Uso de máscara será hábito, diz a Pimenta Verde | Crédito: REUTERS/Rahel Patrasso

A Pimenta Verde, especializada na fabricação de uniformes, localizada em Governador Valadares, no Vale do Aço, está se reinventando perante o novo cenário imposto pela pandemia do coronavírus (Covid-19) no País.

Aproveitando a estrutura fabril, a empresa incluiu a produção de máscaras em seu portfólio, como forma de manter uma produção mínima, garantir o emprego dos colaboradores e ainda fazer doações.

A ideia surgiu há cerca de duas semanas, quando o proprietário, Rodrigo Campos, identificou na necessidade do mercado (por EPIs) uma oportunidade de manter a produtividade da empresa.

Segundo ele, ao atender algumas empresas do segmento hospitalar com o fornecimento de uniformes para os setores administrativos, jalecos e pijamas cirúrgicos, o setor de captação observou a demanda por outro tipo de produto que a Pimenta Verde também poderia oferecer: as máscaras de proteção.

“Foi uma ‘coincidência boa’. Já estávamos realizando um trabalho de captação direcionado para a saúde e, a partir de alguns contatos, identificamos a oportunidade”, explicou. Então, a empresa iniciou a produção de máscaras em tecido para serem comercializadas on-line no atacado.

Para atender ao novo segmento, segundo Campos, o quadro de colaboradores foi mantido, mas alguns entraram em férias coletivas. Além disso, os cuidados com a higienização foram intensificados com o uso de álcool em gel, lavagem das mãos e contato limitado entre os profissionais. O setor de modelagem se voltou para a criação das máscaras, e a matéria-prima, que já era utilizada na produção de uniformes, agora está sendo adaptada na confecção dos acessórios de proteção.

“Não paramos de produzir os uniformes, mas como tivemos uma diminuição no número de pedidos e alguns contratos foram suspensos, houve a substituição, mesmo que temporária. Já fechamos com algumas empresas parceiras na região, e nossa expectativa é manter a receita da fábrica com esse produto”, revelou.

O empresário acredita que após o pico da doença no País e, mesmo quando as medidas de distanciamento social recomendadas pelos órgãos de saúde forem flexibilizadas, o uso de máscaras poderá se tornar um hábito do brasileiro, ao menos nos primeiros meses após a pandemia. Caso o cenário se confirme, a empresa estima produzir algo entre 20 mil e 30 mil máscaras por mês.

De toda maneira, Campos não acha que 2020 já seja um ano perdido para seus negócios. “Hoje, a minha expectativa é de pelo menos manter os mesmos números do ano passado. Vai depender muito de como vamos caminhar e até quando as medidas de restrição serão mantidas. Temos alguns contratos em aberto que possivelmente serão reativados quando tudo isso passar e ainda teremos mais a opção das máscaras entre nossas vendas”, justificou.

E atenta também à importância de cumprir o papel social no momento que aflige não apenas a população brasileira, mas todo o mundo, a empresa lançou uma campanha em que destina R$ 1 de cada máscara vendida à compra de cestas básicas para instituições sociais de Governador Valadares.

No mercado desde 2007, a Pimenta Verde inicialmente trabalhava com moda feminina casual. Anos depois, ingressou no mercado de moda profissional e atua hoje no fornecimento de uniformes sob demanda para empresas de diversos segmentos. Cerca de 90% dos clientes da marca estão em Minas Gerais, mas há contratos também com empresas do Espírito Santo e Bahia.

Belo Horizonte – Ontem, em Belo Horizonte, foi anunciada pelo prefeito da capital mineira, Alexandre Kalil, uma medida que exige da população o uso de máscaras para sair às ruas durante o período de distanciamento social para combate ao coronavírus, repetindo o exemplo de Santa Luzia e Nova Lima. Segundo o prefeito de BH, inicialmente quem não usar máscaras será impedido de entrar em prédios públicos.