Copa, férias e festas juninas aquecem o varejo, mas gestão define quem lucra
Os meses de junho e julho reúnem uma combinação importante de estímulos ao consumo no mercado brasileiro. O Dia dos Namorados, as tradicionais festas juninas e julinas, o início das férias escolares, o encerramento do primeiro semestre e, em anos como este, a Copa do Mundo podem impulsionar significativamente as vendas no varejo.
O aumento natural da demanda, no entanto, não garante lucro. Para o economista e mestre em Administração, com foco em marketing e vendas, Matheus Mundim, o período funciona como um teste de maturidade para as empresas e pode representar tanto uma oportunidade de crescimento quanto o início de uma crise de gestão.
“Mercado aquecido ajuda, mas não substitui gestão. O que vemos é que algumas empresas aproveitam esses momentos para acelerar o crescimento, enquanto outras passam o mês inteiro apagando incêndios. A diferença está na preparação”, afirma.
O que diferencia as empresas que crescem
Para o especialista, o sucesso comercial depende de planejamento. Segundo ele, as empresas que transformam a sazonalidade em resultados consistentes costumam se apoiar em três pilares:
- Planejamento antecipado: as empresas estruturam campanhas semanas antes do pico de demanda. Segundo Mundim, reagir apenas quando o movimento aumenta reduz a eficiência das ações e amplia o desperdício de recursos.
- Velocidade: o consumidor espera respostas rápidas. Em muitos segmentos, quem atende primeiro aumenta as chances de fechar a venda. Por isso, a agilidade no atendimento tornou-se um diferencial competitivo.
- Visão de longo prazo: empresas mais preparadas utilizam o período para planejar o restante do ano. Segundo o especialista, o segundo semestre começa a ser construído ainda durante esse ciclo de vendas.
Marketing e atendimento precisam caminhar juntos
Um erro frequente é concentrar investimentos na atração de clientes sem preparar a equipe comercial para atender ao aumento da demanda.
Segundo Mundim, muitas empresas conseguem atrair clientes por meio do marketing digital, mas perdem vendas pela demora no atendimento.
Como alternativa, cresce a busca por estruturas comerciais terceirizadas e especializadas, capazes de ampliar a capacidade de atendimento sem aumentar a complexidade da operação.
Inteligência artificial ganha espaço nas vendas
Com o avanço da inteligência artificial (IA), a automação tende a ganhar espaço nas operações comerciais. Mundim, no entanto, alerta que a tecnologia, sozinha, não garante resultados.
“A IA permite ganhar escala e velocidade, mas só gera resultado quando está integrada a processos bem definidos. Quem fizer isso corretamente terá uma vantagem competitiva importante nos próximos anos”, acrescenta.
Colaborador
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