Negócios

Cemig supera R$ 40 bilhões em valor de mercado pela primeira vez na história

Estatal mineira atinge marca histórica após valorização de 500% desde 2018 e ciclo de investimentos recordes
Atualizado em 2 de abril de 2026 • 12:51
Cemig supera R$ 40 bilhões em valor de mercado pela primeira vez na história
Foto: Diário do Comércio/ Arquivo/ Alisson J. Silva

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) registrou, nesta semana, valor de mercado superior a R$ 40 bilhões, o maior da história da estatal. Isso representa uma valorização de aproximadamente 500% na comparação com o observado em 2018, por exemplo, quando a empresa era avaliada em cerca de R$ 8 bilhões.

O analista de ações da Suno Research, Bernardo Viero, destaca que a companhia entregou um lucro recorrente de R$ 4,1 bilhões no último ano, o que coloca o valor de mercado atual em um patamar de quase dez vezes o tamanho de sua lucratividade. Ele explica que, embora não pareça uma barganha, também não é um múltiplo de precificação incomum no mercado.

“Sobretudo para uma empresa que se situa em um setor com demanda recorrente e previsível”, completa.

De acordo com a Cemig, essa valorização é consequência do ciclo de resultados consistentes e investimentos recordes apresentados nos últimos anos, além da melhora na percepção de risco. Vale lembrar que a estatal encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 4,9 bilhões e R$ 6,6 bilhões em investimentos, outro recorde para a empresa.

No entanto, Viero ressalta que esse valor recorde se deu mesmo com uma queda no lucro, que havia sido de R$ 4,6 bilhões em 2024. Para ele, os desafios superados para consumar a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) aumentaram o otimismo com a possibilidade de uma privatização da Cemig no médio prazo.

Outro fator que também pode explicar esse bom desempenho, mesmo com um revés no lucro recorrente, segundo o especialista, é o elevado fluxo de capital estrangeiro que o mercado acionário brasileiro recebeu recentemente. “O que possibilitou a valorização de diversas empresas relevantes como a companhia mineira”, relata.

Avanços na analise de risco e perspectivas para o futuro

Prédio da Cemig
Foto: Divulgação / Cemig

A empresa do setor energético vem fortalecendo sua posição financeira e ampliando sua capacidade de execução, em um momento de transformação do setor elétrico. Esse cenário também se traduz no reconhecimento das principais agências de classificação de risco.

No ano passado, a agência de classificação de riscos Moody’s Local Brasil elevou o rating, ou classificação de risco, da Cemig e de suas subsidiárias integrais Cemig Distribuição (Cemig D) e Cemig Geração e Transmissão (Cemig GT), de “AA+” para “AAA”, com perspectiva estável. Em 2024, a Fitch Ratings já havia promovido a companhia ao mesmo nível. A empresa também mantém classificação “brAA+” pela S&P Global Ratings, o que reforça sua solidez no mercado.

O presidente da Cemig, Reynaldo Passanezi Filho, destaca que a superação dessa marca é um reconhecimento claro do trabalho que a companhia vem realizando nos últimos anos. “A melhora no rating acompanha esse movimento e reflete uma companhia mais sólida, eficiente e com maior capacidade de investimento, preparada para sustentar um novo ciclo de crescimento”, afirma.

Já o analista da Suno avalia que é possível que o valor de mercado continue escalando, mas ainda não há um ambiente propício para este tipo de previsão, principalmente sobre aspectos tão incertos quanto uma valorização no curto prazo. Ele ressalta que o inverso também pode ocorrer.

“O meu entendimento é de que a dez vezes lucro, pagando cerca de metade desse montante em dividendos e com uma perspectiva de dividendo yield na faixa de 5%, a empresa já esteja relativamente bem precificada, dependendo de crescimento para surpreender os investidores”, avalia.

Portanto, considerando o valor atual, Viero acredita que não há muitos motivos para que esse montante continue subindo no médio prazo. No entanto, ele também pontua que o mercado pode ser irracional tanto para cima quanto para baixo, principalmente quando se trata de janelas muito curtas de tempo.

Investimentos em Minas Gerais

Hidrelétrica
Foto: Divulgação/ Cemig

A Cemig passa pelo maior ciclo de expansão de sua história. Recentemente, a empresa apresentou um novo plano plurianual de investimentos para o período de 2026 a 2030, que prevê aportes da ordem de R$ 44 bilhões no Estado. O foco desses recursos está na modernização da infraestrutura elétrica, no aumento da confiabilidade do sistema e na preparação para a abertura total do mercado de energia.

Para este ano estão previstos R$ 6,7 bilhões em investimentos, com destaque para o segmento de distribuição, que deverá receber 5,2 bilhões justamente pela grande área de concessão da empresa em Minas. O objetivo é melhorar o fornecimento de energia para os mais de 9,5 milhões de clientes mineiros.

Passanezi declara que a estratégia está diretamente relacionada aos desafios estruturais do setor. Ele relata que, atualmente, 100% do investimento da companhia é realizado em Minas. O executivo ainda diz que essas ações ocorrem em um momento de muita discussão sobre transição energética, em que não existe a opção de operar sem uma “rede resiliente”.

“Por isso, estamos ampliando significativamente a infraestrutura, com aumento do número de subestações, expansão da rede trifásica para o agronegócio e implantação de dupla alimentação em praticamente todo o Estado”, encerra.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas