Entre as reflexões geradas em função do Dia Nacional da Consciência Negra, o CEO da Prime Talent, David Braga, observa que faltam ações e protagonismo para se promover efetivamente a diversidade | Crédito: Pexels

O Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, se consolidou como uma importante data, não apenas para relembrar e reforçar a luta contra o preconceito racial e pela igualdade de direitos, como também para reflexão sobre a questão da diversidade nos mais variados aspectos.

Nas empresas, especialmente aquelas de maior porte, o assunto está sempre em pauta, no entanto, a realidade mostra que a inclusão, efetivamente e infelizmente, ainda é um pouco utopia, na avaliação do CEO e headhunter da Prime Talent, David Braga, que conta com a experiência de quem já selecionou mais de 10 mil executivos de média e alta gestão para clientes em toda a América Latina.

Em resumo, Braga argumenta que, mais do que cumprir quotas para garantir a diversidade, faltam ações para a evolução das carreiras, além de protagonismo individual, para, então, se conquistar uma mudança estrutural. Ou seja, as empresas precisam oferecer as melhores condições de sucesso, desde o processo seletivo, durante o dia a dia da corporação, até a conquista de posições mais estratégicas e cargos de liderança.

Já os profissionais – homem, mulher, negro, branco, hetero, LGBT, PCD – têm que se diferenciar. “É fundamental aprimorar, cada vez mais, competências, habilidades e repertório técnico nas áreas em que atuam para que possam competir no mercado e assumir escopo e posições de maior complexidade”, ressalta.

Na prática, isso ainda não acontece, de acordo com Braga. Ele cita, inclusive, uma pesquisa feita pela Prime Talent, entre setembro de 2019 e janeiro de 2020. O resultado revela que, apesar de tamanha relevância em se promover a inclusão nas organizações, cerca de 82% das grandes empresas não têm head de Diversidade. “Por isso, o tema da igualdade deve ser tratado ao longo de todo o ano.

Por um lado, as empresas precisam desenvolver áreas de recursos humanos que, de fato, orquestrem essa temática com maestria, contando com o engajamento dos presidentes e do Conselho de Administração. Por outro, todo o ecossistema precisa ser questionado e revisto, não apenas no ambiente corporativo, mas também dentro dos lares. É preciso um novo olhar para questionar o status quo e propor soluções diferentes”, conclui.