O Brasil já alimenta o mundo
O agronegócio brasileiro vive um momento histórico. No primeiro trimestre de 2026, o setor alcançou US$ 38 bilhões em exportações e superávit de US$ 33 bilhões, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), reforçando sua posição como um dos principais motores da economia nacional.
Mas o dado mais estratégico está na composição desse resultado. No mesmo período, o volume exportado cresceu 3,8%, enquanto o preço médio recuou 2,8%. Ou seja, seguimos vendendo mais, sem capturar, na mesma proporção.
Esse é o próximo desafio do agro brasileiro. O País já demonstrou capacidade de produzir com escala, tecnologia e competitividade. Agora, precisa avançar em uma agenda baseada em inovação, processamento, rastreabilidade, sustentabilidade e diferenciação para ampliar o valor agregado da produção.
A discussão ganha força em um cenário global de busca por eficiência. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) alerta que o mundo segue distante da meta de reduzir pela metade o desperdício de alimentos até 2030. Produzir mais continuará sendo importante, mas aproveitar melhor o que já é produzido será determinante para a competitividade.
Reduzir perdas, ampliar o processamento, investir em rastreabilidade, certificações, bioinsumos e agricultura regenerativa deixou de ser apenas uma agenda ambiental. Tornou-se uma oportunidade econômica para aumentar a rentabilidade de toda a cadeia.
Nesse processo, agtechs e foodtechs ganham protagonismo ao desenvolver soluções para produtividade, logística, crédito, rastreabilidade, bioeconomia, novos alimentos e redução de desperdícios. O desafio agora é criar um ambiente que permita a essas empresas ganhar escala, com acesso a capital, governança e maior integração com o mercado.
Também precisamos mudar a lógica de geração de valor. O Brasil não pode se limitar à exportação de matéria-prima. Há espaço para ampliar a participação em alimentos processados, ingredientes, biotecnologia, certificações, soluções digitais e tecnologias voltadas à produção sustentável.
Hoje, investidores, consumidores e compradores internacionais avaliam não apenas quanto produzimos, mas como produzimos. Eficiência, inovação e sustentabilidade passaram a influenciar decisões de investimento e acesso aos mercados.
O Brasil reúne todos os atributos para liderar essa nova etapa: escala, conhecimento técnico, empresas inovadoras e um ecossistema crescente de startups voltadas ao agronegócio. O próximo passo é transformar esses ativos em vantagem competitiva.
Continuaremos sendo uma potência agrícola. Mas o futuro dependerá cada vez mais da capacidade de agregar valor à produção, desenvolver tecnologia e oferecer soluções para os desafios da segurança alimentar global.
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