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O fundador e presidente do Hospital de Olhos e Fundação Hospital de Olhos, Ricardo Guimarães, assumiu a presidência da União Brasileira para a Qualidade (UBQ) no dia 26. Em seu discurso o médico não se furtou a falar sobre os riscos de o famoso ‘jeitinho brasileiro’ transformar o País em um lugar que afugenta investidores e coloca em risco seu povo e patrimônio.

Segundo ele, Minas Gerais tem papel pioneiro nas discussões sobre a qualidade e a missão de torná-la um farol capaz de iluminar um caminho de responsabilidade pessoal e institucional que não permita que outras tragédias como o rompimento da barragem de rejeitos da mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, destruam o meio ambiente, projetos de desenvolvimento econômico e social e, claro, levem vidas de inocentes.

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Desafio

“A palavra qualidade, quando bem traduzida e dimensionada, pesa sobre os ombros. Principalmente sobre os ombros de um médico como eu. A disciplina e a cultura do bom exercício da medicina são a revisão de processos, os estudos e atualização constantes de métodos com foco permanente em qualidade total na prestação de serviços. Liturgia necessária a uma profissão onde as margens de erros podem até ser consideradas, mas jamais serão aceitas.

Contrariando ao que me pareceu ser o mais sensato a fazer naquele momento, como médico, mas sobretudo como mineiro, aceitei o desafio. Mineiro é sempre do contra e adora desafio. Aceitei porque percebi a relevância e a representatividade da UBQ para a construção de uma nova matriz de desenvolvimento para Minas Gerais”.

Pioneirismo mineiro




“Minas Gerais é berço da gestão da qualidade. Aqui dimensionamos todas as esferas desta palavra e difundimos os conceitos de qualidade de centenas, milhares de empresas para todo o Brasil. Sim, porque os primórdios da implantação dos conceitos da qualidade foram justamente na siderurgia, indústria automotiva, e na mineração”.

Ameaça

“Na contramão desta história tão bem construída, por tanta gente admirável e aguerrida, vivemos, hoje, um momento de maior fragilidade de Minas e dos mineiros. As tragédias de Mariana e Brumadinho ameaçam a nosso patrimônio de paternidade da introdução da qualidade no Brasil. Isso é uma ameaça à nossa economia e à segurança das pessoas. Somos também alarmados pelas sirenes que anunciam a chance de repetição de catástrofes semelhantes. O resultado de tudo isto é um abalo da confiança das pessoas nas nossas instituições”.

Otimismo

“Precisamos ser otimistas! Talvez seja este o bom momento, o mais oportuno para resgatarmos a dimensão maior da palavra qualidade. A dimensão da confiabilidade, da competitividade sustentável. O verdadeiro nome da UBQ é competitividade. A senha de segurança para enfrentar esse ambiente de adversidade é a competitividade que gera confiança”.

Improviso X Qualidade




“Em um artigo que publiquei, intitulado ‘O país das gambiarras’, destaco o uso de soluções improvisadas ou inadequadas para resolver problemas. Somos um povo reativo e opositor sistemático aos processos. Tomei o título do artigo emprestado do autor Lindolfo Paoliello, ex-presidente da ACMinas. Ele destaca que o país das gambiarras vê com simpatia e bom humor a improvisação. Infelizmente, o improviso, em que pese o baixo custo, não raro, produz catástrofes.

Diante de tantos erros, de tantos improvisos, do desrespeito aos processos, o mundo nos observa atento e questiona o modo complacente como a nossa sociedade tem reagido a fatos tão tenebrosos. Aos olhos do mundo, a lama de Brumadinho não se restringe ao curso do rio Paraopeba em inexorável direção ao mar. A lama sai do rio e se espalha por toda a Minas e por todo Brasil. Ela mancha nossa reputação, ceifa vidas, devasta a natureza.

Também retira do nosso Estado investimentos preciosos ao nosso desenvolvimento. Por regulação própria, a maior parte dos investidores internacionais está vetada a fazer investimentos em tais situações. Eu não teorizo, falo de casos reais! Investimentos concretos na economia mineira que foram cancelados em razão dos dois últimos desastres ambientais”.

Legislação

“Este terrível rastro de destruição deve dar forma à nossa indignação, forçando passagem para uma mudança de atitude no trato das atividades extrativas, lembrando que Minas não é compensada por royalties, como é o caso do petróleo e outros minerais. E tão pouco é indenizada pelos danos ambientais causados pela atividade normal e menos ainda pelos desastres como o de agora. Uma verdadeira distorção da legislação que trata de maneira diferente outra atividade extrativista, como e o caso, do petróleo.

Precisamos, seguindo o exemplo de outros países, avançar no aprimorando da nossa legislação e dos mecanismos de controle da atividade. Devemos nos organizar civicamente para ir além dos esforços de recuperação no calor dos fatos que, muito frequentemente, terminam quando perdem espaço na cobertura da mídia”.

Mineração

“Queremos e, até mesmo, precisamos manter a atividade minerária, mas, a exemplo do Canadá, a extração mineral deve ser feita obedecendo a outros princípios de segurança que, não só garantam tais compensações, mas também assegurem uma atividade que obedeça aos princípios elementares de segurança, e contribuam para o desenvolvimento sustentável da região onde ela se insere. Não é pedir muito”.

Brumadinho

“No dia 25 de janeiro eu encerrava uma reunião com a diretoria do Hospital Pronto Socorro João XXII, discutindo melhorias com o diretor-presidente, dr. Sílvio Grandenetti, e o dr. Ricardo Rodarte, diretor de inovação. Marcamos um novo encontro para falar dos avanços daquele hospital no atendimento de urgência às vítimas de acidentes e tragédias, sem antes reforçar que não poderíamos prever quando aconteceria a próxima tragédia. Poucos minutos depois, logo após nossa despedida, eles me comunicaram a notícia: ‘Estamos voltando com urgência para o João XXII para atendimento das vítimas que não devem demorar a chegar’. Cruelmente muitas vítimas não chegaram a ser atendidas, morreram soterradas.

Essa foi a minha primeira inserção neste acidente. A segunda foi quando o embaixador do Canadá, Riccardo Savone, me encarregou como cônsul honorário, de transmitir ao governador nossa solidariedade e todo apoio que pudéssemos disponibilizar. Na sequência, voltamos a oferecer apoio efetivo através de empresas canadenses que possuem tecnologia necessária ao projeto de recuperação. Entre eles, temos já o comprometimento da empresa PCI – Geomatics que se dispôs a fazer o mapeamento de toda região para desenharmos um projeto de recuperação de todo o Vale do Paraopeba.

Como próximo presidente da UBQ, conclamo as entidades mais representativas de nossa economia para contribuir para a recuperação, não apenas de Brumadinho, mas de todo o Vale do Paraopeba. Não me refiro a intervenções imediatas. Me refiro a uma recuperação com múltiplos enfoques: social, educacional, cultural, econômico e ambiental em uma perspectiva de médio e longo prazo quando as luzes da mídia já terão se apagado. O nosso objetivo é que neste pós-tragédia, possamos desenhar uma nova trilha de futuro e crescimento sustentável para a região e, consequentemente, para o nosso Estado. Vamos desenvolver um grande projeto solidário de recuperação de médio e longo prazo. Que seja perene, beneficiando a população e regiões atingidas, trazendo novas oportunidades e perspectivas de futuro para o nosso estado. Não vamos deixar que a escuridão do esquecimento de episódios semelhantes assolem Minas Gerais”.

  • Trechos extraídos do discurso de Ricardo Guimarães durante posse da nova diretora da UBQ no dia 26 de fevereiro.
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