Engenharia social na promoção da qualidade de vida dos 60+
A recente aprovação do Programa Porteiro Amigo do Idoso, em Belo Horizonte, representa um avanço no que concerne às políticas de valorização dos idosos, proporcionando bem-estar e segurança a uma população cada vez mais ativa, independente e maior.
A proposta que visa oferecer capacitação aos profissionais que atuam nos edifícios e também na administração de condomínios que abriguem o público 60+ é mais um reflexo de algo que vem se tornando recorrente: a demanda de imóveis para idosos e a oferta de novos formatos de moradia, aliado à necessidade de uma rede de apoio em função de situações emergenciais. Na prática, o Coliving e Cohousing Sênior são um jeito diferente de envelhecer bem com uma grande rede ao redor. Uma vizinhança que se torna amiga, parceira. Enfim, esse novo formato de moradia que se desenha demanda empreendedorismo também no segmento da construção civil.
Em Belo Horizonte, o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022, apontou que a população idosa representa quase 20% da população da capital mineira. São cerca de 460 mil pessoas com mais de 60 anos vivendo aqui. Para contemplar uma parcela tão significativa da população, nada mais assertivo que ofertar alternativas de moradia e convívio social. No mercado imobiliário é fato a procura por novas formas de moradias, moradias compartilhadas, híbridas. Sem dúvida, trata-se de um momento interessante para tornar as áreas centrais mais acessíveis, com retrofit urbano e outros modelos de convívio social.
Investir em projetos habitacionais modernos e práticos, aptos a receber esse público com todas as facilidades que uma moradia compartilhada proporciona é fundamental. Esses espaços de convivência são a possibilidade de reinserção desse público, participante, ativo e que, ao compartilhar espaços coletivos terá à disposição atividades saudáveis que lhes possibilitarão o acolhimento e as boas relações.
Trata-se de um conceito de moradia em ascensão. É no Coliving ou no Cohousing Sênior que as pessoas criam novos laços, estabelecem trocas e somam experiências. Um projeto que envolve estudo de engenharia. Permeia, na construção civil, o conceito de Engenharia Social, focado no impacto social, na participação comunitária e na responsabilidade social das obras. Tudo isso, por meio da promoção da saúde, da interação, da participação, da hospitalidade, da inclusão e do apoio mútuo a quem merece todo nosso respeito e admiração. São modelos que exigem um novo olhar regulatório, a concepção de políticas habitacionais e ações efetivas acompanhando, assim, o envelhecimento saudável, porém, acelerado, da terceira idade.
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