Cedro Textil vai transferir produção de Caetanópolis para a planta em Pirapora
A Cedro Textil confirmou que vai encerrar a operação da fábrica em Caetanópolis (Região Central de Minas Gerais), a unidade mais antiga da companhia. A decisão visa concentrar a produção de fios em Pirapora, no Norte de Minas, ampliando a produtividade e a competitividade do negócio.
A migração ocorrerá a partir de 1º de junho e marca a conclusão do ciclo de investimentos superior a R$ 100 milhões realizado nos últimos dois anos. O ajuste na operação, segundo a empresa, não visa apenas o corte de custos, mas busca tornar as plantas mais integradas e eficientes.
Um dos pontos sensíveis da reestruturação é o destino dos 104 trabalhadores da unidade da Cedro Textil em Caetanópolis. Como solução para manter a mão de obra qualificada e atenuar o impacto social na região, empresa ofereceu a todos os colaboradores a opção de transferência para a planta de Sete Lagoas, a 30 quilômetros de distância.
Ao Diário do Comércio, o CEO da Cedro Textil, Fábio Mascarenhas Alves, afirma que a decisão foi motivada pela necessidade de acompanhar a modernização e tornar a companhia cada vez mais eficiente. “Nos últimos dois anos, estudamos como nos manter modernos e ágeis e, diante dos desafios de competitividade, decidimos encerrar as atividades na unidade. A medida faz parte de um projeto mais amplo, no qual a concentração em uma única operação atende melhor a esses requisitos”, pontua.
Atualmente, o processo produtivo da companhia envolve quatro etapas: o algodão é recebido em Pirapora, onde está o laboratório, parte segue para Caetanópolis para ser transformada em fio e depois retorna a Pirapora e, por fim, vai para acabamento em Sete Lagoas. Com a reestruturação, a operação será simplificada para duas etapas, trazendo ganhos relevantes de agilidade e eficiência.
“Nosso mercado é muito concorrido. As últimas estatísticas mostram que não houve crescimento do setor têxtil e de vestuário, enquanto o varejo avançou apoiado por importações, que não enfrentam o Custo Brasil. Por isso, precisamos otimizar continuamente nossos processos”, destaca Alves.
As duas operações em Pirapora estão ativas há mais de 25 anos. As fábricas são mais amplas e mais avançadas do ponto de vista tecnológico, o que pesou na decisão de migração. Já a operação da Cedro Textil em Caetanópolis atualmente opera apenas na atividade de fiação.
Reestruturação preserva vínculo com Caetanópolis e busca reter empregos

A unidade de Caetanópolis, no entanto, carrega um peso simbólico para a companhia. Considerada o berço da Cedro Têxtil, a fábrica é o marco zero de uma trajetória iniciada em 1872 pelos irmãos Mascarenhas, sendo considerada um dos símbolos da industrialização em Minas Gerais.
Segundo Alves, embora seja encerrada a atividade industrial na cidade, o apoio social a Caetanópolis irá continuar. “Pela relevância histórica e afetiva desta unidade, a primeira da companhia, há 154 anos, existe uma ligação muito profunda com a comunidade. Por isso, dentro do que for possível, a empresa buscará preservar esse vínculo, incluindo espaços tradicionalmente cedidos pela companhia, como o campo de futebol e o clube social de encontros”, reforça.
Quanto aos empregos, o executivo avalia que a empresa sempre tratou o assunto com prioridade e sensibilidade, e por isso, decidiu encerrar a operação no fim do ciclo de investimentos. “Estamos oferecendo aos 104 empregados a oportunidade de transferência para Sete Lagoas. Já contamos com um contingente que faz esse movimento e vamos ampliá-lo”, acrescenta.
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