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Documentário ‘A COP da Verdade’ amplia debate sobre crise climática

Produção lançada em Belo Horizonte propõe reflexão sobre sustentabilidade
Documentário ‘A COP da Verdade’ amplia debate sobre crise climática
Lançado no Cine Santa Tereza, “A COP da Verdade” debate sustentabilidade para além da COP-30 | Foto: Divulgação Miryam Cruz

Lançado no Cine Santa Tereza, último cinema de rua de Belo Horizonte, o documentário “A COP da Verdade” propõe uma reflexão sobre sustentabilidade para além dos debates oficiais da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-30). Produzida pela BH Press Comunicação e Sustentabilidade, em Belém (PA), durante o evento realizado em novembro do ano passado, a obra ouviu participantes sobre o significado da expressão “COP da Verdade”, utilizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da conferência.

A maioria das respostas trouxe a necessidade de transformar os compromissos assumidos em outras edições em ação, com a escuta e participação da sociedade civil, especialmente das comunidades mais atingidas.

Para a sócia da BH Press Comunicação e Sustentabilidade, Dulcemar da Costa, o documentário foi um caminho para entender como as pessoas se apropriam do evento para buscar ferramentas para trabalhar pela sustentabilidade do planeta e garantir melhores condições de vida para todos.

“O sentimento que fica é que, com esse documentário, a gente conseguiu viver a COP para muito além dos corredores oficiais. Vimos como uma COP mexe com a cidade, com as pessoas e como os interesses que estão ali não são interesses de governos, de autoridades, de países, mas interesses de pessoas. Do motorista de táxi, de um ativista de uma comunidade, do movimento indígena. As mudanças climáticas atingem a vida de todos nós há muito tempo, e isso já não é só uma questão ambiental. É uma questão social, econômica, política e, eu diria, até civilizatória, porque, se as temperaturas continuarem aumentando, o ecossistema inteiro vai estar ameaçado e nós, inclusive, como espécie”, explica Dulcemar da Costa.

O lançamento do audiovisual foi seguido por um debate sobre como cada um, pessoas, empresas, instituições e academia, pode impulsionar ações de conscientização, mitigação e adaptação aos efeitos das mudanças climáticas.

Para a representante da Carbon Free Brasil, Vivian Pellis, apesar de boa parte das empresas ainda tratarem a sustentabilidade como um projeto paralelo e pontual, muitas já perceberam que uma estratégia climática séria exige, além de coerência, transparência, rastreabilidade e uma metodologia robusta.

“O Brasil deu um passo muito importante em 2024 com a aprovação da lei que regulamenta o mercado de carbono. O nosso mercado de carbono vai funcionar no sistema Cap and Trade (Limite e Comércio), em que empresas de determinados setores vão ter um teto de emissão de CO2 e, acima disso, vão precisar pagar e, principalmente, focar em redução e descarbonização. Vai ficar mais caro continuar emitindo carbono e operando da forma como fazem até agora. Isso é um passo muito importante na nossa jornada enquanto país e para o cumprimento das metas estabelecidas”, destaca Vivian Pellis.

De acordo com a representante do Sistema B Brasil, Anna Carolina Santos, a baixa adesão das empresas à causa da sustentabilidade não está ligada apenas ao baixo nível de conhecimento sobre o tema, mas especialmente a uma questão de governança.

“A crise climática é também uma crise de governança porque, em grande parte das empresas, a sustentabilidade segue sendo tratada isoladamente, sem fazer parte da estratégia. O primeiro passo para uma empresa iniciar a jornada ESG é saber onde ela está, fazendo uma avaliação do impacto positivo e negativo que ela gera. Como estão suas operações, sua relação com os trabalhadores, com a cadeia de valor. Como ela impacta a comunidade, a realidade local. E, a partir disso, traçar um plano de melhorias para reduzir o impacto negativo e para potencializar o impacto positivo”, avalia Anna Carolina Santos.

Segundo a IUS Natura, Renata Libânio, a maioria das empresas ainda está em um estágio reativo ou em conformidade básica, com dificuldades de estabelecer metas, engajar a cadeia de valor e formar uma visão de curto prazo.

“Não há como avançar na pauta da sustentabilidade sem falar em conexões, em rede. É essencial ter práticas de benchmarking para que a gente consiga ver as melhores práticas que estão acontecendo nas organizações mais avançadas. Assim como também é essencial sempre estar oxigenando essa pauta, trazendo espaços como esse evento para clarear para as pessoas e para as organizações a importância da sustentabilidade, assim como o engajamento da cadeia de valor, da liderança e da própria sociedade”, afirma Renata Libânio.

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