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A eliminação que expõe mais do que uma Copa perdida

A seleção brasileira segue sem entender se o problema é de talento, de método, ou de algo mais difícil de nomear
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A eliminação que expõe mais do que uma Copa perdida
Foto: Mike Segar / Reuters

O Brasil foi eliminado. Não em uma cobrança de pênaltis, não em um lance duvidoso de arbitragem, mas em uma tarde de domingo em que a Noruega foi, simplesmente, melhor. Dois gols de Erling Haaland na etapa final, um pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães ainda no primeiro tempo, e um gol de honra de Neymar, nos acréscimos, tarde demais para mudar o que já estava decidido. Brasil 1, Noruega 2. Fim da Copa. E, para milhões de brasileiros, o fim de algo que ia muito além de uma partida.

Há duas semanas, o editorial falava sobre a virada contra o Japão como metáfora de um país capaz de se recompor quando o jogo fica difícil. A metáfora, hoje, se inverte, e é preciso ter a mesma honestidade para reconhecê-la. O Brasil teve, no domingo, seu momento de reação, criou chances no segundo tempo, pressionou, buscou o empate. Mas a eficiência, como o resultado provou, não estava do lado brasileiro. Estava do lado de um garoto de 25 anos, que, com duas finalizações, encerrou o sonho do hexacampeonato e igualou, com Messi e Mbappé, a artilharia do torneio.

Não é a primeira vez que a seleção decepciona em Copas do Mundo. Mas há algo particular nesta eliminação, já que ela repete a pior campanha brasileira desde 1990, num momento em que o País já carregava, antes mesmo da bola rolar, um jejum de 24 anos sem a taça. Se antes a cobrança era sobre quando o hexacampeonato viria, agora a pergunta mais desconfortável é por que, com tanto talento individual reunido em Vinícius Júnior, Neymar, Casemiro e outros, o coletivo continua a falhar nos momentos decisivos.

A resposta não cabe inteira ao futebol, e talvez seja por isso que a derrota doa como dói. O brasileiro que parou para assistir ao jogo de domingo buscava, como buscou no jogo contra o Japão, pertencer por algumas horas a algo maior do que a inflação, a polarização eleitoral ou a fadiga das disputas institucionais. A diferença é que, dessa vez, a experiência coletiva não terminou em euforia, mas em silêncio. E o silêncio, em ano eleitoral, também fala de expectativas desproporcionais ao que a realidade entrega, fala de um país que projeta nas conquistas esportivas uma unidade que nem sempre encontra em outros terrenos.

Ståle Solbakken, técnico norueguês, disse antes do jogo que não viera aos Estados Unidos “para entreter”, mas para “chegar o mais longe possível”. A frase, dura e pragmática, contrasta com a mística brasileira do jogo bonito, e talvez seja um lembrete inconveniente, o de que, em competições decisivas, o resultado tem recompensado mais a objetividade do que o talento em estado bruto. A Noruega, disciplinada e organizada, fez o que times menos badalados costumam fazer contra gigantes, esperou, se defendeu bem, e aproveitou a eficiência de seu melhor jogador.

Fica, então, a pergunta que não se resolve em um artigo nem em uma Copa, a pergunta sobre o que fazer com o talento quando ele não basta. O Brasil de Ancelotti mostrou, contra o Japão, que sabe reagir. Mostrou, contra a Noruega, que reagir nem sempre é suficiente. Entre uma coisa e outra, o País segue tentando entender se o problema é de talento, de método, ou de algo mais difícil de nomear.

A Copa continua, agora sem o Brasil. E o País, como sempre depois de uma eliminação, terá de decidir o que fazer com o intervalo até a próxima.

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