Machado: “Temos muitos clientes expandindo geograficamente e em processo de internacionalização” - Crédito: Aline Borges

Este ano promete ser de muita movimentação no mercado de executive search mineiro. A estabilização da economia nacional aliada à alta dos preços das commodities no mercado internacional trouxe um otimismo há muito tempo não experimentado pelos empresários do Estado.

Segundo pesquisa realizada pela consultoria em recursos humanos Tailor, em dezembro de 2019, com 65 executivos mineiros, em níveis de gerência sênior e diretoria, de 50 empresas em sete segmentos (mineração, alimentício, varejo, serviços, finanças, agro e tecnologia), 83% projetam crescimento significativo da empresa em 2020; 61% planejam aumentar significativamente seu quadro de funcionários em 2020; 89% acreditam que 2020 será um ano melhor que 2019 para os negócios; 66% planejam aumentar investimentos em capacitação e desenvolvimento de seus funcionários.

Para o diretor-executivo da Tailor, Bruno da Matta Machado, além dos aspectos macroeconômicos, o otimismo mineiro tem como causa outros fatores.

“Nunca vi tamanho otimismo coletivo em diferentes setores e portes de empresas. Nossas empresas têm um caráter familiar muito forte e vão continuar assim, porém estão buscando a máxima profissionalização, buscando executivos profissionais no mercado. Estamos com muitos projetos que envolvem sucessão familiar, profissionalização e aumento do quadro de trabalho esse ano. Nos últimos anos os projetos eram em sentido contrário, com retração das equipes e executivos seniores sendo trocados por jovens com salários menores”, explica Machado.

Outro ponto importante é a tendência de aumento no número de fusões e aquisições protagonizadas por empresas mineiras. Depois de registrar um aumento de mais de 200% na abertura de novos projetos para contratação de profissionais entre os seus clientes nos dois últimos meses de 2019, em relação ao mesmo período do ano anterior, a consultoria também se movimentou. A expectativa é aumentar em 30% o quadro de funcionário para atender a demanda em 2020.

“A compra da catarinense Fricasa pela Pif Paf, que acaba de ser completada, é um dos exemplos. Eles vão ter quer trabalhar a cultura da empresa, deslocar equipes, contratar. Não é simplesmente comprar e deixar como está. Temos muitos clientes expandindo geograficamente e em processo de internacionalização”, pontua o especialista.

Interesse estrangeiro – O setor de mineração é um dos mais movimentados nesse início de ano. O preço do ouro e do minério de ferro vem tendo seu melhor desempenho dos últimos cinco anos, o que fomenta grande parte da cadeia industrial e de serviços no Estado. Nos últimos meses 65% da carteira de clientes atendidos pela consultoria para busca e seleção de profissionais, foram indústrias ligadas direta ou indiretamente à mineração.

O sabido interesse de investidores estrangeiros sobre a atividade no Brasil, aliado ao projeto de flexibilização de regras encampado pelo governo federal em diferentes setores, tem feito com que as empresas mineradoras busquem fortalecer sua gestão. Tudo isso acontece, simbolicamente, quando o rompimento da barragem do Córrego Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), da mineradora Vale, completa um ano.

“Os investidores estrangeiros não toleram episódios como os de Mariana (rompimento da Barragem de Fundão, em 2015) e de Brumadinho. Para atrair esse capital as mineradoras precisam mostrar que trabalham as melhores práticas e não estão suscetíveis a novos desastres. A partir do acontecido em Brumadinho, elas estão buscando não apenas profissionais ligados à segurança, como aconteceu em 2015, como também à gestão de riscos e estrutura. Novas áreas estão sendo criadas nesse setor”, analisa.