Respirador foi desmontado e peças transpostas para o computador para serem impressas em 3D | Crédito: Unifei/Divulgação

Um exemplo da junção entre a engenharia e outras áreas do conhecimento vem da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), no Sul de Minas. Lá, engenheiros, profissionais da área de informática e médicos professores da Unifei estão recriando um respirador de baixo custo desenvolvido pelo médico paulista Kentaro Takaoca e que foi muito utilizado em meados do século passado.

O que a equipe da Unifei fez foi desmontar o equipamento original, fazer a “transcrição” de seus componentes para um sistema informatizado e, em seguida produzir estes componentes utilizando uma impressora em 3D.

O grupo é coordenado pelo engenheiro eletricista Edson da Costa Bortoni. Ele diz que uma das dificuldades no momento de desmontar o equipamento foi que algumas peças estavam muito coladas umas nas outras, o que obrigou a equipe a solicitar autorização ao proprietário do equipamento, um médico de Itajubá, para que estas peças pudessem ser serradas para que o processo tivesse sequência.

A intenção do grupo é que, dentro de no máximo duas semanas, os modelos das peças estejam disponíveis para serem impressos por qualquer pessoa e os equipamentos possam, com isso, ser remontados. “Em tempos de ‘guerra’, temos que resolver as coisas rapidamente”, afirmou Edson Bortoni. Segundo ele, como se trata de um equipamento já homologado, o aparelho, ao ser remontado em 3D, poderá ser utilizado de forma imediata.

De acordo com Bortoni, a opção do grupo foi por um modelo de baixa complexidade que possa ser utilizado em pacientes cujo quadro clínico não seja muito sério. “O aparelho é simples e funcional, ideal, nesse momento de urgência, principalmente para casos menos graves”, afirmou Bortoni.

Em pacientes que estão em situação mais complexa deverão, segundo ele, ser utilizados aparelhos mais sofisticados.

Além do projeto de recriação do respirador desenvolvido em meados do século passado e já homologado, outro grupo da Unifei trabalha no desenvolvimento de um equipamento novo e também de baixo custo. No momento, de acordo com a universidade, os pesquisadores trabalham no desenvolvimento da válvula do respirador.

O grupo também utiliza a técnica da impressão em 3D para a modelagem das peças.