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Conhecida também como a “Síndrome do Esgotamento Profissional” ou “Síndrome da sensação de estar acabado”, a Síndrome de Burnout está ligada ao estresse no trabalho. Profissionais das áreas de saúde, educação, além de jornalistas, policiais e outros que vivem sob pressão constante são os mais afetados.

A síndrome envolve nervosismo, sofrimentos psicológicos e problemas físicos, como dor de barriga, cansaço excessivo e tonturas. O estresse e a falta de vontade de sair da cama ou de casa, quando constantes, podem indicar o início da doença. De acordo com pesquisa realizada pela International Stress Management Association (Isma), em 2019, ela atingiu 32% dos trabalhadores brasileiros, o equivalente a 33 milhões de pessoas.

A conectividade total, agravada pelo contexto de isolamento social imposto pela Covid-19, em que o trabalho acompanha as pessoas em todos os ambientes, é apontada como um dos cenários que faz com que a Síndrome de Burnout seja tão comentada e cresça tanto atualmente.

O diagnóstico da doença – que já é reconhecida como laboral – não é algo fácil, pois ela se parece com várias outras como depressão, ansiedade e ao pânico, por exemplo. Por trás disso existem dois fatores: genética que predispõe a várias doenças diferentes e os fatores ambientais.

Se, de um lado, existe a maneira como cada indivíduo reage às pressões do trabalho, do outro as empresas têm responsabilidade na criação e manutenção de um clima saudável, com relações respeitosas. Os líderes devem fomentar uma cultura corporativa sadia e se manterem atentos para qualquer sinal de adoecimento dentro das suas equipes.

Veridiana Police Burnout se agrava por conta das condições de trabalho | Crédito: Marcus Steinmeyer

Responsabilidade corporativa – De acordo com a especialista da área trabalhista e sócia do escritório Finocchio & Ustra, Veridiana Police, as empresas podem, com medidas simples, evitar o aparecimento da doença e o comprometimento não só da produtividade, mas também de outros prejuízos que podem chegar até à punição pecuniária pela Justiça do Trabalho. Tudo isso sem contar arranhões na imagem da marca e dificuldades na atração e retenção de talentos.

“Burnout é um quadro psíquico que surge ou se agrava por conta das condições de trabalho. O doente sente uma obrigação de prestar o trabalho de uma forma em que ele não pode parar. O trabalhador não tem mais as pausas que deveria ter. Isso, normalmente, está ligado a um ambiente de extrema pressão, com o relacionamento abusivo entre líderes e subordinados. A medida profilática mais eficiente é o treinamento das lideranças de todos os níveis. Crescemos em uma cultura que valoriza a pressão, o controle máximo e a competitividade extrema. Hoje, sabemos que essa não é a forma mais saudável de viver e nem a mais produtiva de trabalhar. O RH deve ser proativo para inibir esse tipo de liderança tóxica”, explica Veridiana Police.

Compliance Fortalecer uma cultura corporativa não violenta e o compliance são formas de garantir uma governança corporativa eficiente. Não basta, porém, ter um belo código de ética que só é manuseado no dia da contratação. Ações educativas, treinamento, canal de escuta, monitoramento e punição em casos de abuso são ações o RH deve manter cotidianamente. Dentro disso, o engajamento da alta gestão é fundamental e vai além do poder do exemplo.

“Não adianta só um belo discurso e nem treinar apenas os líderes operacionais. A alta gestão precisa entender que ter um ambiente saudável além de agradável, traz lucros. Trabalhadores adoecidos faltam, produzem menos e se afastam do trabalho. Isso gera custos previdenciários, custos de contratação e treinamento de substitutos, gap de produtividade enquanto esse substituto não alcança o mesmo nível de produção do antigo funcionário, entre outros gastos que aparecem com um passivo oculto. Isso não está na planilha do dia a dia, mas não é uma conta tão difícil de se fazer quando a empresa resolve avaliar a sua conduta com seriedade”, alerta a advogada.

No Brasil já existe jurisprudência consolidada a favor de trabalhadores que comprovaram a relação de causa da Síndrome de Burnout com o ambiente de trabalho abusivo. O teletrabalho ou trabalho remoto popularizados durante a pandemia podem dar origem a um “surto” de Burnout nos próximos meses.

“Vivemos um tempo de confusão entre o que é casa e o que é trabalho. A insegurança quanto à continuidade do emprego também pode favorecer relacionamentos abusivos. Esse é um momento em que as empresas devem ficar ainda mais atentas para evitar que seus talentos adoeçam e futuros problemas na justiça”, destaca a especialista.