CSN anuncia ex-CEO da Vale como novo presidente; ações disparam quase 20%

Fabio Schvartsman assume o cargo no lugar de Benjamin Steinbruch, que deixa a presidência executiva após 24 anos e passa a comandar o Conselho de Administração
Atualizado em 3 de setembro de 2026 • 15:20
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CSN anuncia ex-CEO da Vale como novo presidente; ações disparam quase 20%
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciou, nessa quarta-feira (2), que o ex-presidente da Vale Fabio Schvartsman assumirá o cargo de presidente executivo da empresa a partir desta quinta-feira (3). Ele substituirá Benjamin Steinbruch, que atuava como diretor-presidente da companhia desde 2002.

Em fato relevante, a CSN informou ainda que o Conselho de Administração aprovou a eleição de Steinbruch para a presidência do colegiado, do qual ele é integrante desde 1993. Membro da família controladora do grupo, o executivo já havia ocupado a presidência do conselho entre 1995 e 2023.

Steinbruch também foi responsável pela área institucional e pelas participações minerárias e ferroviárias da companhia. O executivo ainda preside o Conselho de Administração de outras empresas controladas pela siderúrgica, entre elas a CSN Mineração.

Ele ressaltou seu compromisso com a empesa. “Como presidente do Conselho de Administração, seguirei inteiramente comprometido com a companhia, apoiando a gestão e trabalhando na definição da estratégia que deverá orientar a perpetuidade do grupo”, diz.

Com essa mudança, Schvartsman ficará responsável pela gestão executiva, pela excelência operacional e pela execução da estratégia, enquanto Steinbruch concentrará sua atuação na visão de longo prazo, no direcionamento dos grandes investimentos e no acompanhamento das principais oportunidades de geração de valor.

O novo presidente ressalta que a CSN reúne ativos de alta qualidade, pessoas extremamente competentes e uma plataforma integrada com enorme potencial. “É uma honra assumir a presidência executiva de uma companhia tão importante para o desenvolvimento do Brasil”, declara.

Segundo ele, o desafio será dar continuidade ao legado construído pelo Benjamin ao longo dos últimos 24 anos. “Felizmente, terei ele e toda a equipe ao meu lado para elevar ainda mais a eficiência, fortalecer a disciplina na execução e transformar as oportunidades do grupo em valor sustentável para acionistas, empregados, clientes, parceiros e comunidades”, completa.

O executivo possui aproximadamente cinco décadas de experiência em grandes empresas brasileiras e uma carreira marcada por transformação empresarial, planejamento estratégico, disciplina financeira, melhoria de desempenho e execução de projetos de grande porte.

Ele é um engenheiro de produção formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e com pós-graduação em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Schvartsman já ocupou posições de liderança em companhias como Duratex, Grupo Ultra, Telemar Participações, San Antonio Internacional, Klabin e Vale.

De acordo com Steinbruch, o novo executivo da siderúrgica reúne experiência industrial, visão financeira, capacidade de execução e profundo conhecimento das exigências de uma companhia de capital aberto. “Sua chegada representa um passo importante para o próximo ciclo da CSN”, afirma.

Schvartsman presidiu a Vale de 2017 a 2019. Ele deixou temporariamente o comando da mineradora após recomendações de autoridades e da força-tarefa que investigava o rompimento da barragem B1 da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Em maio deste ano, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) determinou a reinclusão do executivo como réu no processo criminal que apura responsabilidades pelo rompimento da barragem.

A defesa de Schvartsman recorreu da decisão, mas o recurso foi rejeitado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em agosto. Com isso, foi mantido o prosseguimento da ação penal contra o executivo. A decisão foi proferida pelo ministro Ribeiro Dantas.

Ações da CSN disparam quase 20% após troca de CEO

Foto: REUTERS/Fernando Soutello

As ações da CSN chegaram a disparar quase 20% nesta quinta-feira (3), após a companhia anunciar Schvartsman como novo presidente executivo. A mudança ocorre em um momento em que a siderúrgica negocia a venda de um de seus principais ativos, a CSN Cimentos, e de participações em negócios de infraestrutura logística para reduzir o endividamento.

Os analistas do UBS BB avaliaram positivamente a nomeação do novo presidente sob a perspectiva da governança, “com a equipe de gestão da CSN passando agora a ser totalmente profissionalizada”. Segundo eles, Schvartsman é conhecido por atuar em processos de reestruturação e recuperação de empresas listadas em bolsa e acumula experiências em companhias como Klabin e Vale.

Por volta das 10h40, os papéis da empresa avançavam cerca de 14%, cotados a R$ 6,84, e lideravam as altas do Ibovespa, que subia 1,5%. Na máxima do dia, as ações chegaram a R$ 7,17, avanço de 19,9%. No ano, porém, ainda acumulam queda de 23,5%.

Para analistas do BTG Pactual, a mudança foi inesperada, mas representa uma notícia positiva para a companhia. “Schvartsman é um executivo amplamente respeitado pelo mercado, com vasta experiência em empresas como Vale, Klabin e Ultrapar e, mais importante, entende o que precisa ser feito para reconstruir a confiança dos investidores e reposicionar a tese de investimento da CSN”, afirmaram em relatório a clientes.

Os analistas também destacaram que a mudança pode ampliar o foco em desalavancagem, alocação de capital e venda de ativos, além de proporcionar mais clareza à estrutura de liderança da companhia e ao planejamento sucessório, “temas que fazem parte das discussões entre investidores há algum tempo”.

“Com Steinbruch permanecendo fortemente envolvido na empresa como presidente do conselho de administração, vemos a nova estrutura como uma evolução natural da liderança da CSN”, acrescentaram.

A equipe do BTG ponderou, contudo, que a atratividade do investimento no médio prazo dependerá da capacidade de execução da companhia. Os analistas destacaram que a alavancagem segue acima de três vezes e que a queima de fluxo de caixa livre continua sendo uma realidade. Segundo eles, vendas relevantes de ativos e a redução do endividamento ainda são necessárias para fortalecer o balanço da empresa.

“Ainda precisamos ver avanços concretos nessas frentes antes de adotar uma visão mais positiva ou revisar nossa recomendação neutra”, concluíram.

(Com informações da Reuters)

Sobre o autor

Leonardo Leão

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Graduado em Jornalismo pela Estácio.


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