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Daniel Stieler renuncia à presidência do conselho da Vale

Executivo era alvo de pressão da Previ, fundação de previdência dos funcionários do Banco do Brasil, e sua saída foi um acordo
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Daniel Stieler renuncia à presidência do conselho da Vale
Foto: Divulgação Daniel Stieler

A Vale informou nesta segunda-feira (6) que Daniel André Stieler renunciou aos cargos de membro e de presidente do conselho de administração da companhia. Ele era alvo de pressão da Previ, a fundação de previdência dos funcionários do Banco do Brasil.

Em fato relevante enviado ao mercado nesta segunda, o conselho da Vale agradeceu Stieler pela “liderança, dedicação e contribuições”, especialmente como presidente do conselho. “Sua atuação foi essencial para o fortalecimento da governança corporativa, o aprimoramento contínuo dos trabalhos do colegiado e a tomada de decisões estratégicas”, diz o comunicado.

O conselho da Vale será chamado a eleger um presidente interino até o dia 22, já que o regimento interno não indica substituto automático.

Detalhes da saída e pressões

A Folha de S. Paulo apurou que a saída de Stieler é resultado de um acordo para evitar desgaste sobre a imagem da companhia, que teve um conturbado processo sucessório em 2024, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou emplacar o ministro Guido Mantega no comando da mineradora.

A troca na presidência do conselho da Vale seria definida em assembleia no dia 22 de julho, agendada a pedido da Previ, acionista relevante da mineradora, que anunciou em junho a intenção de substituir o executivo no colegiado.

A fundação alega que quer ampliar a independência no conselho da Vale e, por isso, indicou à presidência o português Manuel Lino Oliveira, conhecido com Ollie e hoje o líder dos conselheiros independentes da mineradora.

Stieler resistiu e, ainda no mês passado, disse que a ofensiva da Previ sobre seu cargo atropelava ritos internos e enfraquecia a governança da Vale. À época, ele também acusou a fundação de abusar de seu poder de voto para provocar a mudança no conselho.

A própria Previ elegeu Stieler para o conselho da Vale, mas ele recusou o pedido para deixar o cargo antecipadamente -seu mandato venceria em 2027. Seus aliados dizem que o pedido da Previ teria motivação política, o que a fundação negou.

A fundação que gere a previdência dos funcionários do Banco do Brasil é a maior acionista individual da Vale, com 7,02% das ações. Além de indicar Ollie para a presidência, indicou José Maurício Coelho para ocupar a cadeira que ficará vaga com a saída de Stieler.

A destituição do presidente havia sido rejeitada pelo conselho, que propôs aos acionistas voto contrário à proposta da Previ, sob o argumento de que houve “notória evolução” na governança da companhia nos últimos anos, além de aprimoramentos na atuação estratégica.

Os acionistas também recomendaram a rejeição de indicados da Previ para a vaga de Stieler, caso ele fosse destituído. Indicou a engenheira Ieda Gomes para a cadeira de Stieler. O atual vice-presidente do conselho, Marcelo Gasparino, se lançou candidato à presidência.

A decisão final é dos acionistas. Além da Previ, a Vale tem como acionistas relevantes a japonesa Mitsui (6,45%) e as gestoras de investimentos Blackrock (6,71%) e Capital World Investors (5,13%). O restante do capital está pulverizado no mercado.

Conteúdo distribuído por Folhapress

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