Brasil ganha 3 milhões de empreendedores com CNPJ em dez anos; formalização cresce sete vezes mais
O Brasil ganhou mais de 3 milhões de empreendedores formalizados em uma década. Entre 2015 e 2025, o número de negócios com Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) passou de 7,45 milhões para 10,5 milhões, uma alta de 41%.
No mesmo período, o número de empreendimentos informais cresceu em ritmo significativamente menor, de 18,6 milhões para 19,7 milhões, avanço de 6%. Com isso, o empreendedorismo formal cresceu cerca de sete vezes mais que o informal no intervalo analisado.
Os dados fazem parte da pesquisa “Empreendedorismo Informal Sob a Ótica da PNAD Contínua”, realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
O avanço da formalização também elevou a participação dos negócios com CNPJ no universo de empreendedores brasileiros. Segundo o levantamento, a proporção passou de 28,5% em 2015 para 34,7% em 2025.
Empreendedores permanecem mais tempo nos negócios
A pesquisa indica ainda que o empreendedorismo tem se consolidado como uma atividade de longo prazo. No quarto trimestre de 2025, 76% dos empreendedores informais estavam à frente do próprio negócio havia pelo menos dois anos.
Entre os formalizados, a proporção chegou a 88%. Na outra ponta, apenas 3% dos informais e 0,5% dos formais tinham iniciado o empreendimento havia menos de um mês.
Na avaliação do presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, o cenário está relacionado às mudanças ocorridas no ambiente de negócios brasileiro nos últimos anos.
“O Simples Nacional foi um marco no empreendedorismo no Brasil. A partir dele, e com os aprimoramentos que foram feitos ao longo dos últimos anos, abrir o próprio negócio tornou-se uma atividade mais atrativa e bem menos desafiadora. Com isso, cada vez mais empreendedores decidem abrir sua empresa por oportunidade, e não por necessidade”, afirma.
Informalidade é maior entre homens e pessoas negras
O levantamento também traça o perfil dos empreendedores que permanecem na informalidade. Entre os donos de negócios sem CNPJ, 67% são homens e 60% são pessoas negras.
Já entre os empreendedores formalizados, as pessoas brancas representam 60,5% do total.
A participação de pessoas com 60 anos ou mais foi a que mais avançou entre os empreendedores informais na última década. Esse grupo passou de 12% para 16% do total, crescimento de 4 pontos percentuais.
Outro dado mostra a importância desses negócios para a renda familiar: 54% dos empreendedores informais são chefes de família, segundo a pesquisa.
80% dos informais não contribuem para a Previdência
A falta de contribuição previdenciária também se destaca entre os empreendedores sem CNPJ. De acordo com o Sebrae, 80% dos informais não fazem qualquer contribuição para a Previdência Social.
Além disso, 60% trabalham sem estabelecimento fixo, exercendo as atividades principalmente na própria residência ou em locais definidos pelos clientes, como ocorre com diversos prestadores de serviços.
A jornada média de trabalho dos informais é de 36 horas semanais, sete horas a menos que a registrada entre os empreendedores formalizados.
O trabalho por conta própria também predomina nesse grupo: 96% dos empreendedores informais trabalham nessa modalidade, em vez de manter negócios que geram outros postos de trabalho.
(Com informações da Agência Sebrae de Notícias)
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