Crédito: REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Caracas – O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse no último domingo (17) que as transações em dólares, que têm crescido nos últimos meses, são uma “válvula de escape” que pode ajudar o país a atravessar a crise econômica, em meio às sanções norte-americanas que visam tirá-lo do poder.

O bolívar, a moeda oficial venezuelana, se depreciou mais de 90% neste ano, e a hiperinflação dos primeiros nove meses do ano chegou a 4.680%, de acordo com o Banco Central.

A espiral inflacionária abateu o poder de compra do salário mínimo, que juntamente com a ajuda alimentar é equivalente a cerca de 10 dólares por mês.

“Não vejo como uma coisa ruim. Este processo que eles chamam de ‘dolarização’ e pode ajudar a recuperação do país, a disseminação de forças produtivas no país e a economia. Graças a Deus que ele existe”, disse Maduro em uma entrevista transmitida pelo canal Televen.

Maduro, que ao menos até 2018 proibiu o uso do dólar, acrescentou que, embora ainda esteja estudando transações na moeda norte-americana, que cresceram nos últimos meses, o bolívar continuará a circular como moeda oficial.

Desde 2003, a taxa oficial de câmbio vem sendo estabelecida pelo Banco Central, mas vem se tornando cada vez mais flexível.

O líder opositor Juan Guaidó reagiu aos comentários de Maduro sobre a dolarização em uma coletiva de imprensa na noite de domingo, dizendo que Maduro admitiu outra derrota.

“O fracasso de Miraflores, reconhecido hoje, é que o país está dolarizado. Ele reconhece que nossa moeda nem sequer tem mais valor”, disse Guaidó.

Sediada em Caracas, a consultoria Ecoanalitica estimou recentemente que 53,8% das transações da primeira quinzena de outubro foram realizadas em dólares, segundo uma amostra das sete maiores cidades venezuelanas.

(Reuters)