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A crise humanitária que nos assola

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Crédito: Diego Vara/Reuters

“Os óbitos poderão chegar a 500 mil, 600 mil”. (Vaticínio da médica Ludhmila Hajjar, que se recusou assumir a pasta da Saúde)

Flagrantes lúgubres da atualidade brasileira.  330 mil óbitos provocados pela pandemia. Esse número pode subir, em curto espaço de tempo, para 500 mil, ou mesmo 600 mil, vaticina a médica Ludhmila Hajjar, que recusou convite para assumir a pasta da Saúde.

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A funesta previsão é compartilhada por cientistas e médicos conceituados. No mundo, ocupamos o segundo lugar em casos fatais e contaminações. Somam mais de 13 milhões as pessoas infectadas no território nacional. A “gripezinha de nada” que, consoante o alto escalão negacionista, deu vaza a “mimimis de maricas”, vem acumulando em nossas plagas recordes mundiais diários de sepultamentos, cremações e hospitalizações. O colapso do sistema hospitalar assumiu proporções de extrema dramaticidade. Faltam leitos nas UTIs e enfermarias. Muitas UPAs, abarrotadas de pacientes, foram transformadas em precários “hospitais de campanha”. Nos postos de atendimento há filas pra tudo. Até para preenchimento de ficha de consulta. Os estoques das casas de saúde acusam atordoantes carências de medicamentos e equipamentos essenciais. Corpos sem vida jazem empilhados em locais impróprios, aguardando sepultamento. Em cemitérios constata-se a abertura de covas extras como consequência da demanda intensificada. Seja frisado que aos familiares é vedado prantear entes queridos, conforme sagrados e tradicionais ritos, na hora dolorida do adeus.

Assinala-se sobrecarga de atendimentos, gerando também filas, nos cartórios encarregados de registros de falecimentos. Com as atividades econômicas prejudicadas, o desemprego e o subemprego assumem descomunal proporção. Fica evidente que, em circunstâncias assim, o relacionamento cotidiano é afetado nos planos familiar, profissional, social.

O desemprego em massa eleva os índices de miséria absoluta. As enfermidades inesperadas oriundas do confinamento fazem-se frequentes.

Já quanto à almejada e indispensável vacinação em massa, o que se vê, espantosa e deploravelmente, é uma lentidão que lembra, como se propala nos papos de rua, caminhar de tartaruga. Dois meses passados e a aplicação da primeira dose não atingiu nem 8 por cento do público-alvo.  Estimativa de órgão oficial dá conta de que, mantida a marcha atual da carruagem, a aplicação da primeira dose da imunização só estará concluída em meados de 2023. Seja acrescentado que, várias vezes, as aplicações tiveram que ser bruscamente interrompidas, por falta de insumo básico…

Paralelamente a tudo isso e a outras mazelas vividas pela sociedade, aqui não listadas, adquirem contorno, no cenário nacional, ampliando o leque das aflições comunitárias, deletérias manifestações batizadas popularmente como negacionistas. Têm por procedência núcleos raivosos do fundamentalismo político e religioso, exímios propagadores de absurdidades nas redes sociais. Empenham-se em alvejar valores civilizatórios contrapondo-se, às vezes dissimuladamente, outras vezes escancaradamente, às instituições democráticas e republicanas. Muitas dessas ações trazem à lembrança dos observadores políticos imagens dos sinistros “camisas pardas” …

A opinião pública, traduzindo o sentimento das ruas, vem expressando seu inconformismo com relação aos fatos estarrecedores narrados. Cobra providências dos setores competentes, lamentando a inépcia evidenciada na gestão dos tormentosos problemas que penalizam indistintamente todas as camadas da população, onerando de forma mais contundente os despossuídos sociais. Critica acerbamente a falta de planejamento, a ausência de coordenação competente na condução das medidas de combate à crise humanitária que sacode o país.

Voltaremos ao assunto.

*Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)
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