Jequitinhonha Alimentos cria hub para fortalecer cafeicultura mineira
A Jequitinhonha Alimentos, com sede em Capelinha, na região do Jequitinhonha, está ampliando a atuação no mercado do café. Para isso, a empresa criou a Comércio de Cafés Brasil Ltda. (Cocabras), um hub de inteligência comercial e de conexão de mercados, com o objetivo de auxiliar os produtores da região e otimizar a venda do produto. A expectativa é movimentar cerca de R$ 100 milhões em 2026.
Conforme o CEO do Grupo Jequitinhonha Alimentos, Luiz Carlos Barbosa, a ideia para a Cocabras surgiu da percepção de que, embora o Brasil seja um celeiro de cafés finos e especiais, muitos produtores enfrentam dificuldades para que os cafés, inclusive os de padrão exportação, cheguem aos compradores e tradings com agregação de valor. Assim, a Cocabras nasce com o propósito de auxiliar os produtores e promover a venda dos grãos de forma mais justa.

“A Cocabras nasceu com o propósito de ser um mediador, um braço para oferecer suporte técnico e estatístico e encurtar o caminho entre o produtor e os exportadores. O Brasil, hoje, além do café commodity, é também um celeiro de cafés especiais e nós, aqui na Chapada de Minas, temos muitos cafés de alta qualidade, mas ainda existia a dificuldade de comercializar.”
Ainda conforme Barbosa, para atestar a qualidade dos grãos produzidos na Chapada de Minas, foi instalado um laboratório de controle de qualidade. Com base nos resultados, a Cocabras identificará os compradores ou exportadores adequados, tanto para o mercado interno quanto para o externo, buscando a melhor negociação para o produtor.
O modelo funciona de forma simples, com o produtor que deseja comercializar o café acionando a empresa, apresentando a intenção de venda e disponibilizando uma amostra do produto. A partir desse ponto, a Cocabras ativa a estrutura técnica e comercial para identificar os compradores mais adequados ao perfil daquele café.
“Nós vamos classificar os grãos e, como temos bons parceiros no Brasil, caso o produtor queira, vamos direcionar o café para o mercado mais indicado. Vamos reduzir a distância entre o produtor e o comprador, podendo favorecer a formação dos preços para o cafeicultor”, explicou.
A Cocabras atuará na negociação de todos os padrões de café, desde os tradicionais até os especiais, tanto para exportação como para o mercado interno. A empresa busca encontrar o cliente que melhor remunere o produtor, mesmo para cafés que não se enquadram no padrão de exportação, mas são aptos para consumo.
“O nosso papel é esse, achar para o produtor esse cliente que vai remunerar melhor por aquele produto”, explicou.
A iniciativa da Cocabras também é uma forma de fortalecer a Jequitinhonha Alimentos. A empresa já possui uma operação que inclui a indústria de café torrado e moído e a distribuição de alimentos em geral, além da Poema Café, focada em cafés especiais. A Cocabras complementa essa estrutura, permitindo a compra de cafés excedentes que não seriam utilizados pela indústria, oferecendo uma opção para o produtor.

Barbosa estima que a safra de café na Chapada de Minas deve movimentar quase R$ 1 bilhão em 2026. A expectativa é que a região colha, em 2026, aproximadamente 400 mil sacas de café nas 22 cidades que compõem a região.
“Neste ano, nós queremos trabalhar 10% desse café, então nós vamos movimentar mais ou menos R$ 100 milhões.”
A iniciativa da Cocabras aponta para uma mudança relevante na dinâmica do café na Chapada de Minas. Ao estruturar um modelo que combina classificação técnica e articulação comercial, a proposta tenta corrigir uma distorção histórica do setor, em que qualidade nem sempre se traduz em preço para o produtor. Em um mercado mais exigente e segmentado, reduzir a distância entre origem e comprador tende a aumentar a eficiência das negociações e capturar valor que hoje se perde ao longo da cadeia. Se ganhar escala, o modelo pode não apenas fortalecer a atuação da empresa, mas também reposicionar a região como fornecedora mais competitiva, inclusive no segmento de cafés especiais.
Cocabras em pontos-chave
• Meta de movimentar cerca de R$ 100 milhões em 2026;
• Atuação prevista sobre aproximadamente 10% da safra da Chapada de Minas;
• Produção regional estimada em 400 mil sacas, com valor próximo de R$ 1 bilhão;
• Modelo baseado em classificação técnica dos grãos e inteligência comercial;
• Conexão direta entre produtores, compradores e exportadores;
• Atuação nos mercados interno e externo;
• Comercialização de cafés tradicionais e especiais;
• Destino também para cafés fora do padrão de exportação, mas aptos ao consumo;
• Integração com a estrutura da Jequitinhonha Alimentos e com a Poema Café.
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