Trump promete bloquear o Estreito de Ormuz após fracasso das negociações de paz com o Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse neste domingo (12) que a Marinha dos EUA deve começar a bloquear o Estreito de Ormuz, aumentando as apostas após o fracasso da maratona de negociações com o Irã em chegar a um acordo para encerrar a guerra, colocando em risco um frágil cessar-fogo de duas semanas.
Trump também disse, em uma publicação no Truth Social, que os EUA devem tomar medidas contra todas as embarcações em águas internacionais que tiverem pago um pedágio ao Irã, além de começar a destruição de minas que, segundo ele, foram lançadas pelos iranianos no estreito, ponto de estrangulamento para cerca de 20% dos suprimentos globais de energia bloqueado pelo Irã.
“A partir de agora, a Marinha dos Estados Unidos, a melhor do mundo, iniciará o processo de BLOQUEIO de todo e qualquer navio que tente entrar ou sair do Estreito de Ormuz”, disse ele.
“Também instruí nossa Marinha a procurar e interditar todas as embarcações em águas internacionais que tenham pago um pedágio ao Irã.”
“Ninguém que pague um pedágio ilegal terá passagem segura em alto mar”, acrescentou Trump.
“Qualquer iraniano que disparar contra nós ou contra embarcações pacíficas será ABATIDO PARA O INFERNO!“, acrescentou.
A Guarda Revolucionária do Irã respondeu com um comunicado, alertando que embarcações militares que se aproximarem do estreito serão consideradas uma violação do cessar-fogo e tratadas com rigor e firmeza, ressaltando o risco de uma escalada perigosa.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, que liderou a delegação de seu país nas negociações juntamente com o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, disse que as novas ameaças do presidente dos EUA não terão efeito sobre a nação iraniana.
“Se vocês lutarem, nós lutaremos, e se vocês vierem com lógica, nós lidaremos com lógica”, disse ele.
Seis semanas de combates deixaram milhares de mortos, abalaram a economia global e fizeram os preços do petróleo dispararem, enquanto o Irã impedia o tráfego pelo estreito.
Mais negociações?
Em entrevista à Fox News após a publicação sobre o estreito, Trump disse acreditar que o Irã continuaria negociando e classificou as discussões deste fim de semana como “muito amistosas”.
“Eu acredito que eles vão se dispor a negociar, porque ninguém pode ser tão estúpido a ponto de dizer: ‘Queremos armas nucleares’, sem ter nenhuma carta na manga”, disse Trump à Fox News de seu campo de golfe perto de Miami, na Flórida.
Trump também afirmou que os aliados da Otan, que ele criticou por não apoiarem a guerra iniciada pelos EUA juntamente com Israel em 28 de fevereiro, queriam ajudar na operação no estreito.
Não houve comentários imediatos por parte dos aliados de Washington.
As conversas do fim de semana em Islamabad, que se seguiram ao anúncio de um cessar-fogo na última terça-feira, foram o primeiro encontro direto entre os EUA e o Irã em mais de uma década e as discussões de mais alto nível desde a Revolução Islâmica de 1979.
“A má notícia é que não chegamos a um acordo, e acho que isso é uma notícia muito pior para o Irã do que para os Estados Unidos da América”, disse o vice-presidente JD Vance, que chefiou a delegação dos EUA.
Um funcionário norte-americano afirmou que o Irã rejeitou o apelo de Washington pelo fim de todo o enriquecimento de urânio, o desmantelamento de todas as principais instalações de enriquecimento e a transferência de urânio altamente enriquecido.
Os dois lados também não chegaram a um acordo sobre a exigência de que o Irã cesse o financiamento ao Hamas, ao Hezbollah e aos Houthis, além da completa abertura do Estreito de Ormuz, acrescentou o funcionário.
Qalibaf, por sua vez, culpou os EUA por não conquistarem a confiança de Teerã, apesar de sua equipe ter oferecido “iniciativas voltadas para o futuro”. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que conversou sobre o assunto em uma ligação com o presidente russo, Vladimir Putin, disse que Teerã queria “um acordo equilibrado e justo”.
“Se os Estados Unidos retornarem à estrutura do direito internacional, chegar a um acordo não estará longe”, disse ele a Putin, segundo a mídia estatal iraniana.
Líbano
A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim afirmou que as exigências “excessivas” dos EUA impediram a obtenção de um acordo. Outros meios de comunicação iranianos disseram que havia consenso sobre vários pontos, mas o estreito e o programa nuclear iraniano eram os principais obstáculos.
Apesar do impasse, três superpetroleiros totalmente carregados de petróleo atravessaram o Estreito de Ormuz no sábado, segundo dados de navegação, naquela que parece ter sido a primeira vez que embarcações deixaram o Golfo Pérsico desde o acordo de cessar-fogo.
Israel continuou bombardeando militantes do Hezbollah apoiados por Teerã no Líbano, insistindo — junto com Washington — que o conflito não faz parte do cessar-fogo entre Irã e EUA. O Irã defende que os combates no Líbano devem cessar.
As Forças Armadas de Israel afirmaram ter atacado lançadores de foguetes do Hezbollah durante a madrugada deste domingo, e fumaça preta pôde ser vista subindo nos subúrbios do sul de Beirute, capital do Líbano.
E em aldeias israelenses próximas à fronteira, sirenes de ataque aéreo soaram, alertando para a chegada de foguetes vindos do Líbano.
Conteúdo distribuído por Reuters
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