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Pesquisa aponta piora no estilo de vida do brasileiro durante a pandemia

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A alimentação pode ter servido como válvula de escape para questões emocionais | Crédito: Pixabay

A pandemia de covid-19 piorou o estilo de vida do brasileiro. É o que aponta os resultados preliminares da pesquisa Hábitos e comportamento alimentar durante a pandemia de covid-19 no Brasil, realizada em conjunto pela UFMG e pelas universidades federais de Lavras (Ufla), Ouro Preto (Ufop) e Viçosa (UFV).

Os dados obtidos na primeira etapa de análises indicam aumento no consumo de alimentos processados e ultraprocessados, redução no consumo de frutas e vegetais e diminuição na prática de atividade física (de 120 min/semana para 80 min/semana). A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que se pratique entre 150 e 300 minutos por semana.  

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Além disso, foi possível observar crescimento no número de refeições noturnas, na frequência de consumo de bebidas alcoólicas, no hábito de fumar, nas horas de sono e no tempo de utilização de telas e dispositivos (de 6,5h/dia para 10h/dia).

Tamires Souza, doutoranda do Programa de Pós-graduação em Ciência de Alimentos da UFMG e uma das participantes do estudo, ressalta que a pesquisa não avaliou as causas por trás das mudanças apresentadas. Entretanto, com base em observações e estudos que têm sido publicados ao redor do mundo, especula-se que muitas alterações podem estar relacionadas direta ou indiretamente com as mudanças bruscas decorrentes da necessidade de interrupção das atividades cotidianas ou modificações na forma com que eram desempenhadas.

“Apenas 3% da nossa amostra relatou não estar cumprindo o isolamento social, enquanto 97% relatou estar cumprindo totalmente (57,2%) ou parcialmente (39,8%) as medidas. Sendo assim, essas pessoas podem ter sido acometidas por várias demandas que antes não existiam. A alimentação pode ter servido como válvula de escape para questões emocionais, em que a busca por conforto, acolhimento ou preenchimento pode ter tido efeito nas preferências alimentares. Outro fator relatado por quase 70% da nossa amostra foi a percepção do aumento de tempo de trabalho, incluindo tarefas domésticas, podendo dificultar a dedicação ao preparo de refeições”, disse.

A pesquisadora também destaca que um dos fatores que podem ter influenciado nas mudanças de hábitos de consumo foi o impacto econômico negativo decorrente da pandemia.

“Não podemos deixar de mencionar os possíveis impactos econômicos e financeiros que também podem ter reduzido o poder de compra e, consequentemente, as opções alimentares. Mais uma vez, reforço que essas especulações são realizadas sob um olhar amplo e baseado em outras evidências publicadas mundialmente. Mas novas pesquisas são essenciais para o entendimento desse processo que envolve a população”, afirmou.

Para Tamires Souza, a população deverá retomar os hábitos pré-pandêmicos de maneira gradativa e entender o contexto ocasionado por essas transformações é extremamente necessário.

“Acredito que vai ser uma mudança gradativa. As implicações dessas alterações podem ocorrer em várias esferas, podendo citar, especificamente, uma questão de saúde pública. Sabe-se que o sedentarismo associado aos maus hábitos alimentares pode aumentar o risco para diversas doenças crônicas. Por isso, entender o contexto e as novas necessidades da população pode ser uma contribuição mais certeira para o desenvolvimento de políticas públicas e elaboração de condutas de enfrentamento para o que virá”, concluiu.

A pesquisa sobre o estilo de vida

O questionário aplicado abordou inúmeras questões referentes aos hábitos alimentares e estilo de vida dos participantes no pré-pandemia e no momento da coleta de dados (5 meses após o início das medidas de contingenciamento da Covid-19 no Brasil).

A pesquisa alcançou 1.368 respostas de indivíduos de ambos os sexos, com idade igual ou superior a 18 anos. Dos participantes, 89,6% são oriundos da região Sudeste e 80% são mulheres. Além disso, 97% declararam estar cumprindo totalmente ou parcialmente as medidas de isolamento.

Os respondentes relataram informações sobre o consumo de bebida alcoólica por dose por ocasião e por frequência semanal; prática de atividade física (em minutos/semana); horas de sono; tempo de uso de telas e dispositivos (em minutos); tabagismo (número de cigarros ao dia).

Para os hábitos alimentares, foi aplicado o Questionário de Frequência e Consumo Alimentar (QFCA), em que os voluntários disseram sobre o uso semanal de diversos grupos alimentares — frutas, cereais, doces, carnes, refeições instantâneas, entre outros.

A segunda fase da pesquisa, que está em andamento, começou com a reaplicação do questionário após dez meses. As análises devem ser concluídas até o final do ano. Mais detalhes dos resultados da primeira etapa podem ser acessados em artigos publicados na Public Health Nutrition e na Frontiers in Nutrition.

Resultados da primeira fase de análises da pesquisa Hábitos e comportamento alimentar durante a pandemia de covid-19 no Brasil, Crédito: Divulgação

*Estagiário sob supervisão do editor Will Araújo

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