Fundos de pensão fechados registram superávit de R$ 17 bilhões e retomam fôlego em 2025
O sistema de previdência complementar fechada encerrou 2025 com superávit de R$ 17 bilhões e alcançou rentabilidade média anual de 13,23%. Os resultados refletem o desempenho consistente das entidades do segmento no ano passado, mesmo diante de um ambiente econômico desafiador, marcado por volatilidade nos mercados e incertezas no cenário macroeconômico.
Os dados divulgados pela Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), do Ministério da Previdência, indicam que o superávit foi resultado da diferença entre R$ 39 bilhões registrados em planos superavitários e R$ 22 bilhões em planos deficitários, evidenciando o equilíbrio do sistema e sua capacidade de absorver ciclos econômicos.
Para o CEO da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), Devanir Silva, o resultado marca recuperação em relação ao ano anterior, quando o cenário econômico mais adverso impactou negativamente o setor. “O resultado do ano passado foi conjuntural. Em 2024, tivemos dificuldades tanto na renda fixa quanto na bolsa. Já em 2025, os dois mercados performaram bem, o que favoreceu os fundos”, explicou.
A previdência complementar fechada reúne planos voltados a grupos específicos, como funcionários de empresas ou associados de entidades de classe. Diferentemente das modalidades abertas, oferecidas por bancos e seguradoras, esses fundos não têm finalidade lucrativa, e todo o resultado é revertido para os participantes.
Segundo Silva, essa característica é determinante para entender o funcionamento do sistema. “Superávit não é lucro, assim como déficit não é prejuízo. São oscilações naturais de planos de longo prazo, que precisam ser equilibradas ao longo do tempo”, afirmou.
Ele destaca ainda que, quando o superávit persiste por três anos consecutivos, há obrigatoriedade de distribuição de recursos entre os participantes, um diferencial relevante frente a outros modelos de previdência.

Taxa alta de juros favorece o setor
Apesar do bom desempenho recente da bolsa de valores, a tendência para 2026 é de manutenção de uma estratégia conservadora. Atualmente, menos de 8% dos investimentos das entidades estão alocados em renda variável.
“O cenário de juros elevados torna a renda fixa muito atrativa. Títulos públicos de longo prazo oferecem retornos superiores à meta dos planos, que gira em torno de 4,5% ao ano. Isso reduz o incentivo para assumir riscos maiores”, explicou Silva.
A expectativa, segundo ele, é de uma migração gradual para ativos mais arriscados apenas em um cenário de queda consistente da taxa de juros.
Em uma avaliação regional, Silva afirma que Minas Gerais se destaca pela relevância dentro do sistema nacional. O Estado conta com 13 entidades fechadas de previdência complementar (EFPC), segundo cadastro da Previc, sendo que, dessas, 11 são associadas à Abrapp.
Conforme Silva, considerando apenas as entidades associadas à Abrapp, o patrimônio total soma R$ 20,1 bilhões, de um total de R$ 45 bilhões do setor de fundos de pensão em Minas Gerais e de R$ 1,37 trilhão no País.
Entre as principais entidades ligadas à Abrapp em Minas estão fundos como os da Usiminas, além de entidades voltadas a setores específicos, como saneamento e siderurgia, ou entidades de classe.
“Minas tem participação ativa e relevante, tanto no setor privado quanto no público. É um Estado que tem contribuído fortemente para a proteção previdenciária dos trabalhadores”, destacou o CEO da Abrapp.
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