Prejuízo dos Correios avança para R$ 3,16 bilhões
Brasília – Os Correios registraram prejuízo de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026, segundo as demonstrações financeiras divulgadas pela estatal. O resultado negativo é 85,9% superior ao observado no mesmo período do ano passado, quando o rombo foi de R$ 1,7 bilhão.
Em processo de reestruturação, a companhia apresentou queda nas receitas, mas também reduziu os custos operacionais.
O resultado foi impactado ainda pelo reconhecimento de uma contingência de R$ 1,06 bilhão relacionada a ações trabalhistas. O valor havia sido retirado das demonstrações financeiras pela administração anterior da empresa, decisão que gerou questionamentos internos e também de órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU).
O novo prejuízo ocorre após os Correios acumularem perdas de R$ 8,5 bilhões em 2025, o pior resultado da história da estatal. A empresa opera no vermelho desde 2022.
Sob nova gestão desde setembro de 2025, quando Emmanoel Rondon assumiu a presidência dos Correios, a companhia obteve no ano passado um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União para regularizar passivos e financiar seu plano de reestruturação. O principal objetivo é recuperar a sustentabilidade financeira da empresa.
O processo de regularização das dívidas acumuladas em exercícios anteriores também contribuiu para o agravamento do resultado. As receitas, por sua vez, ainda não apresentaram a recuperação esperada pela administração.
Segundo o balanço, a receita bruta de vendas e serviços somou R$ 4,04 bilhões no primeiro trimestre de 2026, queda nominal de 2,2% em relação aos R$ 4,13 bilhões registrados entre janeiro e março de 2025. A receita líquida, após a dedução de impostos e descontos, seguiu a mesma trajetória.
Na análise por segmento, houve retração nominal nas três principais fontes de receita dos Correios: encomendas, mensagens e postagens internacionais. Juntas, elas representam quase 90% do faturamento da empresa. Apenas o segmento de outras receitas apresentou crescimento, avançando 48%, para R$ 465 milhões.
Os custos dos produtos vendidos e dos serviços prestados recuaram 7,6%, passando de R$ 4,01 bilhões no primeiro trimestre de 2025 para R$ 3,7 bilhões em igual período deste ano.
A conta inclui as despesas com pessoal, que caíram 4,1% na mesma base de comparação, de R$ 2,8 bilhões para R$ 2,7 bilhões, mesmo após o reajuste salarial de 5,1% concedido à categoria no ano passado. Segundo a companhia, o Programa de Demissão Voluntária (PDV) implantado em 2024 contribuiu para a redução dos gastos.
Provisões
Por outro lado, os Correios registraram forte aumento nas despesas gerais e administrativas, grupo que inclui provisões para perdas judiciais.
A empresa informou ter revisado a classificação de ações trabalhistas, o que resultou em acréscimo de R$ 1,06 bilhão nessa rubrica. O passivo relacionado aos processos subiu de R$ 3,6 bilhões no fim de 2025 para R$ 4,66 bilhões em março deste ano.
“O aumento deve-se à reavaliação dos processos judiciais decorrente da evolução de seus andamentos e da atualização dos entendimentos jurisprudenciais, bem como de ajustes na classificação dos riscos e da atualização das estimativas de desembolsos futuros. Esses fatores influenciam o valor provisionado e a composição das contingências por natureza e nível de risco dos processos”, informa o balanço.
A inclusão da provisão ocorre após uma controvérsia sobre o tema. A gestão anterior, presidida por Fabiano Silva dos Santos, revisou o balanço de 2022 para incluir uma provisão de R$ 1 bilhão destinada ao pagamento de indenizações judiciais a empregados, mas não manteve o valor nas demonstrações de 2023, sob a justificativa de que a estatal havia obtido decisão favorável no andamento da ação.
Tanto o TCU quanto a Controladoria-Geral da União (CGU) contestaram a avaliação dos Correios e recomendaram a reincorporação da provisão às demonstrações financeiras. Desde o fim de 2025, técnicos alertavam internamente para a necessidade do ajuste, efetivado apenas no primeiro trimestre de 2026.
No balanço, a empresa destacou ainda o avanço das despesas financeiras, que saltaram de R$ 283 milhões no primeiro trimestre de 2025 para R$ 985 milhões entre janeiro e março de 2026.
Reportagem distribuída pela Folhapress
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