O parque têxtil nacional responde por mais de 1 milhão de empregos diretos | Crédito: Divulgação

Com mais de 30 mil empresas que, juntas, faturam em torno de R$ 15 bilhões por mês e geram mais de um milhão de empregos diretos em todo o País, a indústria têxtil, assim como outros importantes setores da economia brasileira, tem amargado grandes prejuízos com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

O setor opera no momento com cerca de 30% da capacidade instalada, mas a situação poderia ser pior, não fosse a conversão das fábricas para a produção de outros produtos e o maior ingresso no comércio virtual.

A explicação é do presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel. Segundo ele, a expectativa é de que, com a flexibilização das medidas de distanciamento social que já começam a ocorrer em várias cidades, a demanda volte a subir. No entanto, ainda existe receio quanto ao comportamento do consumidor.

“Mesmo que o varejo volte, sabemos que o consumidor está mais cauteloso, preocupado com emprego, e que boa parte já está com o salário menor. Por outro lado, o auxílio emergencial do governo federal tem colocado um volume razoável de recursos no mercado. Mas sabemos que itens do vestuário, apesar de necessários, são bens semiduráveis e podem ter a demanda postergada”, explicou.

De toda maneira, conforme o presidente da associação, algumas indústrias já começaram a religar os equipamentos na expectativa do aumento dos pedidos nos próximos meses. A previsão é de que o setor encerre este ano com demanda 30% menor do que em “épocas normais”. Já o faturamento deverá ser entre 13% e 20% menor do que o apurado em 2019. Ele ressaltou, porém, que os números podem ser revistos a qualquer momento.

“No quadro que vivemos, um dia é curto prazo, uma semana é médio prazo e um mês é longo prazo. Tudo vai depender da demanda dos próximos meses. E não é no período pós-pandemia, pois isso está longe de acontecer. É no período com o Covid-19, incluindo todas as inseguranças e medidas de proteção”, opinou.

Desde a chegada da doença ao Brasil, segundo Pimentel, muitas companhias adequaram a produção para confecção de máscaras, aventais e demais equipamentos de proteção individual (EPI) para doação ou comercialização e uso das equipes de saúde em todo o País.

Algumas empresas começaram a produzir também as máscaras de tecido para o uso da população. Ainda assim, a demanda é insuficiente para cobrir os níveis de operações tradicionais.

Apoio – Como forma de orientar os associados, a Abit publicou em seu site instruções para a indústria têxtil e de confecção que deseje reorientar o sistema produtivo para fabricar máscaras, tanto de tecido quanto máscaras cirúrgicas de proteção indicadas a profissionais da saúde para uso hospitalar. As orientações vão desde gramatura, espessura e densidade do tecido utilizado até a forma como os produtos devem ser embalados para distribuição ao comércio.

Já quanto às vendas virtuais, o presidente citou que os negócios que já eram digitais ou já planejavam adotar a estratégia estão conseguindo absorver alguma parte da demanda tradicional existente, a partir da comunicação retomada com o cliente e a fidelização dos mesmos. De toda maneira, ele ponderou que, sozinho, o e-commerce não mantém o negócio de grandes varejistas. “A loja física é e continuará a ser essencial”, afirmou.

Mas enquanto o contato social não é liberado em sua totalidade, a associação tem apoiado as empresas por meio de soluções digitais para estimular os negócios. A iniciativa tem a parceria da Venda e cia e possibilita vendas on-line de maneira rápida, segura e simplificada.

A plataforma permite a gestão de diversos canais, desde lojas on-line B2B, passando pelo varejo, integrações para comercialização dos produtos em marketplaces e fornecimento por meio da força de venda direta. São duas opções à disposição das empresas têxteis e confecções.