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Expansão do BH Airport tem descarbonização como eixo

Aeroporto reduz emissões, amplia a mobilidade elétrica e reforça a segurança hídrica para sustentar o crescimento da demanda e da capacidade operacional
Expansão do BH Airport tem descarbonização como eixo
Primeiro aeroporto carbono neutro do País, o BH Airport prepara um novo ciclo de crescimento com investimentos em infraestrutura, mobilidade elétrica, gestão hídrica e redução de emissões, alinhando a expansão da capacidade operacional às metas de sustentabilidade | Foto: Divulgação BH Airport

Na semana em que o mundo se prepara para celebrar o Dia do Meio Ambiente, o primeiro aeroporto carbono neutro do País reforça a agenda que define a sustentabilidade como transversal na integração das áreas centrais da operação. Nesta segunda reportagem da série sobre o terminal que conecta Minas à aviação global, os horizontes da expansão acompanham o desenho da transformação ao longo dos 11 anos de concessão: redução de emissões, eficiência hídrica e modernização de sistemas e equipamentos. Desde 2017, o aeroporto evitou a emissão de aproximadamente 8,6 mil toneladas de CO₂ equivalente e reduziu em 69% as emissões diretas. Desde 2022, reaproveitou 56,4 milhões de litros de água.

A agenda ambiental do BH Airport já se estende a frentes estratégicas da operação, com a substituição gradual de parte da infraestrutura e da frota de apoio por alternativas de menor emissão e a adoção de uma solução capaz de atender integralmente à demanda hídrica projetada até o fim da concessão. O movimento alcança áreas como atendimento em solo, mobilidade operacional e planejamento de abastecimento, em uma estrutura marcada pelo uso intensivo de energia, água e equipamentos de funcionamento contínuo.

A transformação é acompanhada por certificações e reconhecimentos que medem o alcance dessa trajetória. O BH Airport foi o primeiro do Brasil a atingir o nível 3+ / Neutralização no programa Airport Carbon Accreditation, do Conselho Internacional de Aeroportos (ACI), certificação que exige inventários auditados de emissões, metas contínuas de redução e neutralização das emissões residuais. Acumula ainda cinco reconhecimentos consecutivos como Aeroporto Verde, concedidos pelo ACI-LAC, e foi apontado pela Anac, por três anos consecutivos, como o aeroporto mais sustentável do país.

De acordo com o gerente de Infraestrutura e Meio Ambiente do BH Airport, Emerson Chaves, as exigências ambientais passaram a orientar decisões estruturais do terminal e influenciam diretamente a forma como o aeroporto projeta a capacidade de crescimento. “Descarbonização, mobilidade de menor emissão, gestão de recursos hídricos e monitoramento ambiental deixaram de ser iniciativas paralelas e passaram a compor critérios técnicos para investimentos e operação. Isso implica tratar esses fatores como parte das condições que garantem a expansão do aeroporto ao longo da concessão”, afirma.

Emissões na base da operação

Uma das mudanças mais representativas desse processo está na infraestrutura de solo. Com a implantação do sistema 400Hz + PCA nas pontes de embarque dos Terminais 1 e 2, o atendimento às aeronaves estacionadas passou a contar com fornecimento de energia elétrica e ar-condicionado sem a necessidade do uso recorrente de equipamentos movidos a diesel. A solução retirou 16 equipamentos a diesel da rotina operacional, reduziu o consumo anual de combustível em cerca de 202 mil litros e passou a mitigar, no mínimo, 500 toneladas de CO₂ equivalente por ano.

A relevância da medida está na natureza da intervenção. Ao direcionar a redução de emissões para sistemas incorporados à infraestrutura instalada, o terminal mineiro desloca o tema para o interior da operação e altera uma das rotinas que sustentam o funcionamento diário do aeroporto. Trata-se de uma mudança na base energética do ativo, não apenas de um ajuste periférico.

O mesmo raciocínio vale para a mobilidade em solo. O ponto central, nesse caso, não está apenas na chegada de veículos específicos, mas na decisão de eletrificar de forma progressiva o transporte operacional. O BH Airport vem ampliando os investimentos em mobilidade elétrica como parte de um plano de renovação da frota vinculada ao embarque, desembarque e apoio às equipes operacionais. Nesse contexto, investiu R$ 5 milhões na incorporação dos primeiros ônibus elétricos para o transporte de passageiros na área operacional. A meta é que, até 2030, as operações de embarque e desembarque remoto sejam realizadas integralmente com ônibus elétricos.

Emerson Chaves
Chaves: gestão ambiental integra planejamento do aeroporto | Foto: Divulgação BH Airport

Desde 2024, quando iniciou essa transição, o terminal contabiliza a redução de aproximadamente 40 toneladas de CO₂ equivalente com a substituição de veículos a combustão por modelos elétricos utilizados no pátio. No mesmo período, duas caminhonetes híbridas flex a etanol passaram a integrar a rotina das equipes de manutenção em substituição a veículos movidos a diesel. Com os novos ônibus, a estimativa é de uma redução adicional de 42,1 toneladas de CO₂ equivalente por ano.

“A eletrificação da mobilidade operacional integra uma revisão da operação em solo. O BH Airport trabalha com substituição progressiva de tecnologias baseadas em combustíveis fósseis, em uma trajetória que articula desempenho operacional, eficiência energética e redução de emissões”, sublinha Emerson Chaves.

Aeroporto reforça segurança hídrica e preservação da fauna

Se a política de emissões alcança a base energética da operação, a gestão de recursos hídricos passou a ocupar posição semelhante no planejamento da expansão. Hoje, o BH Airport consome cerca de 25 mil m³ de água por mês. Ao final da concessão, a demanda projetada chega a 54 mil m³ mensais. Para atender esse volume, o terminal trabalha com a implantação de três poços artesianos, projetados para suprir integralmente a necessidade futura do sítio aeroportuário.

O dado desloca o tema do consumo corrente para o da infraestrutura necessária ao crescimento. Ao estruturar uma solução própria para um volume de demanda mais do que dobrado em relação ao patamar atual, o aeroporto incorpora o abastecimento à preparação da capacidade futura e reduz a pressão sobre o sistema público que atende também outros municípios da região. Esse movimento se soma ao reúso já incorporado à rotina operacional. Desde 2022, o BH Airport reaproveitou 56,4 milhões de litros de água por meio das Estações de Tratamento de Águas Cinzas (ETAC), responsáveis pelo tratamento de águas pluviais e de efluentes provenientes de pias e chuveiros dos Terminais 1 e 2.

A água tratada é destinada a usos não potáveis, como descargas sanitárias, irrigação de áreas verdes, limpezas técnicas e abastecimento de caminhões-pipa. A série histórica mostra a incorporação gradual do sistema à rotina do terminal. Em 2022, o aeroporto reaproveitava cerca de 2,7 mil m³ por ano. Em 2023, esse volume passou para 16,1 mil m³; em 2024, para 17,6 mil m³; em 2025, para 18,5 mil m³.

“O reúso e a implantação dos poços artesianos partem da mesma lógica de planejamento: preparar o aeroporto para um patamar de demanda superior ao atual. Isso exige estruturar o abastecimento com previsibilidade e segurança hídrica, incorporando a gestão de recursos hídricos como um componente da infraestrutura necessária para sustentar a expansão do terminal ao longo da concessão”, esclarece o gerente de Infraestrutura e Meio Ambiente do BH Airport, Emerson Chaves.

Fauna no entorno do aeroporto

A presença de uma águia-serrana, também conhecida como águia-chilena, em área sensível do entorno aeroportuário levou a equipe de manejo de fauna do BH Airport a uma operação de captura voltada à preservação do animal e à proteção da biodiversidade local. Após avaliação clínica e biológica, a ave foi devolvida a uma área ambientalmente adequada, já equipada com um dispositivo de GPS, que passará a fornecer dados sobre deslocamento, uso de habitat e comportamento da espécie.

O episódio se soma a um conjunto de medidas mantidas pelo terminal em sua área de influência, em uma região de transição entre Cerrado e Mata Atlântica, no contexto da APA Carste de Lagoa Santa. Nesse território, o aeroporto mantém áreas preservadas, monitora a circulação de espécies silvestres e opera estruturas voltadas à conectividade ecológica, como a Passagem de Fauna sob a rodovia LMG-800.

Desde 2023, 16 espécies já foram registradas utilizando o corredor ecológico implantado no acesso ao terminal. Nos dois primeiros anos de acompanhamento, houve redução de aproximadamente 83% nos atropelamentos de animais silvestres ao longo da rodovia. A captura da águia-serrana acrescenta um dado novo a essa frente de conservação: a possibilidade de ampliar o conhecimento sobre uma espécie de rapina de grande porte a partir de informação produzida em campo.

“O caso da águia-serrana evidencia uma dimensão importante do trabalho ambiental realizado no entorno do aeroporto. A captura permitiu preservar o animal e, ao mesmo tempo, gerar informação técnica sobre a circulação da espécie em uma área de relevância ecológica”, avalia Emerson Chaves.

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