Copa do Mundo impulsiona mercado e vendas de TVs crescem mais de 60% nas últimas semanas
Tradicionalmente escalada como a principal artilheira das vendas de TVs, a Copa do Mundo também promete entrar em campo com força no varejo nesta edição. Dados da consultoria NielsenIQ apontam que o torneio deve gerar um aumento de 15% a 20% nas vendas de televisores no País.
Segundo o diretor de operações do Carrefour, Marco Alcolezi, a busca por tecnologias mais avançadas deve provocar um incremento de aproximadamente 16% na procura dos consumidores por televisores e eletrônicos. O percentual é quatro pontos percentuais superior ao registrado na última edição do Mundial, realizada em 2022, no Catar.
“Falando especificamente da categoria de TVs, ela vem apresentando um crescimento superior a 60% nas últimas três semanas”, observa.
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Alcolezi afirma que os equipamentos de TV pertencem à categoria que mais contribui para as vendas absolutas do segmento de eletroeletrônicos, reforçando sua relevância estratégica para os resultados do negócio. Ainda segundo ele, muitas pessoas aproveitam o campeonato para renovar seus aparelhos e melhorar a experiência ao assistir aos jogos.
Telas maiores e tecnologias avançadas impulsionam a demanda
O gerente regional de vendas em Minas Gerais da Magazine Luiza, Jonathan Moreira, afirma que o consumidor mineiro tem demonstrado mais interesse por TVs com telas maiores e tecnologias mais avançadas.
“Consumidores que antes buscavam modelos entre 43 e 50 polegadas estão optando, cada vez mais, por televisores de 55, 65 e até 75 polegadas”, revela.
Ele também destaca um crescimento no interesse por tecnologias que oferecem melhor qualidade de imagem e experiência de uso, como smart TVs com sistemas mais rápidos, resolução 4K, painéis QLED e recursos voltados para esportes e streaming.
“Até o início da Copa, a expectativa é que os modelos de 55, 65 e 75 polegadas liderem a demanda, principalmente por oferecerem uma combinação equilibrada entre experiência de visualização, tecnologia e acessibilidade”, pontua. Além disso, os modelos premium também tendem a ganhar espaço entre consumidores que enxergam a troca da TV como um investimento de longo prazo.
Varejistas apostam em promoções e crédito para impulsionar vendas
Com a taxa Selic ainda em patamares elevados (instituições do mercado financeiro elevaram a projeção da Selic de 13,5% para 13,75% em 2026), os varejistas criam estratégias para evitar uma retração nas vendas.
Alcolezi afirma que o Carrefour tem apostado em iniciativas que ampliam o poder de compra dos clientes. Uma das principais linhas de atuação, segundo ele, é o fortalecimento das condições de pagamento por meio do banco próprio da empresa.
Para 2026, a rede também preparou ofertas específicas para o período da Copa do Mundo e lançou a Arena Carrefour, plataforma de gamificação disponível no aplicativo da marca. A iniciativa reúne desafios interativos, cupons de desconto entre 10% e 20%, premiações finais com vouchers de R$ 500 e ativações de parceiros.
“Além disso, haverá ofertas com a primeira parcela apenas para agosto de 2026 e parcelamento em até 20 vezes sem juros em modelos selecionados com os cartões da rede”, diz.
Moreira, por sua vez, destaca que uma das apostas da Magazine Luiza para esse período é a campanha especial da Copa do Mundo, que contempla o sorteio de seis salas completas por dia para os clientes participantes.
“Outro diferencial importante é a integração entre os canais físico e digital, permitindo que o consumidor pesquise, compare opções e finalize sua compra da forma mais conveniente”, destaca.
Condições de pagamento podem ser decisivas para o consumo
Segundo a economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Gabriela Pedrosa, diante do alto endividamento das famílias, o crédito se torna decisivo. “Ele não apenas facilita a compra, mas define se ela vai acontecer ou não. Por isso, quando o varejo consegue oferecer parcelas mais acessíveis e prazos mais ajustados ao orçamento, a intenção de consumo tende, de fato, a se concretizar”, pontua.
Ao mesmo tempo, a especialista afirma que as promoções ganham papel mais estratégico nesse processo de compra. “Em um contexto de restrição, o consumidor passa a avaliar melhor o custo-benefício de cada aquisição. Sendo assim, campanhas bem estruturadas ajudam a reduzir o receio em relação ao consumo”, diz.
Por fim, mais do que criar uma onda de consumo espontâneo, as ações promocionais costumam antecipar compras planejadas, concentrando a demanda em períodos específicos. “Desse modo, o desempenho do varejo nesse tipo de evento depende menos de um aumento generalizado da renda e mais da capacidade de alinhar preços, condições de pagamento e percepção de oportunidade ao momento vivido pelas famílias”, conclui.
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