Negócios

Maior empresa de criptomoedas compra fatia de Mercado Bitcoin

Gigante de criptomoedas impulsiona mercado brasileiro com aporte na plataforma de ativos digitais
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Maior empresa de criptomoedas compra fatia de Mercado Bitcoin
Foto: Dado Ruvic / Ilustração / Reuters

A maior empresa conhecida de criptomoedas do mundo, Tether, anunciou, nesta terça-feira (7), um investimento de R$ 100 milhões na plataforma de ativos digitais brasileira Mercado Bitcoin.

A plataforma brasileira destinará os recursos à expansão de sua infraestrutura de pagamentos conectada a criptoativos, ao fortalecimento de operações de crédito e empréstimos e ao desenvolvimento de mercados de capitais on-chain (baseados em criptoativos). O investimento também deve facilitar a expansão internacional da companhia.

O aporte está em linha com a estratégia da Tether de apoiar a construção de infraestrutura financeira voltada para aplicações reais, segundo o anúncio do MB. O USDT, criptomoeda com lastro em dólar e emitida pelo gigante dos criptoativos, por exemplo, tem ampla adoção em operações de câmbio e pagamentos no exterior.

Hoje, o MB acumula 4,5 milhões de usuários e atua sob regulação do Banco Central como instituição de pagamento e corretora de títulos e valores mobiliários. A empresa também tem mais de dez licenças regulatórias no Brasil e na Europa. Já foram mais de R$ 155 bilhões transacionados em criptomoedas, segundo o comunicado.

A atual rodada de investimentos ainda não teve valor fechado e será acompanhada pelo SoftBank. O banco japonês liderou uma rodada de investimento anterior de US$ 200 milhões em 2021, o que fez do MB o primeiro unicórnio de criptoativos da América Latina a um valor de US$ 2,15 bilhões.

“À medida que stablecoins, tokenização e serviços financeiros baseados em blockchain avançam rumo à adoção em larga escala, a Tether busca investir em plataformas que combinem profundidade regulatória, escala de mercado e tecnologia capaz de ampliar o acesso a produtos financeiros”, afirmou o anúncio do MB.

“O Mercado Bitcoin construiu exatamente isso: uma plataforma regulada e integrada de serviços financeiros on-chain que atende milhões de usuários em um dos mercados financeiros mais dinâmicos do mundo”, disse Paolo Ardoino, o CEO da Tether.

Desde 2021, a criptomoeda mais usada no Brasil é o USDT, que responde por cerca de dois terços das operações declaradas à Receita Federal. Sua adesão está ligada à maior estabilidade de sua cotação e à sua maior velocidade de processamento -as transações são liquidadas em segundos enquanto uma transferência de bitcoin leva no mínimo 10 minutos.

Ao mesmo tempo, avança no Brasil a Circle, principal concorrente da Tether, cuja taixa de adoção ultrapassou no ano passado a casa dos 10%.

De acordo com o CEO do MB, Roberto Dagnoni, a migração dos serviços financeiros para infraestruturas baseadas em blockchain não é mais uma dúvida. “Essa transição já está em curso.”

“O foco agora é construir a infraestrutura capaz de sustentar a tokenização, as stablecoins [criptomoedas lastreadas no dólar], os pagamentos e os mercados de capitais em escala, transformando a forma como o dinheiro circula, os investimentos são acessados e o capital é alocado”, afirmou Dagnoni.

O Brasil é o principal mercado de criptomoedas da América Latina, segundo relatório da plataforma de monitoramento Chainalysis. “Entre julho de 2024 e junho de 2025, o país recebeu um valor estimado de US$ 318 bilhões via criptomoedas, cerca de um terço de todas as movimentações da região”, diz o relatório.

Conforme a Chainalysis, o mercado brasileiro é atraente devido “à população grande e relativamente jovem, ao setor de fintechs vibrante que garantiu acesso a serviços financeiros para milhões de pessoas e à demanda persistente por stablecoins atreladas ao dólar como proteção contra a inflação”.

A Chainalysis também aponta o Brasil como um modelo regulatório devido a normas publicadas pelo Banco Central desde 2025. A autoridade financeira, contudo, ainda estuda como aplicar o arcabouço recém-criado.

Conteúdo distribuído por Folhapress

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas