Filosofia do grande recomeço, ligada aos conceitos do capitalismo consciente, já estão inseridas na empresa, disse Flam | Foto: Leo Drumond / NITRO

Ajudar a sociedade nesse momento de pandemia levou a Unimed-BH, presente na vida de 1,3 milhão de pessoas na Grande Belo Horizonte, a receber o prêmio José Costa 2020 na categoria Qualidade de Vida. “Mesmo antes da OMS (Organização Mundial de Saúde) alertar que o vírus se alastraria pelo mundo, montamos, em fevereiro, um comitê de ação e combate à Covid-19”, lembrou o diretor-presidente da operadora de saúde, dr. Samuel Flam.

Entre as medidas, aumentaram o número de leitos de CTI e a capacidade dos hospitais; dividir as portas de acesso e, no dia 18 de março, lançaram a consulta on-line, que, hoje, contabiliza mais de 100 mil atendimentos realizados.

Além do grande público, a empresa olhou também para as questões internas e colaboradores. “Quem era possível ir para home office, foi. Para quem esteve na linha de frente, garantimos material de proteção para evitar o contágio. Tivemos forte interação com cooperados e os que estivessem em situação de risco não deveriam estar na linha de frente e trabalhamos com hospitais parceiros para trocar informações e analisar protocolos, além de adicional para compra de EPI”, lembra Flam.

Na cidade de Belo Horizonte, entregaram ainda à Secretaria Municipal de Saúde a estrutura de atendimento para consulta on-line, evitando que pessoas saíssem de casa e se aglomerassem na recepção de hospitais, “gerando mais segurança para a sociedade como um todo”, resume o diretor-presidente da Unimed-BH, ao dizer que as ações são fruto de uma visão social, dos grandes públicos e da própria responsabilidade como uma cooperativa de trabalho médico. Visão necessária quando se tem quase um quarto da população de Belo Horizonte como cliente.

De acordo com Flam, a Unimed-BH tem 1,3 milhão de clientes, mais de 5 mil médicos cooperados e 300 clínicas e hospitais contratados, além de, no momento da pandemia, o serviço prestado à prefeitura.

As ações e tamanho da empresa estão refletidos, também, em nível mundial. Desde 2012, a Unimed-BH é signatária do Pacto Global da ONU e esteve no Fórum Econômico Mundial em 2017 para debater o tema. “Essas ações foram motivo de convite para a Unimed-BH participar do Fórum Econômico Mundial, no que eles estão chamando de The Great Reset, o Grande Recomeço. Com muito orgulho fomos a única empresa de saúde do Brasil a ser convidada”, afirma Flam.

A filosofia do grande recomeço, intimamente ligada aos conceitos do capitalismo consciente, já está inserida na empresa, de acordo com as palavras do presidente: “Temos que trabalhar o conceito de resultado. Mas ele deve ser financeiro e social. Se trabalharmos só o lucro, vamos nos perder no meio do caminho e não seremos vistos como uma empresa de segurança por nossos clientes. Temos ampliado a visão sobre a nossa sociedade e ambiente, para que se cresça cuidando da população”, conclui.

Melhoria da gestão pública na pauta do Sistema OSB

Ribas: somos os donos dessa empresa chamada município | Crédito: Divulgação

Há mais de 10 anos, o empresário Ney Ribas se dedica integralmente, como voluntário, no Observatório Social do Brasil, instituição não governamental, sem fins lucrativos, disseminadora de uma metodologia padronizada para a criação e atuação de uma rede de organizações democráticas e apartidárias do terceiro setor. O Sistema OSB é formado por voluntários engajados na causa da justiça social e contribui para a melhoria da gestão pública através, principalmente, do controle social sobre os gastos públicos.

Atualmente, Ribas preside a unidade de Curitiba do conselho superior do OSB e é gestor nacional da Força Tarefa Cidadã, um projeto específico para monitoramento dos gastos da Covid. Sobre a premiação na categoria Qualidade da Democracia do prêmio José Costa 2020, ele lembrou que, em 2004, por conta de desvios em prefeituras municipais, nascia o Observatório Social do Brasil.

“Cidadãos se uniram para cuidar, através de ações preventivas, da forma como o dinheiro dos nossos impostos é gasto pelas prefeituras e vereadores em cada município”, resume Ribas, à frente do projeto que hoje reúne mais de 150 cidades e cerca de 3,5 mil voluntários unidos no propósito de contribuir para a gestão pública, agindo de maneira integrada, por meio de uma metodologia padronizada.

Os propósitos são claros: cuidar da forma como o dinheiro público está sendo gasto, educar crianças para ter conhecimento de cidadania, ampliar e melhorar o ambiente de negócios e trabalhar a transparência dos gastos públicos no acesso à informação e trazer indicadores sobre os resultados de onde está aplicado o dinheiro dos nossos impostos.

Sobre a base do movimento, que é convocar cidadãos e eleitores exercerem seus direitos e deveres de cidadania, Ribas explica: “É um projeto de inovação social que propõe que cada cidadão, de onde estiver, dentro de sua área de conhecimento, possa exercer sua cidadania, atuar da forma como puder para cuidar da nossa sociedade. Nós somos os donos dessa empresa chamada município. A dona de casa pode trabalhar no Observatório Social como voluntária, a professora aposentada, o advogado, o médico e o engenheiro, também”, ele afirma que uma mãe, por exemplo, pode ajudar a monitorar como a merenda escolar é servida na escola de seu filho e um pedreiro pode conferir o andamento de uma obra em sua cidade.

Ao se voluntariar para atuar no Observatório Social do Brasil, a pessoa passa por uma análise do perfil e é capacitada para atuar em sua área de interesse. Para fazer parte, acesse: https://osbrasil.org.br/. Cidadania simples assim.

ArcelorMittal: respeitar é o mínimo e não o máximo

Para Paula Harraca, as empresas têm responsabilidade de acelerar movimentos sociais | Crédito: ADRIANO MACEDO-DIVULGAÇÃO

A ArcelorMittal foi indicada para receber o Prêmio José Costa 2020 em diversas categorias, pelos mais diversos projetos e ações que incluem proteção ambiental, diversidade de gênero, respeito às pessoas, inovação e tecnologia, sendo reconhecida como vencedora na categoria Produção Responsável e Competitividade.

A diretora de pessoas e inovação da ArcelorMittal Brasil, Paula Harraca, só em Minas Gerais à frente de 10 unidades industriais administrativas e quase 5 mil colaboradores, ressaltou os caminhos que levaram ao reconhecimento. “É um conjunto de princípios e atuação de longa data que vêm se aprimorando ao longo da jornada. Uma história pautada em um relacionamento responsável com colaboradores, clientes e comunidades com as quais nos relacionamos”.

A ArcelorMittal acredita que respeitar as pessoas é o mínimo e não o máximo. “Sabemos da nossa responsabilidade na esfera econômica, nossa contribuição para o desenvolvimento das sociedades em que atuamos, na formação de cidadãos responsáveis e comprometidos com a construção de um mundo melhor. Trabalhamos para ser uma empresa que a sociedade queira que existe”, afirma.

Trajetória, princípios e valores são palavras muito repetidas pela diretora que nos conta, ainda falando sobre os temas do prêmio José Costa, que a ArcelorMittal, em 2014, através de seu comitê mundial, definiu, em 2014, 10 diretrizes de desenvolvimento sustentável pautadas nos 17 objetivos do desenvolvimento sustentável da ONU. Ela diz que o primeiro deles trata de trabalho seguro, saudável e com qualidade de vida para os empregados da empresa.

Na condição de liderança dentro de uma multinacional, pedimos a Paula Harraca uma sugestão para construir o futuro sem deixar ninguém para trás. Ela sugeriu: “Cabe a nós, às empresas, ir além. Empresas têm responsabilidade de acelerar movimentos sociais, gerar oportunidades e buscar inclusão social. Trazendo grupos minoritários, dando voz, escutando e sendo empático, participando de atividades além da realidade da organização”.