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Opinião

Afronta à produção científica e a diáspora dos cérebros

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Crédito: Freepik

A evasão de cérebros é sempre uma situação constrangedora para qualquer país que deseja se desenvolver e marcar presença na solução de problemas ─ através do conhecimento científico e da pesquisa ─ que afetam a sociedade, seja no plano econômico, político, social ou cultural.  No momento, a evasão de cérebros no Brasil  tem registrado números sem precedentes.

O governo federal, indiferente aos rumos da ciência no País, insiste em negar apoio às pesquisas científicas. Naturalmente que nem sempre os governantes têm conhecimento ou contam com pessoas para avaliar o quão relevante para a sociedade é a educação e o avanço científico para solução de diferentes problemas apresentados pela sociedade. Todavia, no Brasil, temos não só universidades reconhecidamente de primeiro nível, inclusive internacionalmente, como grupos de cientistas também muito competentes, capazes de promover e colocar a ciência na compreensão dos problemas que afetam os diferentes âmbitos e níveis da sociedade brasileira e apresentar soluções para os problemas existentes, sejam no nível da produção econômica (industrial ou agrícola), dos serviços, da tecnologia, da saúde, do desemprego, das camadas excluídas, ou de problemas de outras naturezas de modo a assegurar não só o desenvolvimento necessário como o bem-estar geral da população brasileira.

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Um exemplo concreto e recente: uma estudante carioca acaba de vencer um concurso da Unesco “Como vencer a pobreza e a desigualdade”, concorrendo com 50.000 participantes. Aluna da Faculdade de Direito da UFRJ.

Recentemente, o professor Renato Janine, ex-ministro da Educação, apontou a gravidade da situação. Recursos que deveriam ser investidos em projetos de pesquisas em diferentes áreas do conhecimento já aprovados, tem sido desviados para o Ministério da Economia para pagar dívidas públicas. Desvio ilegal e com consequências irreversíveis.

       Lamentavelmente isso vem ocorrendo com frequência, e o prejuízo ao desenvolvimento científico e tecnológico é inquestionável, uma vez que a interrupção de uma pesquisa pode não apenas atrasar os resultados como inviabilizar o processo. São danos inestimáveis.

Resultado inconteste, com sequelas profundas e irreversíveis: desilusão dos acadêmicos, sobretudo de jovens estudantes e jovens professores que começam a procurar universidades e institutos estrangeiros para a continuidade dos estudos e trabalhos de pesquisa. E o pior: sem intenção de voltar. Uma verdadeira evasão de cérebros.

A Revista Piauí, deste mês, apresentou um estudo importante sobre o assunto (Herton Escobar, “A diáspora: porque os cientistas brasileiros estão indo embora do Brasil”). Mostrando o desmoronamento da ciência brasileira, desrespeitada pelo governo federal, acusa a recente punhalada: corte de 92% num crédito destinado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (PLN 16). Ou seja, a pasta vai receber apenas 52,2 milhões de reais de um montante de 600 milhões que lhe estava destinado. Parte desse valor era destinado a projetos de pesquisa, bolsas de iniciação científica, apoio técnico. Enfim, ao desenvolvimento do conhecimento e da produção científica. 30 mil cientistas fizeram projetos. Vale lembrar que parte desse valor vem do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, que arrecada impostos de empresas para esse fim. Vale lembrar também que essas empresas estão indignadas.

    Felizmente, cientistas e entidades representantes do mundo acadêmico ─  Academia Brasileira de Ciências, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência ─ apontam o afrontamento do Ministério da Economia ao desenvolvimento nacional e estão reagindo, procurando reverter a situação, programando o Dia de Mobilização em defesa da ciência,  com manifesto a ser entregue aos parlamentares.

    Nas palavras do professor doutor Renato Janine, o corte das bolsas de pesquisa configura o descaso com que este governo trata a ciência e o conhecimento científico e tecnológico.  Causa perplexidade, por exemplo, o que observamos durante a pandemia: o descuido total com as pesquisas por parte do governo federal. Ao contrário do que se espera de qualquer governo, não houve preocupação de favorecer o avanço nos estudos sobre o vírus e tampouco houve qualquer apoio aos protocolos de cuidados  que os cientistas  apresentaram para diminuir os impactos da doença. 

É inegável que, apesar disso, as universidades e institutos de pesquisa trabalharam com afinco na busca de soluções preservativas como elaboração de álcool gel, distribuição de  máscaras entre outros.  E está mais do que provado que o nível de mortes por Covid no Brasil se deve ao descaso com a ciência, com o conhecimento e com as pesquisas científicas, num processo de desmantelamento programado das universidades públicas.

*Pós-doutora em Administração e em Engenharia da Produção, professora aposentada da UFMG/Face / Pós-doutora em Sociologia e professora aposentada da UFMG/Fafich | nair.mulsbhz@gmail.com
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