A Brigada 1, que surgiu em 2001, conta com a ajuda de mais de 240 voluntários atualmente | Crédito: Divulgação/Brigada 1

Você já deve ter participado de alguma discussão envolvendo a questão do trabalho voluntário versus a satisfação pessoal encontrada nas ações de altruísmo. Independentemente das razões, um trabalho social pode, de fato, causar dois impactos positivos na sociedade de uma única vez. Esse ponto foi um dos primeiros levantados com representantes da Brigada 1, uma das entidades reconhecidas pelo Prêmio José Costa 2020, na categoria Qualidade Ambiental.

“Nosso trabalho é importante porque combatemos os impactos causados na natureza devido ao mau uso do fogo e ao aquecimento global. Isso afeta a qualidade do ar que a gente respira e a qualidade das águas que abastecem as cidades. Mas as pessoas que estão atuando nos combates se preparam física e psicologicamente. Aqui são abraçadas, tem um acolhimento muito forte”, afirma o presidente da instituição, Daniel Rocha. Ele explica que isso faz com que a contribuição da Brigada 1 para a sociedade seja na qualidade de vida de cada um e no bem-estar social em consequência das ações ambientais.

A história da Brigada 1 começa em 2001, quando um grupo de pessoas que frequentava áreas de conservação em Minas Gerais identificou um problema: faltavam veículos para atuar na área de combate e prevenção a incêndios. Donos de carros 4×4 se uniram para tentar ajudar a resolver essa questão. Em 2003, após um primeiro treinamento oficial do grupo, através do Ibama, nasceu uma brigada de combate e prevenção a incêndios, que hoje conta com sete núcleos espalhados por Minas Gerais: Belo Horizonte, Ouro Preto, São João del-Rei, Mateus Leme, Montes Claros, Pará de Minas e Pequi.

A Brigada 1, atualmente, conta com a ajuda de mais de 240 voluntários. “Nosso objetivo é prevenção e combate em áreas de relevância ambiental e unidades de conservação dentro do Estado de Minas Gerais”, resume o Diretor Técnico e Científico da instituição, Anderson de Freitas.

Há voluntários, objetivos claros, mas também há luta para manter a ação por tanto tempo. Apesar das ações heroicas vindas da força de vontade dos voluntários, a Brigada 1 sente falta de apoio estrutural e financeiro. “É necessária uma dedicação muito grande, geralmente no nosso horário livre. E nossa estrutura é montada pelos próprios voluntários. A gente consegue alguns projetos e parcerias com o poder público ou privado, mas isso é uma pequena parcela do trabalho. A maioria mesmo são os voluntários que se dedicam a custear tudo isso, incluindo equipamentos e EPIs”, ressalta Freitas, que aproveita para pedir mais apoio. “Contatos podem ser feitos através do site www.brigada1.org.br.

Seguindo o lema do Prêmio José Costa 2020, perguntamos a essas figuras inspiradoras quais dicas eles dariam para que possamos construir um futuro sem deixar ninguém para trás. Participar é a palavra-chave, segundo Anderson Freitas: “Você tem que exercer cidadania, sentir empatia e estar junto. Voluntariar-se não é só combater incêndio florestal, é se dedicar a um bem maior”. Ele lembra que, na própria Brigada 1, além de combater as chamas, há outras formas de ajudar. Desde escrever um projeto ou realizar uma doação em dinheiro, até propor uma lei que favoreça instituições como essa. Fica então, o convite da Brigada 1, para que você faça sua parte.

Solidariedade na pauta da reitoria da UFMG

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), através da cooperativa de laboratórios, a Coolabs, recebeu o prêmio José Costa 2020 na categoria Qualidade da Inovação e Produção Tecnológica, por ajudar a sociedade nesse momento crucial de problema público de saúde, a pandemia do novo coronavírus.

A reitora da UFMG, professora e pós-doutora Sandra Regina Goulart Almeida, lembrou, em conversa com o DIÁRIO DO COMÉRCIO, pós-prêmio, que essa não foi uma primeira vez para a UFMG: “Quando nós tivemos a última pandemia, a epidemia da Gripe Espanhola, em 1918, a UFMG ainda não existia, porque ela foi instituída em 1927. Mas havia a Faculdade de Medicina, que é mais antiga que a UFMG. Na época, ela fez o que estamos fazendo hoje: se adaptou para atender as demandas da cidade e do Estado, se transformou em um hospital para atender toda a comunidade que necessitava desse tipo de serviço”, afirmou Sandra Almeida, acrescentando que, atualmente, a UFMG faz a mesma coisa, se apresenta como uma instituição pública a serviço da sociedade, através das várias áreas do conhecimento.

A ação destacada no Prêmio José Costa, cooperativa de laboratórios, Coolabs, foi criada em março, quando o potencial dos laboratórios demonstrou a capacidade de contribuir em algo que naquele momento era muito importante no contexto do Brasil: a testagem da Covid-19.

“Fizemos uma chamada para nossa comunidade para que apresentasse projetos e pudessem contribuir com a nossa sociedade dentro da missão da nossa UFMG, que é uma instituição de ensino, de graduação e pós-graduação, mas também uma importante estrutura de pesquisa e atendimento à nossa sociedade”, reforça a reitora. Sete laboratórios da UFMG, de pesquisa e análise, se uniram e, com ajuda financeira de um edital aprovado no MEC, implementaram os testes rapidamente para instrumentalizar e fortalecer a parceria com o Estado e Secretaria de Saúde de Minas Gerais.

Passados março e a primeira demanda por soluções e ações, pesquisadores da UFMG, ainda hoje, produzem vários tipos de testagens. “Direcionamos para instituições públicas e hospitais públicos – que são os que mais precisam deste apoio – porque a UFMG é uma instituição também pública”, lembra Sandra Almeida.

Ao ser questionada sobre quais os caminhos para seguir em frente sem deixar ninguém para trás, a professora avisa que provavelmente teremos aprendido alguma coisa com esse período de pandemia. Ela aposta e espera que seja solidariedade e que venha de indivíduos, instituições, poder público e empresas.

“Essa colaboração será imprescindível para que possamos pensar o futuro do nosso País e sociedade. A gente só vai conseguir fazer isso se repensar nossa relação com as comunidades mais vulneráveis. Sabemos que essa pandemia tem cor, gênero, as pessoas mais afetadas foram mulheres, população negra, indígenas, quilombolas, ou seja, as pessoas mais pobres que têm dificuldade de acesso à saúde. Isso vem de uma sociedade muito desigual e nós temos uma responsabilidade ética de fazer desse País um lugar melhor para se viver, com saúde, educação e bem-estar”.