A Yör Chocolates quer iniciar as exportações em 2021 para os Estados Unidos | Crédito: Thobias Almeida

Mesmo diante das incertezas provocadas pela crise do novo coronavírus (Covid-19), há quem aposte na inovação de setores tradicionais e no lançamento de produtos.

Sob esta perspectiva, três empresários mineiros criaram a Yör Chocolates: primeira marca do Estado com produção de chocolates finos de alto perfil sensorial com diversidade de tipos, sabores e origens.

Em meio à pandemia, a marca nasce digital, com loja-conceito em Belo Horizonte, e promete ganhar o mercado externo já no ano que vem. A produção será terceirizada, no modelo “encomendante industrial”.

A aposta é de um dos sócios-fundadores, Alberto Kis. Segundo ele, a meta é produzir e comercializar 2 toneladas de chocolates até o final deste exercício. Já para 2021, a expectativa é chegar a 5 toneladas, das quais, pelo menos 1 tonelada, destinada ao mercado norte-americano, com o diferencial que ele definiu como “um produto brasileiro puro e saudável”.

“Como apreciadores e pesquisadores concluímos que grande parte do que se consome de chocolates hoje é um doce que por acaso leva cacau. As receitas da Yör utilizam matéria-prima Premium, açúcar orgânico em menor quantidade e nenhum aditivo químico nem aromatização. O processo e as receitas resgatam o chocolate tradicional, aquele que era feito no final dos anos 1980”, garantiu.

Com data de lançamento prevista para 16 de junho, a loja-conceito da marca será instalada no Belvedere, na região Centro-Sul da cidade. E, enquanto a abertura do comércio não é liberada, em função do coronavírus, os chocolates serão vendidos pelas redes sociais, em plataforma digital própria, e futuramente em redes varejistas locais e nacionais.

Diversificação – A marca chegará ao mercado com quatro produtos diferentes: chocolate ao leite 44% cacau de origem única, chocolate intenso com 70% de cacau, chocolate intenso combinado com café do Sul de Minas e chocolate branco com doce de leite.

Cada um pertencente a uma das quatro categorias criadas, que terão produtos diferentes lançados de tempos em tempos: Beanto Bar (da amêndoa de cacau até a barra do chocolate); Regionais (Saberes e sabores do Brasil); Sabores (sabores harmonizados com chocolate); e Origens (blends especiais de cacau fino).

“Aí entra a inovação. Brincar com as receitas e combinações, oferecendo produtos diferentes a cada tipo de consumidor em cada parte do País. Poderemos, por exemplo, acrescentar frutas típicas do Nordeste ou fazer uma harmonização com um produto do Rio Grande do Sul, sempre lançando sabores e dando dinamismo ao produto e ao mercado”, disse, revelando que já há mais pelo menos 20 sabores para serem lançados ao longo dos próximos anos.

Processo industrial – Outra característica de inovação da Yör está no modelo de negócio. Na contramão da indústria das últimas décadas, os sócios apostaram na economia compartilhada para construir a marca.

Assim, a empresa funcionará como “encomendante industrial”. Ou seja: a escolha e compra dos insumos, as receitas e o modo de produção são desenvolvidos pela marca, mas o processo de fabricação é realizado por parceiros.

“A Yör é mineira na sua origem, incorporando sabores e saberes da nossa cultura, mas também é nacional na sua forma de relacionamento com o mercado e global na busca das melhores variedades de cacau e demais insumos. Com o formato de encomendantes industriais, reduzimos custos e focamos o negócio no desenvolvimento e comercialização dos produtos. Neste primeiro momento, nossos chocolates estão sendo produzidos no interior de São Paulo”, explicou.

Para chegar ao modelo, os sócios seguiram um planejamento ao longo dos últimos cinco anos, que demandou uma longa pesquisa em locais que são referência em produção de chocolates e de cacau, como Suíça, Bélgica, França, República Dominicana, Estados Unidos, Japão e Brasil, em cidades como Ilhéus, Uruçuca, Espírito Santo, Gramado, Canela e São Paulo. A estimativa é de que o aporte inicial da empresa tenha somado algo em torno de R$ 500 mil.