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Instalado há 25 anos no pequeno município de Itabirinha – com menos de 11 mil habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Vale do Rio Doce, e no comando de uma equipe de 119 pessoas, o empresário José Deni viu os planos mudarem radicalmente depois que a pandemia do Covid-19 chegou ao Brasil.

Acostumado a produzir 8 mil bermudas masculinas de microfibra por dia na estrutura da Definitiva, e com um estoque cheio de matéria-prima, ele resolveu não parar de trabalhar.

Com uma equipe reduzida a 11 pessoas (os demais foram colocados em férias coletivas), se propôs a fazer máscaras de proteção para doar ao município e cidades vizinhas, inclusive para outros estados.

“Quando a crise começou na China me antecipei e fiz uma grande compra de TNT pensando que seria difícil conseguir matéria-prima se as coisas piorassem por lá. Nunca pensei que a crise chegasse aqui e tomasse essa proporção, principalmente no interior. O que acontece é que nenhum representante está vendendo, o Brasil está parado. Com o estoque cheio e a crise piorando tinha ali uma oportunidade de ajudar”, relembra Deni.

Nas duas primeiras semanas, foram confeccionadas 50 mil máscaras. Atualmente, 7,5 mil estão sendo feitas diariamente. O que era para suprir as necessidades de Itabirinha está se espalhando e secretários municipais de saúde e diretores de hospitais de cidades mineiras, capixabas e baianas lotam a caixa de mensagens do celular do empresário.

O gesto atraiu mais gente disposta a ajudar e um comerciante local doou o elástico adequado para a fabricação. Até então estava sendo utilizado, de forma improvisada, um elástico mais largo, utilizado na confecção das bermudas.

“O meu maquinário não é próprio para fazer máscaras, então tivemos que fazer algumas adaptações na produção, mas nada que nos impeça de continuar. Tenho TNT para produzir 500 mil peças e esse é o nosso objetivo”, pontua.

Os principais clientes da Definitiva estão sediados em Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina e Espírito Santo. Entre esses clientes alguns são grandes redes varejistas, o que garante a distribuição nacional dos produtos fabricados em Itabirinha. Para garantir a sustentabilidade da empresa, Deni antecipou as férias coletivas dos empregados, geralmente concedida em junho.

“Ao longo do tempo, aprendi que a fábrica precisa estar em dia, ser moderna, para suportar qualquer crise que vier. Em 2014, tínhamos 60 funcionários. Praticamente dobramos de tamanho ao longo dessa crise econômica que estávamos vivendo até agora.

Vamos sobreviver a mais essa porque melhoramos os processos. Temos que ser criativos. E, enquanto isso, temos o dever de sermos solidários”, completa o proprietário da Definitiva.