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Opinião

A Festa da Francofonia

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Celebrando o dia Internacional da Francofonia, 20 de março, deu-se a abertura oficial da 5ª edição da Festa da Francofonia, iniciativa da Aliança Francesa de Belo Horizonte, da Embaixada da França, do Institut Français du Brésil, da Câmara de Comércio Brasil-Canadá, dos Consulados Honórarios da Bélgica e da França em Belo Horizonte.

A abertura contou com a presença do embaixador da Bélgica no Brasil, Patrick Herman, e do cônsul-geral da França no Rio de Janeiro, Jean-Paul Guilhaumé. Ambos, em suas falas, ressaltaram a importância da língua e da cultura francesa no mundo assim como a particularidade da Bélgica, que, ao lado do francês, tem como língua oficial ainda o flamengo (ou neerlandês) e o alemão.

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Dado ao lugar ocupado pela língua e pela cultura francesa no mundo e ao número de francofones espalhados por este planeta (cerca de 300 milhões, segundo o cônsul-geral da França) foi fundada em 2004, a Organização Internacional da Francofonia, que busca não só fortalecer os laços entre a língua e a cultura francesa e os diferentes países francófonos, como criar um espaço de solidariedade e de cooperação científica e cultural, dentro do pluralismo, da diversidade de línguas e das riquezas das diferentes culturas, visando o desenvolvimento sustentável e uma sociedade mais justa.

No Brasil, o convívio com a língua, com a literatura e com historia francesa é antigo (pelo menos para as classes mais favorecidas). A língua era ensinada nos colégios de freiras francesas; a leitura de autores franceses fazia parte da nossa formação cultural; a Revolução Francesa iniciada em 1789, o Iluminismo, a instalação dos Estados Gerais, a tomada da Bastilha, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, aprovada em agosto de 1789 estabelecendo o direito natural do homem à liberdade, à igualdade, à propriedade e à segurança; a Comuna de Paris e todos os impasses que se seguiram, marcando inclusive a história da Europa, nos acompanharam e ficaram no imaginário brasileiro também.

Até hoje temos uma forte ligação com o pensamento, com a gastronomia e culinária, com a literatura, com o cinema, com o teatro e com a música francesa e, sobretudo, com as universidades francesas. Muitos de nossos acadêmicos e intelectuais fizeram seu mestrado ou seu Doutorado naquelas terras: ou na França ou na Bélgica.

Por outro lado, um detalhe importante para o embaixador da Bélgica é que o multilinguismo e a diversidade étnica ou cultural é quase uma regra entre os países francófonos. Seja na África, em certos países das Américas (Canadá e Caribe) colonizados por franceses e belgas ou mesmo em certas regiões da Europa, a história mostra como a língua francesa teve o seu lugar mesmo em regiões germânicas e italianas e permaneceu fortemente enraizada na parte que se tornou o sul da Bélgica (Walonia); e mesmo Flandres, na parte sul dos Países Baixos, que, com a independência em 1831, se tornou parte da Bélgica, embora tivesse suas raízes, cultural, religiosa, linguística e étnica, na Holanda. A riqueza trazida pela exploração do carvão e pela siderurgia na Walonia e Bruxelas levou, em primeiro lugar, a uma marginalização do neerlandês; em segundo lugar, a uma “francesização” da burguesia flamenga que, nos séculos 18 e 19, sobretudo em Gand, Antuérpia e Bruges, se ligavam à língua e aos valores franceses; e, em terceiro, mas não em último na importância, à predominância do francês na administração, nos mundos jurídicos e universitários. A luta dos flamengos pelo reconhecimento de sua língua, de sua cultura e de sua religião, assim como pela legitimidade do exercício de poder dentro do país, levou a um federalismo assimétrico de comunidades e regiões, onde cada uma das regiões exercem suas competências com autonomia, inclusive a nível internacional. E hoje, tanto o Estado Federal quanto a comunidade Francesa da Bélgica (Federação Walonia-Bruxelas – FWB) são membros da Organização Internacional de Francofonia, da qual fazem parte também a França, o Canadá e a Suíça.

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Compartilhando valores defendidos também pela Bélgica, a Organização Internacional da Francofonia tem, entre outros objetivos, o de contribuir para o fortalecimento da democracia; a prevenção, a gestão e a resolução de conflitos; o apoio ao Estado de Direito e aos Direitos Humanos; ao diálogo entre culturas e civilizações; a reconciliação dos povos através de seu conhecimento mútuo; o fortalecimento da solidariedade através de ações de cooperação multilateral com vistas ao favorecimento do crescimento de suas economias, da promoção da educação e do ensino superior, da pesquisa e da cooperação científica”, assegura o embaixador belga.

A Festa da Francofonia se encerra no dia 31 de março e tem um programa variado: exposições de fotografia (Olhares Cruzados Brasil-Canadá, na Casa Fiat de Cultura); conferência do filósofo francês Maxime Rovere, da PUC/RJ, com a mediação da também filósofa Telma Birchal, da UFMG; mostra de cinema ─ documentários de cineastas franceses, belgas, suíços e africanos e filmes de diretoras francófonas (francesas, belgas, tunisianas e suíças) a terem lugar no Sesc Palladium.

Shows musicais e peças teatrais famosas também fazem parte da programação, que, aliás, parece excelente. (Para maiores informações acessar o site

www.festadafrancofoniabh.wordpress.com).
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  • Doutora em Sociologia, professora aposentada da UFMG/Fafich
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