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A busca pelo “Bem Comum” é o principal desafio da Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE). Mostrar que as empresas e seus dirigentes podem manter o propósito de terem um papel social que vai muito além do lucro, sem abrir mão dos resultados financeiros mesmo em tempos de pandemia, foi a missão do encontro virtual “Gestão 2020 – Desafios e Oportunidades”, promovido pela entidade no último dia 23.

Com mediação do presidente da ADCE Brasil, Sérgio Cavalieri, a live reuniu o CEO da Localiza, Eugênio Mattar, e o CEO da Energisa, Ricardo Botelho. Ambas as empresas, sediadas em Minas Gerais e com operações de alcance nacional, têm desenvolvido ações internas e externas para o combate ao novo coronavírus.

No evento, os executivos falaram sobre as ações e atitudes que colocam em prática na gestão das empresas que comandam. Eles também debateram sobre o impacto que os negócios podem ter para a construção de uma sociedade mais justa, humana e fraterna.
Cuidar das pessoas e proteger o negócio foram as primeiras ações das duas companhias.

“A Localiza atua no setor de aluguel de carros para pessoas físicas e empresas. Com os aeroportos parados, a nossa demanda neles zerou. Por sorte, como não focamos em um só segmento e as empresas mantiveram os contratos – porque são de longo prazo -, continuamos ativos. Mesmo assim, estacionamos 150 mil carros de 320 mil no total. Fomos muito impactados. A receita caiu sensivelmente em abril, mas já está se recompondo. Primeiro tínhamos que cuidar dos colaboradores, clientes e comunidade. Fizemos parceria com o Mater Dei para atender colaboradores e famílias pela telemedicina. Depois lançamos um aplicativo para tirar dúvidas. Criamos um pool de assistentes sociais para cuidar dos problemas psicológicos, jurídicos e financeiros. Compramos testes para cobrir o País inteiro e fizemos acordo com laboratórios para atender em domicílio”, pontuou Mattar.

Para proteger os clientes a empresa instalou uma barreira de acrílico para separar o funcionário do atendimento do cliente no balcão de atendimento e intensificou a higienização dos carros. Para ajudar a comunidade, fez doação de viagens para o Estado e Cruz Vermelha. Também realizou a doação de cestas básica para comunidades carentes, atuou na criação de leitos de UTI no Hospital Mário Pena, na arrecadação de EPIs distribuídos a unidades do SUS e antecipou pagamentos para pequenos e médios fornecedores, entre outras ações.

“Estávamos – Energisa – em uma vertente boa, especialmente no Centro-Oeste por conta da boa safra. Entre 15 de março e final de maio, a demanda caiu 4,3% em relação ao ano passado. Isso é muita coisa para o setor. A agência reguladora impediu que fosse proibido o corte por inadimplência e ela subiu para 16%, levando a uma perda de caixa expressiva. O setor elétrico é atividade essencial. Os nossos profissionais precisam ficar na rua 24 horas para manter as pessoas em casa, seguras. Nossos eletricistas são guerreiros, a exemplo dos médicos e muitos outros profissionais. Dividimos nossa atuação nessa fase de proteção focada em três vértices: proteção de pessoas, apoio aos clientes e preservação do negócio. Montamos um plano de contingência, cuidando da saúde física e mental com suporte completo para quem ficou na linha de frente e em home office”, relembrou Botelho.

Para os empresários, é preciso assumir o protagonismo para a construção de uma sociedade mais justa, inclusive atuando junto ao poder público.

“Durante muito tempo ficamos à margem desse processo. É legítimo que tivéssemos voltados para os negócios, mas importante que estejamos engajados na construção de um País melhor. No Brasil ainda carregamos uma desigualdade social gigantesca. É um trabalho enorme dos empresários para apoiar essa transformação”, pontuou o CEO da Energisa.

“Temos falhado muito e o empresário tem dado um péssimo exemplo quando se aproxima da administração pública. A (operação) Lava Jato mostrou isso. Temos que mudar essa reputação porque quando o empresário entrou na política foi para se beneficiar. Temos que limpar a nossa imagem”, completou o CEO da Localiza.