Crédito: Enildo Amaral/BCB

Brasília – A redução do spread, medido pela diferença entre o custo de captação dos bancos e o cobrado aos clientes, será batalha número um do Banco Central (BC), afirmou o indicado à diretoria de Política Econômica da autarquia, Fabio Kanczuk, defendendo a senadores que se comprometerá com a tarefa de diminuição dos juros na ponta caso seja aprovado ao cargo.

Em sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), 16 senadores chancelaram o nome de Kanczuk para o posto, enquanto quatro votaram contra. Agora, o plenário do Senado ainda precisa analisar sua indicação para que assuma a cadeira na autoridade monetária.

Durante sua participação, Kanczuk fez uma defesa enfática da necessidade de queda dos juros aos consumidores e ponderou que os lucros dos bancos no Brasil são extremamente elevados em relação ao capital investido.

“É legítimo que a sociedade questione”, disse ele, que atuou como secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda no governo do ex-presidente Michel Temer.

Apesar disso, Kanczuk avaliou que a principal causa por trás do alto custo de financiamentos no País é a inadimplência. Em seguida, aparecem os custos administrativos e operacionais, seguidos pelos compulsórios e peso dos tributos e, finalmente, pela margem de lucro das instituições financeiras.

“Há lista grande do que fazer para trabalhar nesses pontos”, afirmou ele, destacando que o BC precisa trabalhar na melhoria da recuperação de crédito, que é baixa e demorada no País.

Kanczuk também avaliou que é preciso eliminar o subsídio cruzado sobre o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito.

Ele argumentou que avaliações internas do BC já mostraram que são as pessoas com menor educação financeira que utilizam esses produtos e acabam pagando por seu alto custo, ainda que essas modalidades sejam também ofertadas ao público de renda mais alta – que não as acessam.

Em outra frente, Kanczuk disse acreditar que o open banking e aumento de atuação das fintechs irão ser cruciais na “batalha do spread” no Brasil.

Em seu discurso inicial, ele avaliou que o principal papel da política monetária conduzida pelo BC é assegurar inflação baixa e estável, sendo que o sistema de metas é uma ferramenta importante para tanto.

Para Kanczuk, o sistema tem funcionado “muito bem”, sendo que a banda para a meta de inflação é o que permite que choques momentâneos, como, por exemplo, no preço de alimentos, sejam acomodados.

Selic – Sem tecer comentários mais aprofundados sobre sua visão para a Selic, Kanczuk afirmou que “é com estabilidade monetária que convergiremos para taxas de juros a níveis mais adequados, seguindo sempre firmes no objetivo de contribuir para um ambiente de crescimento econômico sustentável”.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reúne hoje para mais uma decisão sobre os juros básicos, com um membro a menos. O economista Carlos Viana, que comandava a diretoria de Política Econômica, deixou o cargo no final de setembro, a pedido. Se aprovado, Kanczuk participará da próxima reunião, em dezembro, quando o Copom voltará a ter nove membros, incluindo o presidente Roberto Campos Neto.

Atualmente, a taxa Selic está em 5,50%, seu menor nível histórico, e a expectativa majoritária do mercado é de que seja cortada em 0,5 ponto percentual, no que seria o terceiro corte seguido desta magnitude. (Reuters)

Caixa irá reduzir juros para crédito imobiliário

São Paulo – A Caixa Econômica Federal vai anunciar hoje uma redução das taxas de juros para o crédito imobiliário com recursos da poupança.

A medida valerá para os contratos de financiamento de imóveis atualizados pela taxa referencial (TR), segundo o comunicado de entrevista coletiva enviado à imprensa ontem.

O detalhamento da decisão será feito pelo presidente da Caixa, Pedro Guimarães, horas antes do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciar o posicionamento para a taxa básica de juros do País, hoje em 5,5% ao ano. A previsão ampla do mercado é de um corte de 0,5 ponto percentual.

Maior concessora de financiamento imobiliário do País, a Caixa já anunciou cortes na taxa cobrada para novos financiamentos ao longo de 2019, na esteira dos cortes da Selic para mínimas históricas e do aumento da concorrência entre os grandes bancos para oferecer taxas cada vez menores.

Financiamento – O financiamento imobiliário com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) atingiu R$ 7,59 bilhões em setembro, maior resultado mensal desde maio de 2015, informou ontem a entidade que representa as instituições que financiam a compra de imóveis, Abecip.

O dado do mês passado representa um crescimento de 54,5% em relação a igual período de 2018. Na comparação sequencial, o avanço foi de 13,2% sobre agosto.

Ainda de acordo com a Abecip, nos primeiros nove meses de 2019, o sistema emprestou R$ 54,7 bilhões para financiar a compra e construção de imóveis, elevação de 34,1% ante à mesma etapa do ano passado. (Reuters)