Com o fechamento de shopping centers, as lojas franqueadas acumulam prejuízos | Crédito: SixStar Video

As ruas vazias e os shopping centers fechados não pouparam, sequer, um dos setores mais resilientes da economia nacional: o franchising.

Os resultados do primeiro trimestre, divulgados pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), ainda que as primeiras medidas de isolamento social para o combate à pandemia de Covid-19 no Brasil só tenham sido tomadas em meados de março, o estrago foi grande e deve ser duradouro.

Segundo a pesquisa “Desempenho Setorial ABF”, a queda no faturamento de praticamente metade das franquias foi superior a 25% na segunda quinzena de março de 2020, em relação ao mesmo período de 2019.

Na comparação com a quinzena anterior de março de 2020, a queda de faturamento superior a 25% foi registrada por 44,2% das franquias. Analisando o primeiro trimestre como um todo, o impacto foi menor, mas ainda bastante significativo: o faturamento passou de R$ 41,464 bilhões em 2019, para R$ 41,537 bilhões em 2020, crescimento de 0,2%, enquanto o crescimento no mesmo período de 2019 foi de 7%.

Minas Gerais – No Estado, a situação se inverteu, mas existe pouco a se comemorar, já que no início do ano todas as projeções eram bem mais animadoras. O faturamento passou de R$ 3,191 bilhões no primeiro trimestre de 2019, para R$ 3,274 bilhões no mesmo período de 2020, resultando em um crescimento de 3%.

De acordo com o CEO da Loja de Franquia, Lucien Newton, a explicação da diferença está muito mais no fraco desempenho nacional no que no bom resultado mineiro. “O estado de São Paulo concentra quase a metade das operações de franchising do Brasil e como ele é, também, o mais afetado pela pandemia, acabou puxando a média nacional para baixo”, explica Newton.

Para o presidente da ABF, André Friedheim, outro reflexo importante foi a diminuição no ritmo de expansão de unidades e da geração de postos de trabalho. O setor encerrou o trimestre com 161.141 unidades em operação, 1% a mais do que no trimestre anterior (na mesma comparação no 1º trimestre de 2019, esse saldo foi de 2,5%). O volume total de empregos diretos foi de 1.361.795, 0,3% a mais do que o trimestre anterior.

“Esses dados refletem uma diminuição do ritmo de expansão, maior aversão a risco e o fechamento de algumas unidades em decorrência da pandemia. Notamos também que algumas empresas deixaram o sistema ou suspenderam planos de expansão por meio do franchising, o que acabou se refletindo nestes números. Vamos acompanhar de perto estes dados nos próximos meses. Por isso a importância dos programas governamentais de estímulo, especialmente as linhas de crédito destinadas aos pequenos e médios empresários”, afirma Friedheim.

Para enfrentar a fase mais aguda da crise e já se preparar para um futuro ainda incerto – com a possibilidade de outros períodos de fechamento da economia nos próximos dois anos, segundo as autoridades da saúde – o setor traça ações e estratégias.

Reação – Ainda segundo o estudo da ABF, o setor reagiu rápido aos reflexos da pandemia. Dentre as principais ações já adotadas (índice superior a 70%) estão serviços on-line, orientações e treinamentos sobre o Covid-19, delivery, e-commerce e promoções. Um pouco abaixo, mas com grande penetração, estão a formação de comitês de crise, criação de novos produtos ou serviços, antecipação de férias na franqueadora, desenvolvimento de novas tecnologias/inovação e ações solidárias (índice superior a 55%).

“Este difícil momento que vivemos mostra mais uma vez as vantagens de empreender dentro do sistema de franchising. Não que nossas unidades estejam imunes, mas elas têm mais estrutura e acesso a conhecimentos e experiências para reagir mais rápido. Muitas redes se mobilizaram para buscar melhores condições de crédito, negociar com locatários e administradores de shoppings e conversar com fornecedores diversos. Notamos também um intercâmbio ainda maior entre os franqueados e até o desenvolvimento de novos produtos e serviços. Outro indicativo da solidez do setor é que 47,7% das redes mantiveram ou ampliaram seus planos de expansão”, ressalta o presidente da ABF.

A criação de modelos mais simples e baratos, baseados em atendimento remoto, delivery e home based devem beneficiar o mercado de Minas Gerais.

“Podemos tirar alguns aprendizados dessa crise. O primeiro é como as marcas precisam de franqueadores realmente engajados e, outro, é como despesas e custos realmente pesam sobre os negócios. Formatos mais leves devem se tornar cada vez mais comuns. Nesse sentido, Minas Gerais, com seu grande número de municípios com boa renda per capita se torna não só um mercado interessante para as marcas que já existem, como pode ser a sede de muitas marcas que vão buscar o modelo de franquia como ferramenta de expansão. Historicamente, o franchising cresce ainda mais em períodos subsequentes às grandes crises. Isso deve acontecer mais uma vez”, avalia o CEO da Loja de Franquia.