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Empresa mineira aposta em inovação para transformar o uso do cacau no Brasil

Empresa em São Gonçalo do Rio Abaixo quer transformar a cadeia produtiva com ciência e aproveitamento máximo do fruto
Empresa mineira aposta em inovação para transformar o uso do cacau no Brasil
Fralía quer aproveitar até 100% do fruto e criar alimentos mais nutritivos no País | Foto: Reprodução Adobe Stock

A Fralía, empresa sediada em São Gonçalo do Rio Abaixo, na região Central de Minas Gerais, tem como proposta transformar o mercado do cacau no País. Um processo científico pioneiro pode redesenhar a cadeia produtiva nacional e introduzir novos tipos de alimentos, mais saudáveis, com potencial de conquistar o paladar do consumidor. O aproveitamento integral do fruto do cacau pode ser a chave desse negócio.

Atualmente, o mundo consome apenas as amêndoas do cacau, o que representa cerca de 6% a 10% do peso total do fruto. O restante, composto por polpa, casca e películas, é frequentemente desperdiçado ou subutilizado. É nesse excedente que a Fralía aposta para criar um mercado consumidor e transformar a cadeia produtiva do cacau, hoje concentrada nos estados do Pará, Bahia e Espírito Santo.

O projeto da empresa foca no aproveitamento ampliado das demais partes do fruto. Em um cenário no qual a Organização Mundial da Saúde (OMS) e novos guias alimentares reforçam a importância do consumo de fibras para a saúde metabólica e a prevenção de doenças, a Fralía posiciona o cacau brasileiro na vanguarda da nutrição. Película, mel e polpa possuem alto valor nutricional, ampliando a eficiência e a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva.

Visão, parcerias e investimentos

Com sua visão de negócios, a Fralía pretende abastecer toda a cadeia que consome cacau na produção de derivados, como bolos, biscoitos e outros alimentos que podem substituir o carboidrato pela fibra do fruto, mantendo o sabor e agregando maior valor nutricional.

Para viabilizar essa demanda e criar um mercado de consumo, a empresa investiu R$ 20 milhões em sua fábrica em São Gonçalo do Rio Abaixo e prevê aportes adicionais de R$ 5 milhões por ano ao longo dos próximos quatro anos.

Outro passo estratégico é a parceria com o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com fomento da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). A colaboração promete elevar a empresa a um novo patamar produtivo e ampliar seu alcance junto ao consumidor final.

“Não podemos mais aceitar que 90% de um fruto tão rico seja ignorado pela indústria. Nossa missão com o CNPEM é aplicar ciência de ponta para extrair o máximo potencial nutritivo do cacau”, afirma o CEO da Fralía, Matheus Pedrosa dos Reis. “Estamos falando de entregar para a sociedade um ingrediente funcional, sustentável e com a chancela da maior autoridade em biorrenováveis do Brasil.”

O processo científico

A pesquisa é conduzida no Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR), parte do CNPEM, em Campinas (SP). Por meio de biotecnologia aplicada, os pesquisadores desenvolvem tecnologias de última geração para maximizar o aproveitamento e a eficiência desses insumos.

O projeto conta com o modelo de fomento da Embrapii, que conecta as demandas do mercado à infraestrutura dos centros de excelência, garantindo que a inovação chegue rapidamente às prateleiras dos supermercados e às mesas das famílias brasileiras.

Cacau: números que explicam a aposta

• Apenas 6% a 10% do fruto do cacau é hoje aproveitado pela indústria
• Cerca de 90% do fruto, incluindo polpa, casca e películas, é subutilizado
• Investimento inicial da Fralía: R$ 20 milhões em fábrica em Minas Gerais
• Aportes previstos: R$ 5 milhões por ano pelos próximos quatro anos
• Parceria estratégica com o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM)
• Fomento via Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii)
• Foco em ingredientes com alto teor de fibras para substituição de carboidratos
• Cadeia produtiva do cacau no Brasil concentrada em Pará, Bahia e Espírito Santo

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