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Planejamento sucessório ganha força entre empresas familiares para preservar patrimônio

Especialistas defendem que a preparação dos herdeiros e a organização patrimonial devem começar ainda em vida para garantir a continuidade dos negócios e reduzir conflitos entre gerações
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Planejamento sucessório ganha força entre empresas familiares para preservar patrimônio
Foto: Reprodução Adobe Stock

O momento de transferir o comando e o patrimônio para a próxima geração pode representar um verdadeiro desafio para as empresas familiares, sobretudo pela falta de planejamento. Especialistas em gestão patrimonial e educação financeira destacam que a sucessão empresarial não deve começar apenas quando o fundador decide deixar a gestão do negócio. O ideal é que esse processo seja estruturado com antecedência, como parte de uma estratégia de longo prazo que envolva tanto o futuro da empresa quanto a organização do patrimônio familiar.

No Brasil, onde cerca de 90% das empresas têm perfil familiar, segundo o Sebrae, a transição entre gerações ainda representa um dos principais pontos de fragilidade desses negócios.

Os números ilustram esse desafio. Segundo o Banco Mundial, apenas 30% das empresas familiares sobrevivem até a terceira geração. Em um contexto marcado pela maior transferência intergeracional de patrimônio da história, a sucessão passou a exigir planejamento estruturado, preparo dos herdeiros e estratégias patrimoniais de longo prazo.

Em Minas Gerais, a realidade não é diferente. Segundo o levantamento Negócios Familiares, do Sebrae Minas, aproximadamente 40% dos pequenos empreendimentos do Estado possuem gestão familiar, o que torna a sucessão e a preservação do patrimônio temas centrais para esses negócios.

Essas empresas englobam desde microempreendedores individuais (MEIs) até empresas de pequeno porte. O levantamento mostra ainda que cerca de 50% desses negócios contam com dois familiares na operação direta, enquanto estruturas com três e quatro integrantes representam 24% e 11%, respectivamente.

Educação financeira e visão de longo prazo

Um dos primeiros passos para uma sucessão bem-sucedida é desenvolver uma cultura de educação financeira dentro da família empresária. Líder da XP em Minas Gerais, Marcela Torres explica que essa etapa envolve ampliar a transparência sobre o funcionamento do negócio, promover o planejamento patrimonial e estimular a compreensão das responsabilidades financeiras que acompanham a gestão e a continuidade da empresa e do patrimônio familiar.

“Quando os herdeiros têm conhecimento sobre gestão, investimentos e governança, a transição tende a ser mais tranquila”, avalia. Para ela, a sucessão deixa de ser apenas um momento de transferência de bens e passa a representar um processo de continuidade do legado empresarial.

Nesse contexto, a especialista afirma que um dos instrumentos que vêm ganhando espaço é o wealth planning, serviço de planejamento patrimonial voltado à administração, preservação e crescimento dos recursos de uma pessoa ou família ao longo do tempo. Entre os principais benefícios desse modelo está a preservação do patrimônio e o alinhamento das decisões financeiras aos objetivos de longo prazo, favorecendo também seu crescimento de forma sustentável.

Na prática, o wealth planning considera tanto fatores presentes, como a gestão de custos e a organização dos investimentos, quanto aspectos futuros, entre eles o planejamento sucessório. Na área de investimentos, o serviço também auxilia na seleção dos ativos mais adequados aos objetivos de cada família ou indivíduo.

Enquanto a gestão patrimonial tradicional costuma concentrar esforços no presente, muitas vezes voltada ao ambiente empresarial, o wealth planning amplia essa visão ao considerar o patrimônio de forma integrada, contemplando também o contexto familiar e os objetivos de longo prazo.

“Nesse processo, a figura do assessor de investimentos é fundamental. Ele deixa de ser apenas um selecionador de ativos para se tornar o consultor que identifica riscos sucessórios e conecta a família às soluções de proteção e perpetuação do legado. O foco deixa de ser apenas a rentabilidade imediata e passa a ser a construção de estruturas sólidas capazes de atravessar gerações”, comenta Marcela Torres.

Herança não é o mesmo que sucessão planejada

É comum que muitas famílias confundam herança e sucessão patrimonial, embora os dois conceitos tenham significados distintos. A herança ocorre após o falecimento do titular do patrimônio e segue as regras previstas na legislação, geralmente exigindo inventário judicial ou extrajudicial. Esse processo pode ser demorado, gerar custos elevados e provocar disputas familiares.

Já a sucessão patrimonial ocorre ainda em vida, por meio da organização prévia da transferência de bens, participações societárias e responsabilidades na empresa. É nessa etapa que muitas empresas recorrem a especialistas para estruturar o patrimônio financeiro da família e definir estratégias de longo prazo. Marcela Torres lembra que esse apoio também é importante para avaliar a melhor forma de distribuir os ativos, alinhando o planejamento sucessório aos objetivos da família e do negócio.

“No âmbito do wealth planning, esse trabalho também envolve a organização de todos os ativos financeiros e patrimoniais, como empresas, imóveis e investimentos, além do planejamento da transferência desses bens aos herdeiros ou beneficiários definidos pela família”, explica.

O processo também pode envolver medidas como a elaboração de testamentos, a definição de regras de governança familiar, a nomeação de representantes legais e outras estruturas que conferem mais segurança jurídica à sucessão. Entre os principais objetivos estão reduzir a carga tributária incidente sobre a transmissão de bens e garantir a preservação e a administração eficiente do patrimônio pelas próximas gerações.

No Brasil, um dos principais fatores que impulsionam esse tipo de planejamento é a incidência do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), cobrado sobre a transferência de bens por herança ou doação.

Em Minas Gerais, a alíquota atualmente é de até 5%. No entanto, a reforma tributária prevê a adoção de alíquotas progressivas, que poderão chegar a 8%, conforme o valor do patrimônio ou a legislação vigente. “Pode parecer um percentual pequeno, mas, quando falamos de patrimônios mais elevados, ele representa um custo significativo para a família, e muitas ainda não estão preparadas para absorver esse impacto”, conclui a especialista.

Colaborador

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