CSN anuncia ex-CEO da Vale como novo presidente; ações disparam quase 20%

Fabio Schvartsman assume o cargo no lugar de Benjamin Steinbruch, que deixa a presidência executiva após 24 anos e passa a comandar o Conselho de Administração
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
CSN anuncia ex-CEO da Vale como novo presidente; ações disparam quase 20%
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciou, nessa quarta-feira (2), que o ex-presidente da Vale Fabio Schvartsman assumirá o cargo de presidente executivo da empresa a partir desta quinta-feira (3). Ele substituirá Benjamin Steinbruch, que atuava como diretor-presidente da companhia desde 2002.

Em fato relevante, a CSN informou ainda que o Conselho de Administração aprovou a eleição de Steinbruch para a presidência do colegiado, do qual ele é integrante desde 1993. Membro da família controladora do grupo, o executivo já havia ocupado a presidência do conselho entre 1995 e 2023.

Steinbruch também foi responsável pela área institucional e pelas participações minerárias e ferroviárias da companhia. O executivo ainda preside o Conselho de Administração de outras empresas controladas pela siderúrgica, entre elas a CSN Mineração.

Schvartsman, por sua vez, presidiu a Vale de 2017 a 2019. Ele deixou temporariamente o comando da mineradora após recomendações de autoridades e da força-tarefa que investigava o rompimento da barragem B1 da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Em maio deste ano, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) determinou a reinclusão do executivo como réu no processo criminal que apura responsabilidades pelo rompimento da barragem.

A defesa de Schvartsman recorreu da decisão, mas o recurso foi rejeitado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em agosto. Com isso, foi mantido o prosseguimento da ação penal contra o executivo. A decisão foi proferida pelo ministro Ribeiro Dantas.

Ações da CSN disparam quase 20% após troca de CEO

Foto: REUTERS/Fernando Soutello

As ações da CSN chegaram a disparar quase 20% nesta quinta-feira (3), após a companhia anunciar Schvartsman como novo presidente executivo. A mudança ocorre em um momento em que a siderúrgica negocia a venda de um de seus principais ativos, a CSN Cimentos, e de participações em negócios de infraestrutura logística para reduzir o endividamento.

Os analistas do UBS BB avaliaram positivamente a nomeação do novo presidente sob a perspectiva da governança, “com a equipe de gestão da CSN passando agora a ser totalmente profissionalizada”. Segundo eles, Schvartsman é conhecido por atuar em processos de reestruturação e recuperação de empresas listadas em bolsa e acumula experiências em companhias como Klabin e Vale.

Por volta das 10h40, os papéis da empresa avançavam cerca de 14%, cotados a R$ 6,84, e lideravam as altas do Ibovespa, que subia 1,5%. Na máxima do dia, as ações chegaram a R$ 7,17, avanço de 19,9%. No ano, porém, ainda acumulam queda de 23,5%.

Para analistas do BTG Pactual, a mudança foi inesperada, mas representa uma notícia positiva para a companhia. “Schvartsman é um executivo amplamente respeitado pelo mercado, com vasta experiência em empresas como Vale, Klabin e Ultrapar e, mais importante, entende o que precisa ser feito para reconstruir a confiança dos investidores e reposicionar a tese de investimento da CSN”, afirmaram em relatório a clientes.

Os analistas também destacaram que a mudança pode ampliar o foco em desalavancagem, alocação de capital e venda de ativos, além de proporcionar mais clareza à estrutura de liderança da companhia e ao planejamento sucessório, “temas que fazem parte das discussões entre investidores há algum tempo”.

“Com Steinbruch permanecendo fortemente envolvido na empresa como presidente do conselho de administração, vemos a nova estrutura como uma evolução natural da liderança da CSN”, acrescentaram.

A equipe do BTG ponderou, contudo, que a atratividade do investimento no médio prazo dependerá da capacidade de execução da companhia. Os analistas destacaram que a alavancagem segue acima de três vezes e que a queima de fluxo de caixa livre continua sendo uma realidade. Segundo eles, vendas relevantes de ativos e a redução do endividamento ainda são necessárias para fortalecer o balanço da empresa.

“Ainda precisamos ver avanços concretos nessas frentes antes de adotar uma visão mais positiva ou revisar nossa recomendação neutra”, concluíram.

(Com informações da Reuters)

Sobre o autor

Leonardo Leão

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Graduado em Jornalismo pela Estácio.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas