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Parece que não há atividade econômica que não tenha sentido os efeitos da pandemia do novo coronavírus. A maioria se ressente das restrições à circulação de pessoas. Alguns, que fabricam e comercializam itens considerados essenciais ou insumos e equipamentos utilizados no combate à doença, observaram algum crescimento. E uma terceira categoria, ainda menor, sofre no presente mas vê oportunidades surgindo em um futuro próximo.

O setor de seguros é um desses casos raros. Mesmo sofrendo o impacto direto de um volume importante de pedidos de cancelamentos de contratos e pagamento de indenizações acima da média histórica em alguns segmentos importantes, o setor também registra o crescimento da busca, tanto por parte tanto das pessoas físicas como das jurídicas, por algumas modalidades de seguro. Tudo isso pode abrir caminho para a consolidação da cultura de seguros no Brasil.

De acordo com o presidente da Solutions Gestão de Seguros, Sérgio Frade, segmentos como o de seguros de automóveis e seguro-viagem estão paralisados por falta de consumidores. Já outros, como seguro de vida, seguro-saúde e fiança locatícia, por exemplo, vão sofrer com o aumento brusco de indenizações pagas.

“Nesse momento, os seguros-saúde estão arcando com as despesas médicas dos infectados e o segmento de fiança locatícia honrando os aluguéis que deixaram de ser pagos tanto pelas empresas como pelas pessoas físicas em dificuldades financeiras. Esses valores não estavam no planejamento de nenhuma seguradora. Já nos casos dos seguros de vida, ainda cabe discussão. A maioria das apólices não cobre epidemias e pandemias, mas muitas empresas já anunciaram que vão fazer o pagamento.

A Prudential do Brasil, por livre iniciativa, resolveu que, para todas as apólices de seguro de vida individual e em grupo contratadas até 25/03/2020, pagará integralmente as indenizações de morte decorrentes de diagnósticos do Covid-19, mesmo com a cláusula de exclusão de risco para pandemias e epidemias presente nas condições gerais das apólices de nossos seguros de vida.

Para as novas contratações, a partir de 26/03/2020, a empresa se compromete a indenizar os sinistros com diagnóstico de Covid-19, que ocorrerem depois de 90 dias da contratação, até o limite de R$ 3 milhões. Essa definição é válida pelos próximos 6 meses.
De toda forma, esse contexto alcança seguradoras e corretores de seguros que tiveram suas vendas muito afetadas”, explica Frade.

Público corporativo – Entre os seguros que se dedicam ao público corporativo, o patrimonial tem sido alvo de muitas consultas no que diz respeito à cobertura sobre lucros cessantes. Em princípio as apólices não contemplam a hipótese causada por pandemia e a indenização não é devida nesses casos.

Tudo isso acontece quando a cultura do seguro vinha crescendo no Brasil impulsionada pela retomada da economia. De acordo com a Confederação Nacional das Seguradoras (CNSEG), o mercado de seguros nacional fechou 2019 com arrecadação de R$ 270,1 bilhões, excluindo saúde suplementar e o seguro de DPVAT. O aumento nominal sobre o ano anterior foi de 12,1%. Descontada a inflação, o aumento real em comparação a 2018 foi de 8,1%.

Apesar das dificuldades atuais, o setor pode buscar alento nas projeções para um futuro próximo. A procura de seguros de diversas naturezas, tanto para pessoas físicas, como jurídicas, vem crescendo nos últimos dias.

“Cada vez que um evento de grandes proporções e traumático acontece, como um incêndio de grandes proporções ou um tsunami, por exemplo, a busca por seguros aumenta. Novos negócios são gerados porque as pessoas tomam mais consciência da importância da precaução”, avalia o presidente da Solutions Gestão de Seguros.

A mesma avaliação faz o diretor da rede de franquias É Seguro, Adriano Oliveira. A empresa atua 100% no mercado digital. “As pessoas estão ficando mais conscientes. Existe um risco eminente e ninguém sabe de onde vem. Isso assusta e faz com que as pessoas busquem segurança. Como nosso atendimento é totalmente on-line sofremos menos com as restrições de circulação e estamos recebendo clientes que não estão sendo atendidos pelas empresas de base física”, destaca Oliveira.

Com mais gente dentro de casa o empresário viu subir consideravelmente o número de chamados por assistências residenciais – serviços de manutenção – atrelados a seguros residenciais. Da mesma forma está recebendo mais consultas sobre seguros de vida e planos de saúde.

Das 250 unidades da É Seguro, 22 estão em Minas Gerais, responsáveis por cerca de 20% do faturamento da rede. A expectativa para o fim do ano era chegar a 50 franqueados no Estado. O investimento médio para abertura de uma unidade on-line é de R$ 19.900 e para uma loja física de R$ 39 mil.

“Esse é um momento único na história. Trabalhamos junto às seguradoras em busca de soluções para toda a cadeia, inclusive os clientes. Não tivemos queda no segmento corporativo, mas as empresas estão pedindo prazos mais longos. A instrução é de que os nossos franqueados negociem e fortaleçam a sua atuação virtual. Intensificamos nossos treinamentos para isso. Muitos ainda estavam atrelados à sua base de conhecimento local. Essa pode ser uma grande oportunidade de expansão”, analisa o diretor da rede.