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Pesquisa busca destinação para resíduos da indústria têxtil

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Crédito: Alisson J. Silva

A indústria têxtil produz toneladas de resíduos poluentes que não são reaproveitados de forma adequada e estima-se que esteja entre as mais poluentes do mundo causando grande impacto ambiental. Por estar localizado no principal polo de moda e confecção de Minas Gerais, o Cefet-MG Divinópolis, na região Centro-Oeste de Minas, atua fortemente com o tema. De forma complementar as aulas do curso técnico em Produção de Moda e do curso superior em Design de Moda, o campus tem investido não só no desenvolvimento do setor e na qualificação de profissionais, mas também na busca de soluções adequadas para o descarte dos resíduos da indústria têxtil.

O tema sustentabilidade, por exemplo, é uma das linhas de atuação do Grupo de Pesquisa de Vestuário e Moda (Nupevem), referência no monitoramento do setor; e do Seminário de Moda, Gestão e Design (Semged), que já faz parte do calendário de evento do campus.
Uma das principais mentoras dessas atividades é a professora Maria de Lourdes Couto Nogueira, a Bu. Ela explica que é considerado resíduo sólido têxtil todo material derivado das sobras da produção, que não possui utilidade após determinado processo e que, geralmente, é descartado. Podem ser citados como exemplos os retalhos de tecidos, as sobras de aviamentos, os cones de linhas, os plásticos e os papéis em geral.

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“É comum encontrarmos em Divinópolis sacos cheios de retalhos e outros resíduos das confecções dispostos nas calçadas, que são coletados pelos caminhões de lixo e destinados inadequadamente ao aterro”, explica a professora.

Ela destaca que esses resíduos são classificados como industriais e, em regra, não deveriam ser recolhidos como lixo doméstico. O resultado? Ao serem levados para os aterros, os resíduos têxteis ocupam espaço útil e tornam-se um perigo ainda maior para a natureza, por serem compostos de fibras sintéticas que demoram muitos anos para decomposição, além de poderem estar contaminados com graxas, óleos e outros materiais perigosos, poluentes e inflamáveis.

Brinquedos e acessórios – Em 2008, uma pesquisa que buscou fazer um diagnóstico ambiental das confecções de Divinópolis foi o pontapé inicial das atividades ligadas aos resíduos sólidos têxteis. De lá para cá, entre as inúmeras ações e capacitações já realizadas pelo campus Divinópolis, está o projeto de criação de jogos e brinquedos didáticos a partir do uso de materiais recicláveis.

Iniciado em março deste ano, o projeto está vinculado ao Programa Institucional de Bolsa de Iniciação Cientifica Júnior BIC-JR.

“O uso dos jogos e brinquedos didáticos além de motivador, proporciona aos alunos diversos benefícios, entre eles a fixação dos conceitos aprendidos, desenvolvimento de conceitos de difícil compreensão, busca por estratégias de resolução de problemas, tomada de decisões, interdisciplinaridade, construção do conhecimento pelo próprio aluno, a socialização e o trabalho em equipe”, enumera a professora.

Cecília Rodrigues, aluna do 2º ano do curso técnico em Produção de Moda, explica que o projeto está em fase de planejamento dos brinquedos, que terão como foco os órgãos humanos.

“O meu interesse nesse projeto é mostrar para as crianças a importância do material reciclável e como, de um simples retalho, dá para transformar num brinquedo divertido e didático”, avalia.

Luiz Gustavo, também aluno do 2º ano, atua voluntariamente e destaca o fato de que o material produzido será de grande valia para crianças carentes.

“Eu optei por participar do projeto porque é uma área que me interessa muito, tanto pelo fato de envolver jogos quanto por envolver crianças necessitadas, além de que envolve sustentabilidade”, assegura.

Outro projeto já em andamento está ligado ao programa de extensão Azimute Norte de Desporto de Orientação. A vertente ambiental do programa objetiva confeccionar acessórios voltados para o esporte de maneira sustentável e que garantam segurança, flexibilidade e agilidade aos praticantes.

“Cabe a cada um fazer sua parte: ao poder público a criação de leis e a fiscalização das atividades desenvolvidas pelas indústrias; às empresas de confecção a busca por alternativas de não geração ou minimização da geração de resíduos e à sociedade a consciência e educação ambientais ao se produzir, separar e destinar os resíduos de forma eficiente e ambientalmente adequada”, determina Bu. (Com informações do Cefet-MG)

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