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A CPI da Covid-19

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Ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, depõe na CPI da Covid-19
Crédito: REUTERS/Adriano Machado

Os trabalhos da CPI da Covid têm mostrado quão impressionantemente devastador é o nível de corrupção existente nesse governo! Inapelavelmente criminosa, sobretudo pelo número de mortes que tem causado e pelo envolvimento de diferentes setores do mundo político, militar, empresarial…. Desde elementos da Polícia Militar até oficiais de diferentes patentes do Exército (general, coronel, tenente-coronel e outros), passando por líderes do governo na Câmara, ministros, diretores e funcionários do Ministério da Saúde, empresas envolvidas na oferta de vacinas com preços “interessantes” e propinas polpudas, além de empresários conhecidos e bem-sucedidos (um ex-assessor do ministro da Saúde era considerado,  por sua performance, o “ministro de fato” ) .     

A Polícia Federal abriu inquérito para apuração da compra de vacina indiana Covaxin, que, diga-se de passagem, foi incentivada por Bolsonaro em carta enviada ao premiê da Índia apoiando a compra e solicitando o apressamento da entrega. Mas a corrupção é mais ampla, ultrapassando os interesses pecuniários na compra da vacina indiana e envolvendo muita gente, várias empresas e até mesmo dirigentes evangélicos (um desses, ligado ao presidente e à sua esposa, é sócio de várias empresas e criador de entidades, bastante suspeitas, que atuam no âmbito das relações exteriores com Israel e Estados Unidos (ver CartaCapital, 21/07/21, pp10-15). Fica notório o tráfico de influência, a montagem de esquema de compra irregular de vacinas por preços fabulosos e pedidos de propina. As denúncias de irregularidades apresentadas pelo chefe da Divisão de Importação da Saúde, Luiz Ricardo Miranda, e por seu irmão, deputado Luiz Miranda, foram ignoradas pela Presidência da República, sempre com uma suposta indiferença  e um total menosprezo pelas advertências de especialistas da Saúde, pelos conhecimentos científicos defendidos pela Anvisa e outros organismos internacionais, e mesmo pelos manifestos assinados por diferentes setores da sociedade cientifica e civil. 

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No início das denúncias, o presidente afirmou que “isso era coisa do Roberto Dias”, e, posteriormente, que o escândalo da Covaxin era de responsabilidade de Ricardo Barros (seu líder na Câmara), mas não tomou nenhuma providência. Prevaricações, para dizer com todas as letras.   Vale lembrar que as atitudes do Bolsonaro encontram respaldo nos líderes do seu governo, em várias instâncias, inclusive na Câmara, onde o líder do governo é responsável pelo esquema de compras irregulares. Com um passado cheio de deslizes, Ricardo Barros teve o seu mandato como prefeito de Maringá cassado pela Justiça Eleitoral; no governo Temer, como Ministro da Saúde, foi denunciado por improbidade administrativa (fraude na aquisição de medicamento). Por outro lado, não se pode esquecer do vultoso gasto representado  pela compra de cloroquina, esquematizado por dois bem-sucedidos homens de negócios que defendiam o tratamento precoce  (hidroxicloroquina e ivermectina)  e faziam parte do gabinete paralelo.

Mais impressionante ainda é a tendência a depoimentos mentirosos por parte dos investigados. Todos, sem exceção, tentaram driblar as acusações e afirmar as respectivas inocências. E todos, sem exceção, foram devidamente desmascarados.

Ficaram confirmadas as irregularidades cometidas pelo Ministério da Saúde na compra da vacina indiana Covaxin, assim como a interferência de militares e funcionários do Ministério da Saúde ou mesmo de órgãos do governo (Secretaria de Comunicação do Planalto, por exemplo) nas negociações com preços acima do normal, pedidos de propina pelas vacinas oferecidas pelas diferentes empresas (Davasti, Global Gestão, Precisa Medicamentos ─ cujo dono, um dos investigados pela CPI também é ligado a Ricardo Barros ─ Belcher do Brasil (empresa de Maringá, reduto de Ricardo Barros), União Química ─ cujo representante também é próximo do deputado em questão ─,   a Beep  Saúde, do grupo BR MED. Todos com papel de destaque nessas tramas. E todos, por inépcia ou falta de caráter, responsáveis pela tragédia imposta ao povo brasileiro.

Também ficou provada a negligência do governo na compra de vacinas quando o número de mortes não tinha ainda atingindo 300 mil, apostando na compra de imunizadores comprovadamente sem nenhum efeito positivo no combate à pandemia, como a cloroquina.  Apesar das ofertas de várias produtoras de vacina reconhecidas internacionalmente, como a Pfizer, Coronavac, Jansen, que já tinham representantes no Brasil (Butantan, Pfizer, Johnson & Johnson), mas foram ignoradas desde o início pelo governo e pelo Ministério da Saúde, que segundo seus ocupantes, apenas implementava a política estabelecida pelo presidente.                        

Sem vacinas, sem máscaras, sem cuidados e sem isolamento a pandemia se desenvolveu rapidamente e a CPI demonstra, a cada dia mais claramente, o esquema de corrupção que tomou conta desse governo.

Resta saber se a CPI terá ainda o poder de desmascarar inapelavelmente o líder do governo na Câmara (a sessão de quinta-feira (12) foi um horror.), se o relatório final dos trabalhos da comissão listando os crimes cometidos pelo presidente e pelos  elementos envolvidos terão o resultado esperado e  se o STF e a PGR terão sucesso na condução da notícia crime contra Bolsonaro por prevaricação no caso da Covaxim.

*Doutora em Sociologia, professora aposentada da UFMG/Fafich | nair.mulsbhz@gmail.com
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