BH Airport amplia capacidade operacional com tecnologia e avança na construção do aeroporto do futuro em Minas Gerais
Na terceira reportagem da série especial sobre o terminal que assumiu a liderança nacional em destinos domésticos e alcançou o maior volume de passageiros de sua história, a narrativa se desloca da expansão da malha para a inteligência da operação. O terminal mineiro movimentou 13,3 milhões de passageiros no último ano e consolidou a maior rede doméstica do Brasil, com 63 destinos nacionais, 15 rotas regionais e voos diretos para 26 das 27 capitais brasileiras.
Esse salto mudou o centro da agenda operacional. Se a primeira fase da concessão foi marcada por expansão física, aumento de capacidade e modernização da infraestrutura, a nova fronteira está na inteligência da operação.
À medida em que a conectividade ganha novos horizontes e a posição logística fortalece o terminal mineiro como um dos principais ativos de infraestrutura de Minas Gerais, a inovação deixa de ser diferencial e passa a ser condição para sustentar a eficiência, a segurança, a pontualidade e a excelência na jornada do passageiro.
Na rota do desenvolvimento, o aeroporto do futuro se traduz em uma operação orientada por dados, integração entre sistemas e parceiros, uso crescente de tecnologia para tomada de decisão em tempo real, redução de improviso e aumento da previsibilidade operacional.
De acordo com o gestor de operações, segurança e experiência do passageiro do BH Airport, Fabiano Reis, a inovação passou a ocupar um lugar central na estratégia operacional do terminal. “Tecnologia deixou de ser tendência na aviação. Hoje, operar sem dados, sem integração e sem previsibilidade significa perder eficiência e competitividade. O aeroporto do futuro é aquele que consegue antecipar cenários, integrar áreas críticas e tomar decisões mais rápidas, sempre com segurança e supervisão humana nas etapas sensíveis da operação”, afirma.
Previsibilidade competitiva
A inteligência artificial (IA) já começa a aparecer em diferentes camadas da operação do BH Airport. Parte desse movimento ocorre nos bastidores, no processamento e na análise de dados operacionais, como informações de voos, indicadores de desempenho, comportamento de filas, checklists digitais, monitoramento de processos e rastreabilidade de atividades.
A evolução também passa pelo Apoc, centro de coordenação operacional do aeroporto, e por dashboards que apoiam a tomada de decisão em tempo real. A lógica é substituir decisões essencialmente reativas por uma rotina mais preditiva, baseada em dados consolidados, monitoramento contínuo e maior capacidade de antecipação.
Na prática, isso significa reduzir controles manuais, aumentar a visibilidade sobre a operação e permitir que equipes atuem com mais precisão. O foco da inteligência artificial está em três frentes complementares: eficiência, com otimização de recursos; segurança, com monitoramento e rastreabilidade; e experiência, com redução de filas e melhoria da jornada do passageiro.
Essa transformação acompanha uma trajetória mais ampla de modernização. O BH Airport já incorporou soluções como e-gates para controle migratório, sistemas automatizados de embarque, operações de pushback coordenado e tecnologias voltadas à melhoria do fluxo operacional. Essas medidas se somam aos investimentos realizados desde a concessão, que já somam R$ 1,3 bilhão em melhorias e modernização da infraestrutura.
“A principal mudança está na inteligência da operação. A tecnologia nos permite sair de uma lógica fragmentada, baseada apenas na resposta a eventos, para uma gestão integrada, orientada por dados e com maior capacidade preditiva. Ao consolidar informações sobre voos, filas, inspeção, pátio, recursos operacionais e indicadores de desempenho, o aeroporto ganha mais clareza para antecipar riscos, dimensionar equipes, corrigir desvios e tomar decisões com mais precisão. O resultado é uma operação menos reativa, mais eficiente, mais segura e mais fluida para o passageiro”, explica Fabiano Reis.
Inspeção inteligente: mais segurança e fluidez
Entre as aplicações mais estratégicas da inovação aeroportuária estão os canais de inspeção, etapa essencial para a segurança da aviação civil e decisiva para a fluidez da jornada do passageiro. No BH Airport, a aplicação de inteligência artificial (IA) nessa etapa busca ampliar a capacidade de leitura da operação: identificar padrões, reconhecer anomalias, apoiar a gestão de filas em tempo real e oferecer mais previsibilidade sobre os fluxos de passageiros.
Na prática, o modelo segue híbrido: tecnologia e validação humana atuam de forma complementar, conforme as exigências da segurança da aviação civil. Essa combinação é especialmente relevante porque preserva o julgamento profissional nas etapas críticas, ao mesmo tempo em que amplia a capacidade de monitoramento, análise e resposta da operação.
O impacto aparece em duas dimensões simultâneas. Na segurança, a tecnologia aumenta a precisão na identificação de situações fora do padrão, melhora a rastreabilidade dos processos e oferece mais informação para a tomada de decisão. Na eficiência, contribui para reduzir gargalos, organizar melhor os fluxos e dar mais previsibilidade ao tempo de permanência do passageiro no canal de inspeção — indicador que já é monitorado como KPI operacional.
Para o passageiro, a tecnologia se torna relevante quando desaparece como sistema e aparece como fluidez. “A segurança continua sendo inegociável e a nossa principal regra do jogo. A inteligência artificial não substitui a decisão humana, mas amplia a qualidade da informação disponível para as equipes”, destaca Fabiano Reis.
Robôs autônomos
Se nos terminais a inovação melhora fluxos e processos, no pátio ela começa a redesenhar atividades operacionais. O BH Airport está realizando provas de conceito com robôs autônomos 100% elétricos, em parceria com a Tecnoloc, representante no Brasil da empresa norte-americana Burro, especializada no desenvolvimento de veículos autônomos colaborativos para ambientes logísticos e industriais complexos.
No aeroporto, os testes já contemplaram atividades como transporte interno de cargas, logística de carrinhos e limpeza de FOD, sigla em inglês para Foreign Object Debris, objetos estranhos que podem representar risco às aeronaves nas áreas de movimentação.
Os equipamentos já foram testados no deslocamento de até duas toneladas ao longo de um percurso aproximado de 1,5 quilômetro dentro da área operacional. Novas etapas ainda devem avaliar aplicações mais complexas, como corte de áreas verdes e conectividade de bagagens.
Drones
Outra frente de inovação está no uso de drones. No BH Airport, os equipamentos têm aplicação em monitoramento de perímetro e infraestrutura, identificação de focos de incêndio com câmeras térmicas, apoio à gestão de eventos e suporte a ações de monitoramento quando solicitado por órgãos de segurança pública.
O principal ganho está na celeridade da informação. Drones ampliam o alcance visual das equipes, reduzem o tempo de resposta, aumentam a precisão de inspeções e diminuem a exposição de profissionais em determinadas atividades.
No aeroporto do futuro, a experiência do passageiro não depende apenas de novos serviços visíveis. Ela também é resultado de processos internos mais eficientes. No BH Airport, a estratégia de tecnologia busca reduzir retrabalho, evitar uso ineficiente de recursos e aumentar a capacidade de operação sem necessidade imediata de expansão física proporcional.
A agenda dos próximos anos já aponta para uma operação mais digitalizada. A tendência é de uma operação mais autônoma, mas não desassistida. Especialmente na segurança da aviação civil, a supervisão humana continuará sendo parte essencial do modelo. O próximo salto está na consolidação de uma operação cada vez mais integrada, na qual dados, pessoas, sistemas e parceiros funcionem sob uma mesma lógica de previsibilidade.
Ao transformar inovação em infraestrutura invisível, a principal porta de entrada aérea do Estado reforça o protagonismo como ativo de competitividade, logística, turismo, negócios e desenvolvimento econômico. O aeroporto do futuro já está em teste em Minas. E ele se constrói menos pela promessa de uma tecnologia isolada e mais pela capacidade de transformar dados, integração e inovação em uma operação mais eficiente, segura e preparada para crescer.
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