queda (nas vendas de caminhões no acumulado) se deve, na verdade, à redução na produção das montadoras que, se estivesse normalizada, poderia atender à demanda que temos tido. Hoje, já temos pedidos para outubro”, disse o presidente da Fenabrave em comunicado à imprensa.

As vendas de caminhões de janeiro a julho somaram 47.148 unidades, baixa de 15,6% sobre o mesmo período de 2019, segundo os dados da Fenabrave. (Reuters)