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Ibovespa sobe com alívio na inflação americana, de volta aos 176 mil pontos

Mercado repercute dados do CPI abaixo do esperado nos Estados Unidos, que esfriaram apostas de aperto monetário e impulsionaram a Bolsa
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Ibovespa sobe com alívio na inflação americana, de volta aos 176 mil pontos
Foto: Amanda Perobelli/Reuters

O Ibovespa percorreu a sessão em alta, que foi mais firme pela manhã desta terça-feira (14), perdendo um pouco de fôlego no decorrer da tarde dada a maior volatilidade nos preços do petróleo, mas conseguindo retomar o nível de 176 mil pontos. O sinal positivo foi amparado mais uma vez pelo cenário externo, diante do alívio na expectativa de alta de juros nos Estados Unidos e melhora na percepção de risco geopolítico.

O avanço mais firme se deu ainda na primeira etapa, quando o índice chegou aos 177 mil pontos, sob o impacto da inflação americana abaixo do esperado pelos analistas. O índice de inflação ao consumidor (CPI, em inglês) caiu 0,4% em junho, aquém do consenso (-0,1%), enquanto o núcleo, que mostrou estabilidade, também surpreendeu, contrariando a mediana das estimativas de alta de 0,2%. A leitura dos números esfriou a aposta de aperto monetário pelo Federal Reserve em setembro.

Economistas do Bradesco destacaram que, além do número cheio, a composição do índice também foi favorável. “Junho é o sinal mais limpo desde o início do processo desinflacionário – amplitude, tendência central e habitação na mesma direção ao mesmo tempo, pela primeira vez”, observam os profissionais, para quem, a depender do índice de preços de gastos com consumo (PCE, em inglês), o CPI satisfaz “a condição que Waller havia articulado para reabrir o debate sobre cortes”. “Para o Fed, o número deve trazer alívio no curto prazo e deixar o BC em modo de espera”, acrescentam. Ontem, Christopher Waller, diretor do Fed, havia alertado que poderia ser necessário aumentar juros se o núcleo do CPI desta semana fosse alto.

Já o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmou que “missão cumprida” não é sua visão após o CPI vir abaixo do esperado e que ainda há muito o que fazer para que “tudo esteja bem”. Reiterou ainda que está “redobrando” o compromisso com meta de 2%.

“O grande tema do dia é a inflação americana”, resumiu Matheus Spiess, economista da Empiricus. “Por mais que a gente ainda tenha novos episódios de escalada no Oriente Médio, que por sua vez trazem consigo nova pressão sobre preço de energia e sobre a curva de juros, a gente tem um contexto minimamente mais promissor”, diz.

Enquanto o CPI garantiu o sinal de alta para a Bolsa, o ritmo foi ditado, em boa medida, pelo desempenho das ações da Petrobras. O petróleo Brent, referência para a Petrobras, subiu 1,72%, para US$ 84,73 no contrato para setembro. Petrobras ON encerrou em baixa de 0,50% e a PN ficou estável. Nas demais blue chips, o setor financeiro terminou com desempenho misto, com Itaú Unibanco PN em alta de 0,25% e Bradesco PN em baixa de 0,75%. Vale se recuperou do recuo de segunda e terminou com alta de 1,59%, dado o avanço do minério de ferro.

Para Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, a Bolsa brasileira tende a ser favorecida se consolidada a ideia de que o Fed não vai elevar juros no curto prazo. “Nesse caso, o investidor institucional deve voltar a se posicionar em bolsas de mercados emergentes como a nossa, que também é forte em commodities. Esse fluxo está um pouco travado por causa do Trump”, explicou.

O Ibovespa encerrou o dia em alta de 0,51%, aos 176.641,10 pontos, entre a máxima de 177.179 (+0,82%) e a mínima de 175.743 (estável). O volume financeiro foi de R$ 21,8 bilhões. Em julho, o índice sobe 2,68% e em 2026 avança 9,63%.

Conteúdo distribuído por Agência Estadão

Denise Abarca
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