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Mobilidade elétrica no Brasil é fundamental

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Crédito: Pixabay

Na busca por um mundo que respeite o meio ambiente, a mobilidade elétrica tem ganhado espaço nas discussões acadêmicas, na indústria e também nos governos ao redor do mundo. À medida que o desenvolvimento tecnológico avança e os custos se tornam mais acessíveis para o consumidor final, países traçam estratégias, instalam infraestrutura e regulamentam o modelo fortemente indicado para solucionar a mobilidade urbana, especialmente no que diz respeito ao transporte coletivo.

Tendo em vista tudo isso, discutir o importante papel da mobilidade elétrica no desenvolvimento da eletrificação de transportes no Brasil é fundamental. Assim, a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), apoiadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com o inovabra habitat (ambiente de coinovação do Bradesco), promoveu o painel on-line “Mobilidade Elétrica e Sociedade: Passos para antecipação de futuros”, no dia 18 de março.

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Como preparar o ambiente, do ponto de vista do governo, indústria e sociedade para transição da mobilidade a combustão interna para a elétrica é a grande questão. Qual a receptividade da sociedade brasileira para esse modelo de transporte, que está em estágio incipiente, mas em estado de alerta sobre os impactos dos veículos à combustão para o meio ambiente? Quais os movimentos das grandes empresas do setor automotivo em investir na produção de carros elétricos para os próximos anos? E qual a estrutura de abastecimento nacional? Todas essas são perguntas importantes e cujas respostas estão em plena evolução.

“O impacto dos veículos elétricos sobre a rede elétrica é importante sob o ponto de vista das concessionárias de energia e sobre a forma como vamos utilizar essa energia. Haverá uma mudança no perfil do consumo. Também haverá mudanças nos postos de reabastecimento. Troca das bombas de combustíveis acontecendo ao longo do tempo pelos pontos de recarga elétrica, por exemplo. Tudo isso precisa ser pensado”, explicou o professor do Departamento de Engenharia Elétrica da UFMG, Braz de Jesus Cardoso Filho.

Segundo ele, a decisão pela eletrificação veicular já foi tomada, e a forma como isso aconteceu vale uma reflexão. A decisão foi tomada, em primeira instância, no nível político. “Governos começaram a trabalhar uma legislação que impulsiona a indústria nessa direção. O mercado de veículos elétricos cresce, hoje, por incentivos. No momento que o incentivo surge, o mercado cresce. Ao se manter o incentivo, não se observa o crescimento nos mesmos patamares. É um processo de convencimento do consumidor que não está surgindo a partir dos benefícios agregados pelo produto. Gostaria de ver a indústria trabalhando muito mais nesse aspecto de cativar o consumidor pelo produto. Essa tecnologia deve se sustentar sem depender dos incentivos”, completou.

A mobilidade elétrica tem ganhado espaço nas discussões acadêmicas, na indústria e também nos governos ao redor do mundo | Crédito: Reprodução

Protagonismo

Para o diretor de Tecnologia do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Gábor Deák, falta a definição de um ciclo virtuoso. O estabelecimento de um posicionamento nacional envolvendo todos os setores, capaz de definir um programa para que o mercado cresça de maneira homogênea.

“O veículo elétrico – levando em conta toda a cadeia produtiva até o seu descarte – tem o mesmo impacto de um veículo a etanol, por exemplo. Quando pegamos situações como as de China e Índia, por exemplo, que tem uma contaminação urbana monumental, o elétrico pode fazer uma diferença muito grande. Em termos ambientais, considerado todo o ciclo, o veículo a biodiesel tem o mesmo valor. Temos que caminhar na direção dos veículos elétricos para não ficarmos atrasados. Somos um país continental e temos que ter formas de levar a eletrificação a todos os lugares. Existe uma oportunidade de fazer uma regulamentação que permita o equilíbrio entre os atores. As habilidades exigidas dos profissionais serão diferentes das que temos hoje, então, precisamos orientar gradativamente essa população da cadeia produtiva. Podemos passar a ser produtores de novas tecnologias como já fomos em casos como o do etanol e do biocombustível”, pontuou Deák.

Plataforma de mobilidade elétrica

Criada há um ano, a Plataforma Nacional de Mobilidade Elétrica (PNME) nasceu como um espaço para fomentar o desenvolvimento do setor no Brasil, agregando mais de 30 instituições da indústria, poder público, sociedade civil e academia.

Desde então, a Plataforma estruturou sua governança, estabelecendo um Conselho Gestor para liderar o direcionamento das ações, subsidiado por grupos de trabalho e comissões, como a Comissão de Ciência e Tecnologia (CC&T).

Mudança cultural

De acordo com o CEO da Bravo Motor Company, Eduardo Javier Muñoz, devemos nos preparar para uma mudança cultural importante, comparável à chegada dos smartphones, no fim do século passado. As baterias já estão 70% mais baratas que há cinco anos. A expectativa é que em mais cinco sejam totalmente acessíveis.

“O Brasil pode liderar a mudança regional. Precisamos decidir se vamos comprar a tecnologia ou se vamos desenvolver. É uma realidade diferente, não é simplesmente a eletrificação do que temos hoje. Existe o ideal e o que o País pode fazer. O ideal é o que a Califórnia (EUA) fez: penalizar a contaminação e incentivar a eletrificação. É importantíssimo ter uma lei de descarbonização. Países como o Brasil precisam se concentrar em liberar tributos, incentivando uma concorrência mais justa. Facilitar a importação de tecnologia também seria uma coisa importante”, avaliou Muñoz.

Modelo próprio

Segundo o mentor de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação na SAE Brasil, Erwin Franieck, o benefício econômico é que deve trazer essa tecnologia para o consumidor. “O preço da bateria está caindo. Quando esse preço for competitivo em relação a um carro a combustão, com todas as vantagens, o sistema vai se adaptar. Temos, no Brasil, um sistema de mobilidade bem definido. Devemos respeitar as nossas características. A eletrificação tem que ser encarada como algo tão bom como o que temos como o etanol e o biodiesel. Temos que incluir todos os benefícios de descarbonização também para o elétrico. Devemos construir um marco regulatório eficiente e economia mais liberal sem protecionismos muito fortes”, completou Franieck.

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