O caos climático

Acelerando, cenário cobra preços altos em todo o mundo
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O caos climático
Foto: Reuters

“O caos climático está acelerando e atrasar a ação é mortal.” (António Guterres)

Colossal geleira desaba na Cordilheira do Himalaia, teto do mundo, arrasando extensas áreas do Tibete e Nepal. Apavorantes terremotos abalam a Venezuela e Colômbia. Peru, Japão, Indonésia entram na rota de destruição de fortes tremores de terra. Degelo das calotas polares eleva o nível dos oceanos. Incêndios florestais avassaladores, furacões e ciclones fora de época. Ondas de calor inesperadas, inundações e secas inclementes.

A natureza em ritmo mais acelerado continua a mandar alarmantes recados. A ciência cuida, zelosamente, de propagá-los na esperança de que as advertências encontrem eco nos andares de cima em que são definidas as políticas públicas responsáveis pela condução dos destinos deste nosso maltratado planeta azul. Os sinais de alerta parecem esbarrar numa muralha intransponível de indiferença e descrença. O autocomando da história contemporânea mantém-se mudo e quedo que nem penedo, diria o poeta. Finge não escutar o clamor dos especialistas. Especialistas esses apoderados da certeza de que o aquecimento global é uma realidade com desfecho apocalíptico logo ali na frente.

Escorados na glacial insensibilidade da alta cúpula, os negacionistas deitam e rolam. Intoxicados por teorias conspiratórias, disseminam sandices a respeito dos eventos climáticos extremos. Chegam ao cúmulo de admitir que tudo quanto dito e escrito sobre o flamejante assunto não passa de engabelação pra enganar trouxa, camuflando interesses ocultos que objetivam estabelecer, em favor de grupos subversivos, domínio autocrático da mente humana, das desprevenidas massas de manobra.

Os cuidados com o meio ambiente, em que pesem valorosas ações promovidas, mundo afora, por grupos minoritários carregados de boas intenções, deixam quase tudo a desejar. A impactante comparação entre os minguados recursos aplicados na defesa da natureza e os astronômicos gastos das superpotências em armas de destruição constitui amostra loquaz dos “critérios de prioridade” adotados no tocante à busca, pela governança global, de melhores condições de vida para o bem-estar humano. Quão deplorável tudo isso! Os EUA são a maior potência econômica e militar do planeta. Possuem o mais bem equipado aparato bélico jamais implementado por qualquer lugar. Mesmo assim, recentemente, Washington anunciou estar investindo o equivalente a 2 trilhões e 300 bilhões de dólares para ampliar seu arsenal de guerra. A importância assinalada corresponde praticamente a um PIB inteiro do Brasil, país de 220 milhões de habitantes, 10ª potência econômica mundial.

Parcela razoável dessa dinheirama toda, sem falar ainda dos gastos com “esforço de guerra” das demais superpotências, ajudaria bastante a causa da prevenção contra os efeitos danosos do aquecimento global.

Cesar Vanucci
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Cesar Vanucci

Jornalista ([email protected])

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