Igualdade de gênero exige ação intersetorial
A igualdade de gênero é um dos pilares do desenvolvimento sustentável. No entanto, os dados mais recentes mostram que o Brasil ainda está distante de alcançar esse objetivo.
O Relatório Luz 2025, elaborado pelo Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030, responsável por monitorar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no País, revela um cenário preocupante. No caso do ODS 5 – Igualdade de Gênero, nenhuma das metas apresenta avanço suficiente.
Das nove metas avaliadas, cinco estão classificadas como insuficientes, três estão em retrocesso e uma está ameaçada, incluindo a meta central de eliminar todas as formas de discriminação contra mulheres e meninas.
Mesmo com avanços institucionais recentes, como a recriação do Ministério das Mulheres, a Lei da Igualdade Salarial e a inclusão de metas no Plano Plurianual 2024-2027, os resultados ainda não são capazes de alterar estruturalmente o cenário de desigualdade.
Os investimentos também revelam esse desafio. Dados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mostram que a instituição bancária destinou R$ 41,1 milhões ao ODS 5, valor quase equivalente à soma dos seis anos anteriores. Ainda assim, ao longo dos dez anos da Agenda 2030, este foi o objetivo que recebeu o menor volume de recursos, cerca de R$ 130,8 milhões.
Esse cenário reforça uma conclusão inevitável: avançar na igualdade de gênero exige investimentos, mas, é na ação intersetorial urgente que podemos potencializar avanços. Governo, empresas, universidades e organizações da sociedade civil precisam atuar de forma integrada para ampliar oportunidades, reduzir desigualdades e fortalecer políticas públicas.
Promover a igualdade entre mulheres e homens não é apenas uma questão de justiça social. É também uma estratégia econômica. Sociedades que valorizam o potencial feminino ampliam sua capacidade de inovação, produtividade e crescimento.
Fortalecer o ODS 5, portanto, significa investir simultaneamente no futuro das mulheres e no futuro da economia brasileira.
Leia a reportagem: Mulheres que abrem caminhos para outras brasileiras
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