Crédito: Alisson J. Silva

As vendas de veículos continuaram a cair em Minas Gerais e em Belo Horizonte em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Em todo o Estado, no mês passado, foram comercializadas 16.912 unidades, o que representa uma queda de 13,33% em relação a abril, que já havia acumulado perdas consistentes.

Na capital mineira, as vendas totais somaram 6.142 veículos em maio, mostrando um recuo de 38,03% na comparação com o mês anterior.

Os dados foram divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Em outras bases de comparação, as retrações são ainda mais acentuadas. Para se ter uma ideia, quando se compara maio deste ano com o mesmo período de 2019, quando 68.684 veículos foram vendidos no Estado, o recuo chegou a 75,83%.

Em Belo Horizonte, a situação é ainda mais alarmante utilizando uma comparação entre esses mesmos dois períodos. Em maio do ano passado, foram vendidas 48.903 unidades, o que representa uma queda de 87,44% em relação a maio de 2020.

No acumulado de janeiro a maio de 2019, enquanto Minas Gerais havia vendido 279.932 veículos, neste ano foram 181.628, o que mostra uma retração de 35,12%. Em Belo Horizonte, utilizando a mesma comparação, a queda foi de 40,54%, com 189.511 veículos em 2019 contra 112.681 em 2020.

Na passagem de abril para maio, o setor que mais sofreu com os números negativos no Estado foi o de automóveis, com queda de 32,12% e 7.273 unidades vendidas. A categoria foi seguida negativamente por implemento rodoviário (-24,17% e 367 comercializações).

Por outro lado, alguns itens apresentaram crescimento, o que contribuiu para que a queda registrada em maio não fosse tão grande em comparação a abril.

Nesse sentido, o maior destaque foi para outros (110,24% e 1.068 vendas), seguido por ônibus (57,14% e 121 vendas), caminhão (9,46% e 775 vendas), comercial leve (5,53% e 2.807 vendas) e moto (3,23% e 4.501 vendas).

Em Belo Horizonte, a queda mais representativa na comparação entre maio e abril também foi verificada na categoria automóveis, quando 3.780 unidades foram vendidas.

O número representa uma queda de 51,06%. Posteriormente, vêm caminhão (-21,43% e 99 vendas) e moto (-5,23 e 580 vendas).

Do lado do crescimento, na mesma base de comparação, ficaram outros (33,33% e 16 vendas), implemento rodoviário (26,32% e 72 vendas), ônibus (21,88% e 39 vendas) e comercial leve (15,26% e 1.556 vendas).

Expectativas – Embora os números ainda sejam negativos, profissionais do setor em Belo Horizonte já têm notado certa recuperação, principalmente após a reabertura das concessionárias na capital mineira, permitida no último dia 25 de maio. Além disso, estabelecimentos também têm apostado em novas formas de vendas, como as virtuais.

De acordo com o gerente de vendas da concessionária Pisa Ford, Marcelo Coimbra, as comercializações de abril no estabelecimento, feitas pela internet, foram 10% do total de fevereiro. O quarto mês do ano foi o único em que a loja não pôde ficar aberta nem mesmo um dia, por causa das medidas de isolamento social.

“Tivemos de arrumar uma forma de continuar vendendo e investimos na Internet. Além disso, em abril, também foram dadas férias coletivas”, conta.

Os números de maio, afirma ele, já foram bem melhores do que os de abril. No entanto, de acordo com Marcelo Coimbra, os consumidores ainda estão receosos de fazerem compras. “É o efeito financeiro da pandemia”, diz.

Como o mês de junho teve início nesta semana, ainda não dá para saber como ficarão os negócio. Porém, o gerente de vendas afirma que estão esperançosos. “Acreditamos na retomada das vendas. Porém, para chegar ao que era antes da pandemia, creio que vai demorar no mínimo mais uns três meses”, salienta.

O gerente comercial de vendas da concessionária Nova Catalão, Dione Silva, também destaca que as vendas pela Internet foram um investimento do estabelecimento. Mesmo com a reabertura do local, esse tipo de comercialização ainda tem sido a preferida dos consumidores neste momento, que têm a opção, inclusive, de nem mesmo buscarem o carro na concessionária, mas, sim, de recebê-lo em casa.

“Já estamos notando uma recuperação nas vendas. A nossa percepção é de que teremos um resultado melhor neste mês. No entanto, o crescimento deve ficar só para o ano que vem”, diz Dione Silva.