Dólar fecha em baixa, na contramão do exterior, após nova pesquisa eleitoral

Moeda norte-americana recuou ante o real mesmo com alta internacional, impactada por resultado de sondagem eleitoral
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Dólar fecha em baixa, na contramão do exterior, após nova pesquisa eleitoral
Foto: Reprodução/ Adobe Stock

O dólar fechou a quinta-feira (10) em baixa após uma nova pesquisa eleitoral mostrar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pelo Planalto, ainda que em empate técnico.

O recuo do dólar ante o real ocorreu na contramão do exterior, onde a moeda norte-americana subiu ante a maior parte das demais divisas.

O dólar à vista encerrou a sessão com queda de 0,20%, a R$5,1013. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 7,06%.

Às 17h05, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,04% na B3, aos R$5,1260.

O dólar chegou a subir ante o real mais cedo, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, mas no fim da manhã a divisa perdeu força em meio a especulações no mercado de que uma nova pesquisa mostraria o avanço de Flávio na disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Após marcar a máxima de R$5,1472 (+0,70%) às 10h59, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,0824 (-0,57%) às 11h58, antes mesmo da divulgação da pesquisa.

Às 14h30 a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg foi finalmente divulgada e mostrou Flávio com 46,4% das intenções de voto em um segundo turno, contra 46,2% de Lula. Ainda que os dois estejam em empate técnico, já que a margem de erro é de 1 ponto percentual, o fato de Flávio estar numericamente à frente de Lula foi bem recebido.

Isso porque Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias favoráveis a Flávio têm favorecido a queda do dólar.

No mercado de predição Polymarket, sediado nos Estados Unidos, Flávio também passou a superar Lula, com 53% das apostas de vitória neste fim de tarde, contra 44% do petista.

No exterior, a moeda norte-americana avançou ante a maior parte das demais divisas, em um dia marcado pela disparada dos rendimentos dos Treasuries e pelo avanço do petróleo Brent para acima dos US$107 o barril.

Nesta quinta-feira, os houthis, alinhados ao Irã, assumiram o controle do porto iemenita de Mocha, o que representa uma ameaça adicional ao tráfego no Mar Vermelho. Já o tráfego no Estreito de Ormuz permaneceu restrito, devido à intensificação dos ataques a petroleiros na região nos últimos dias.

Às 17h08, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,31%, a 99,084.

No início do dia, o Banco Central vendeu, em dois leilões simultâneos, US$1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$1 bilhão de swap cambial reverso — neste caso, uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro.

As duas operações simultâneas são conhecidas como “casadão” pelos investidores e dão liquidez ao mercado. O efeito delas sobre as cotações do dólar é, em tese, nulo, já que o BC vendeu US$1 bilhão em uma ponta e comprou US$1 bilhão em outra.

No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de outubro.

Conteúdo distribuído por Reuters

 Fabricio de Castro
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Fabricio de Castro

Agência Reuters

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