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Brasil é o sétimo país de origem de turistas corporativos nos Estados Unidos

País tem um peso considerável no cenário global de business travel
Brasil é o sétimo país de origem de turistas corporativos nos Estados Unidos
Crédito: Adobe Stock

O Brasil é o 7º maior país de origem de viajantes corporativos para os Estados Unidos, à frente da França e da Itália, segundo levantamento que acaba de ser publicado pela Booking.com. Em um ranking onde os dez primeiros países respondem por quase dois terços de todo o tráfego internacional de negócios para os EUA, essa posição não é detalhe. É uma declaração sobre o peso do Brasil no cenário global de business travel.

Os dez países que lideram esse ranking respondem por 64% de todas as visitas internacionais de negócios ao país. A Índia lidera, com 10% do total. O Reino Unido vem em seguida, com 9,6%. A China, com 9,5%, reflete o tamanho das cadeias produtivas que conectam as duas maiores economias do mundo. O Brasil, em 7º lugar, divide esse espaço com países de longa tradição comercial com os EUA e infraestruturas corporativas muito mais consolidadas. Isso não aconteceu por acaso. É resultado de décadas de construção de relações comerciais, da presença crescente de multinacionais no Brasil e da expansão de empresas brasileiras com operações ou parcerias nos Estados Unidos.

Quem viaja com frequência aos EUA, a trabalho ou a lazer, reconhece algo que é difícil de articular na primeira vez, mas que se confirma em cada visita. A infraestrutura turística americana é de outro nível. Não porque os atrativos sejam superiores aos de outros países. Mas porque a comodidade da vida cotidiana americana transborda naturalmente para a experiência do visitante. Estruturas de mobilidade, serviços, comunicação e orientação aos turistas (nacionais e internacionais, vale a pena reforçar) saltam aos olhos.

Além disso, é admirável a capacidade de absorver grandes volumes de pessoas sem que isso vire caos. Eventos de escala global raramente se tornam problemas operacionais visíveis. É algo que o Brasil e algumas cidades europeias, Barcelona e a pitoresca Vila de Hallstatt, na Áustria, são exemplos recorrentes, ainda têm muito a aprender.

Para o viajante corporativo, essa infraestrutura não é apenas conforto. É eficiência operacional. Chegar, deslocar-se, reunir-se e partir sem fricção é um diferencial que impacta diretamente a produtividade de quem viaja a negócios.

Por anos, o roteiro corporativo nos EUA seguiu uma lógica previsível. Nova York para finanças e serviços profissionais, com 17% de todas as visitas internacionais de negócios ao país. Los Angeles para o comércio com a Ásia-Pacífico, com 13,8%. San Francisco, com 10,8%, sustentada pela proximidade com o Vale do Silício. Esse mapa ainda é válido. Mas está mudando.

No Texas, Austin se consolidou como um dos destinos corporativos de maior crescimento dos EUA. A migração de grandes empresas de tecnologia que deixaram a Califórnia em busca de menor carga tributária e custo operacional acelerou esse movimento. Tesla, Oracle e várias outras transferiram sedes ou expandiram operações significativas para o estado. Austin deixou de ser destino de nicho. Virou pauta recorrente de agenda corporativa.

A Flórida segue um movimento parecido, mas com uma lógica geopolítica própria. Miami concentra 10,6% de todas as visitas internacionais de negócios aos EUA e funciona como ponto de conexão natural entre o mercado americano, a América Latina e o Caribe. Nos últimos anos, o Brickell consolidou sua posição como o principal distrito financeiro da América Latina, atraindo sedes de grandes gestoras globais como Citadel e Blackstone, que deixaram Chicago e Nova York em busca de ambiente tributário mais favorável e posição geográfica estratégica entre dois hemisférios.

Orlando, frequentemente associada ao turismo de lazer, revela uma face corporativa que poucos ainda enxergam com clareza. A cidade é hoje o terceiro maior polo de convenções e eventos corporativos dos Estados Unidos, atrás apenas de Las Vegas e Chicago. Eventos corporativos e viagens corporativas são faces da mesma moeda, e Orlando tem se consolidado como um dos destinos mais relevantes para quem precisa reunir equipes, parceiros e clientes em escala.

Essa demanda crescente tem respaldo na oferta aérea. O acordo de céus abertos assinado entre Brasil e EUA em 2021 expandiu significativamente a liberdade operacional das companhias aéreas entre os dois países. O resultado é visível: em 2025, o Brasil registrou crescimento de 9% na capacidade de assentos para os EUA, liderando o aumento de conectividade aérea na América do Sul, que somou quase 800 voos semanais diretos entre os dois países, com operações de LATAM, Gol, American Airlines e United. Infraestrutura existe. Demanda existe. Conectividade cresce.

O 7º lugar no ranking de origem de viajantes corporativos para os EUA confirma o peso do Brasil no cenário global de business travel. O 10º lugar no ranking mundial de consumo em viagens corporativas reforça essa leitura. Mas o Brasil ainda convive com programas de viagens subgerenciados, políticas desatualizadas e adoção de tecnologia muito abaixo do seu potencial. Transformar esse volume de deslocamentos em programas mais inteligentes, mais eficientes e mais estratégicos é a conversa que o mercado brasileiro precisa ter com mais seriedade. A posição no ranking confirma o que o Brasil já é. O que vem a seguir depende do que decidimos fazer com o que temos.

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